Dioceses do Sul refletiram sobre secularização, diálogo e discernimento

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De 29 de janeiro a 1 de fevereiro as dioceses de Setúbal, Évora, Beja e Algarve estiveram reunidas em jornadas de atualização do clero, em Albufeira, refletindo sobre o tema: ‘Desafios para uma Igreja semper renovanda: secularização, diálogo e discernimento’.

Mais de cem padres e diáconos escutaram várias intervenções de historiadores, teólogos, políticos e, particularmente, do Presidente do Conselho Pontifício para a cultura. Houve ainda alguns painéis com a presença de cristãos em vários campos de atividade humana, cultural, profissional e ainda a partilha de experiências positivas de diálogo e evangelização nas dioceses presentes.

Apresentamos agora alguns aspetos das intervenções dos diversos palestrantes:

  • Juan Pablo Garcia: da Igreja eurocêntrica à Igreja policêntrica. Pluralidade de eclesiologia implica unidade e corresponsabilidade de todos. Igreja que pensas de ti mesma? Igreja que dizes de Deus? De que Deus falamos? De que experiência falamos? Que espiritualidade têm as nossas obras sociais? Desafios da globalização e o pluralismo religioso. Vivemos num tempo de ecumenismo de sangue.
  • Sérgio Pinto: encontramos uma matriz cristã da secularização. O século é espaço da salvação: o santo só te protegerá se a tua vida for igual à dele.
  • João de Deus Pinheiro: a Europa, sobretudo a geração do bem-estar, está a viver novos ‘ismos’: modismo, comodismo, consumismo, facilitismo, imediatismo e mediatismo.
  • Gianfranco Ravasi: a porta blindada pode ser vista como símbolo da urbanização – demasiado solitário numa multidão de solidões. Hoje nota-se a globalização da indiferença do descartável. É preciso saber distinguir entre a cicuta e a salsa. O cristianismo foi sempre fator de inculturação. A revolução informática é mais do que tecnológica, é social. Comunicação é uma condição humana.

 

  • Michel e Isabel Renaud: ética e educação não estão desligadas. As instituições não passam se por elas passarem homens que as dignifiquem.
  • José Filipe Pinto: conhecimento pressupõe reconhecimento dos valores. Vivemos num mundo inseguro, onde a democracia está em risco. Portugal é uma democracia incompleta. Um católico a título individual não pode resolver os problemas do mundo. Ver um país como uma comunidade de sonhos e de afetos.
  • David Justino: As instituições não podem correr atrás das mudanças. Tudo à volta da educação está a mudar. Entramos na era da incerteza. Temos pela frente uma grande imprevisibilidade. As coisas que permanecem não damos por elas. Educar é formar pessoas livres, autónomas, disciplinadas, tolerantes e solidárias…

Texto: ASC
Fotos: Folha do Domingo/Diocese do Algarve e Instituto Superior de Teologia de Évora

Mais informações na Agência Ecclesia:

Igreja: Dioceses «irmãs» do Sul debateram desafios de renovação deixados pelo Papa

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01 de Fevereiro de 2018