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A Palavra do Papa: o lugar seguro, o bem da família, a escuta de Maria e a honra da fé

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“A fé merece respeito e honra até ao fim: mudou a nossa vida, purificou a nossa mente, ensinou-nos a adoração a Deus e o amor ao próximo. É uma bênção para todos!”, afirmou o Papa Francisco na Audiência Geral desta semana.

Proteção de Menores: o abuso sexual de crianças ofende a vida no seu florescimento, é inaceitável

O Papa Francisco recebeu em audiência, no Vaticano, na sexta-feira 29 de abril, os membros da Pontifícia Comissão para a Tutela dos Menores, que se reuniram em assembleia plenária.

O Pontífice sublinhou que o serviço confiado à Comissão para a Tutela dos Menores deve “ser realizado com cuidado” e requer “a atenção contínua da Comissão, para que a Igreja não seja apenas um lugar seguro para os menores e um lugar de cura, mas seja totalmente confiável na promoção dos seus direitos no mundo inteiro. Infelizmente, não faltam situações em que a dignidade das crianças é ameaçada, e isso deveria ser uma preocupação de todos os fiéis e de todas as pessoas de boa vontade”.

O abuso, em todas as suas formas, é inaceitável. O abuso sexual de crianças é particularmente grave porque ofende a vida no seu florescimento. Em vez de florescer, a pessoa abusada é ferida, às vezes de forma indelével.”

Por fim, o Santo Padre pediu que os membros da Pontifícia Comissão “trabalhem diligente e corajosamente para tornar conhecidas estas feridas, buscar aqueles que sofrem por causa delas e reconhecer nestas pessoas o testemunho de nosso Salvador sofredor” e solicitou que seja apresentado anualmente um relatório sobre o acompanhamento da Igreja às questões de proteção de menores.

Família: “antídoto para a pobreza material e espiritual”

Na manhã de sexta-feira, o Papa Francisco recebeu no Vaticano os participantes da Sessão Plenária da Pontifícia Comissão das Ciências Sociais. O Santo Padre focou-se na realidade da família, tema da plenária da Comissão e que pode ser considerada como um “bem relacional”. Francisco iniciou comentando que o contexto mundial atual com crises múltiplas e prolongadas “coloca as famílias estáveis e felizes à dura prova”.

Podemos responder a esta situação – continuou – redescobrindo o valor da família como fonte e origem da ordem social, como célula vital de uma sociedade fraterna e capaz de cuidar da casa comum”.

O Papa recordou que “a família está quase sempre no alto da escala de valores de diferentes povos, porque está inscrita na natureza própria da mulher e do homem” realçando que “é um bem para a sociedade, não como uma simples agregação de indivíduos, mas como uma relação fundada num “vínculo de perfeição mútua”.

“O bem da família – disse – não é agregativo, ou seja, não consiste em agregar os recursos dos indivíduos para aumentar a utilidade de cada um, mas é um vínculo relacional de perfeição, que consiste em partilhar relações de amor fiel, confiança, cooperação, reciprocidade, das quais derivam os bens de cada membro da família e, portanto, a sua felicidade”.

“A família – como sabemos – é o principal antídoto para a pobreza, tanto material quanto espiritual, como também para o problema do inverno demográfico ou da maternidade e paternidade irresponsáveis”, concluiu.

Papa: no contexto trágico da guerra, acolher é um ato de fé

O Papa Francisco acolheu na manhã deste sábado, na Sala Paulo VI, cerca de quatro mil peregrinos da Eslováquia, que vieram ao Vaticano para agradecer ao Pontífice a visita que fez ao país em setembro de 2021.

Integravam o grupo autoridades civis e eclesiásticas, como o presidente do Parlamento eslovaco, Boris Kollár, e o Presidente da Corte Constitucional, Ivan Fiačan.

No seu discurso, o Pontífice saudou a todos, recordando as etapas da sua viagem apostólica. “Foi para mim um grande prazer ver como a Igreja na Eslováquia vive a riqueza da diversidade dos ritos e tradições, como uma ponte que une o Ocidente e o Oriente cristão.”

Ao falar em acolhimento, enalteceu o refúgio oferecido no contexto “trágico da guerra” na Ucrânia a inúmeras mães e crianças obrigadas a fugir.

Olhando para os seus olhos, vocês são testemunhas da violência que a guerra provoca aos laços familiares, privando os filhos da presença do pai, da escola, e abandonando os avós. Eu exorto-vos a continuarem a rezar e trabalhar pela paz, que se constrói na vida de todos os dias, inclusive com gestos de caridade acolhedora.”

Regina Coeli: como Pedro, lançar-se em direção a Jesus

“E nós, queremos amar Jesus?” Esta foi a pergunta que o Papa Francisco dirigiu aos fiéis na Praça São Pedro, na oração do Regina Coeli, comentando o Evangelho da Liturgia do III Domingo de Páscoa, que narra a terceira aparição de Jesus ressuscitado aos apóstolos, no lago da Galileia. O episódio envolve sobretudo Simão Pedro, que estava um pouco desencantado à espera de Jesus.

Pode acontecer também connosco, por cansaço, desilusão, talvez preguiça, de nos esquecer do Senhor e ignorar as grandes escolhas que fizemos, para nos contentar com outras coisas”, disse o Papa. Mas se assim fizermos, acrescentou, ficaremos desiludidos: “com as redes vazias, como Pedro”.

Eis então que Jesus volta às margens do lago e convida os discípulos a lançarem as redes com coragem, obtendo um resultado grandioso.

Irmãos, irmãs, quando as nossas redes estão vazias na vida, não é o momento de comiseração, de ócio, de voltar a velhos passatempos. É o momento de recomeçar com Jesus, de encontrar a coragem de reiniciar, de retomar o largo com Ele”, exortou Francisco.

No final deste episódio, Jesus dirige a Pedro, por três vezes, a pergunta: «Tu me amas?»

Uma pergunta, afirmou o Papa, que vale também para nós hoje, porque, na Páscoa, Jesus quer que também o nosso coração ressuscite; porque a fé não é questão de saber, mas de amar.

No fim, da recitação, o Pontífice convidou todos, neste mês de Maria, a rezar o terço todos os dias pela paz, dirigindo o seu pensamento à cidade ucraniana de Mariupol, “cidade de Maria”, barbaramente bombardeada e destruída, e solicitou novamente a criação de corredores humanitários para as pessoas refugiadas na siderurgia da cidade.

Sendo Dia de São José Operário, festa do trabalhador, o Papa Francisco renovou o seu apelo para que em todos os lugares e para todos “o trabalho seja digno”, exortando a que se faça crescer uma “economia de paz”.

Farmacêuticos: “ponte” entre cidadãos e serviço de saúde

Na manhã de segunda-feira, o Papa Francisco recebeu na Casa Santa Marta no Vaticano os dirigentes da Federação Internacional dos Farmacêuticos Católicos.

“A pandemia da covid-19 – afirmou o Santo Padre – colocou os farmacêuticos na linha de frente. Os cidadãos, muitas vezes perdidos, encontraram em vocês um ponto de referência para assistência, conselho, informação e também, como bem sabemos, para poder realizar rapidamente os testes necessários para a vida e as atividades diárias”.

Francisco reiterou o papel social dos farmacêuticos, considerados como “uma ponte” entre os cidadãos e o serviço de saúde:

Para as pessoas é muito importante o aspeto da proximidade, do conselho, da familiaridade que deveria ser inerente de uma assistência à saúde sob medida para o homem”.

E continuou a sua saudação com outro aspeto com valor social e cultural, que seria “a contribuição que os farmacêuticos podem dar para a conversão a uma ecologia integral”:

“Todos somos chamados a aprender um estilo de vida que respeite mais o ambiente em que Deus nos colocou, da nossa casa comum. E este estilo de vida também inclui uma forma saudável de comer e de viver em geral. Penso que os farmacêuticos também podem ‘criar cultura’ nesta área, promovendo uma maior sabedoria para levar uma vida saudável”.

Vídeo do Papa: Papa pede aos jovens que sigam Maria na escuta, coragem e serviço

Na intenção de oração para maio, mês especialmente dedicado à devoção mariana, o Papa Francisco encoraja os jovens a ouvir como a Virgem Maria e a escutar as palavras dos avós. Na mensagem, o Pontífice também faz um apelo à coragem de se entregar ao serviço dos outros.

“Ao falar sobre a família, quero começar por me dirigir primeiro aos jovens”, inicia Francisco na mensagem em vídeo do mês de maio com a intenção de oração que o Pontífice confia à Igreja Católica através da Rede Mundial de Oração do Papa. Pede para rezar pela fé dos jovens e cita Maria como modelo para poder se identificar na “coragem, escuta e dedicação ao serviço”:

Ela foi corajosa e determinada em dizer ‘sim’ ao Senhor. Vocês, os jovens que querem construir algo novo, um mundo melhor, sigam o seu exemplo, arrisquem-se. Não se esqueçam que para seguir Maria precisam discernir e descobrir o que Jesus quer de vocês, e não o que vocês pensam que podem fazer.”

E, nesse discernimento, alerta o Papa, além do exemplo de Maria, “é muito útil escutar as palavras dos avós”. Francisco novamente fala da importância em encontrar na mensagem dos avós “uma sabedoria” que irá levar os jovens para questões que vão além do momento atual, dando “uma visão geral das preocupações”.

Papa em entrevista: “Estou pronto para encontrar Putin em Moscovo”

O Papa Francisco concedeu uma entrevista ao editor do jornal italiano “Corriere della Sera” Luciano Fontana e que foi publicada esta terça-feira, 3 de maio.

A conversa focou-se na guerra na Ucrânia, contra a qual o Papa apelou desde o primeiro dia e para a qual até agora houve muitas tentativas de mediação, começando com o telefonema para Zelenski, a visita à embaixada russa junto à Santa Sé para pedir-lhe que calassem as armas, e sobretudo com a disposição de ir a Moscovo.

“Pedi ao Cardeal Parolin, após vinte dias de guerra, que enviasse a mensagem a Putin de que eu estava disposto a ir a Moscovo”. “Claro que era necessário – afirma o Papa – que o líder do Kremlin concedesse pequenas aberturas. Ainda não recebemos uma resposta e continuamos a insistir mesmo temendo que Putin não possa e não queira fazer este encontro neste momento. Mas como esta brutalidade não pode ser detida?”

Audiência Geral: A fé não é “coisa de velho”, merece respeito e honra

A fé merece respeito e honra: no ciclo de catequeses sobre a velhice, o Papa Francisco propôs esta quarta-feira um episódio envolvendo o personagem bíblico Eleazar.

Um decreto do rei Antíoco Epífanes obrigava os judeus a comer carne imolada aos ídolos. Os executores do decreto, pela amizade que nutriam por Eleazar, sugeriam-lhe fingir que a comia, mas sem realmente o fazer; deste modo teria a vida salva. “Uma hipocrisia religiosa”, definiu o Papa. Afinal – insistiam eles – era um gesto mínimo, insignificante. Não é assim! – retorquiu Eleazar.

Um idoso que concordasse em considerar irrelevante a prática da fé, levaria os jovens acreditar que a fé não tem verdadeira relação com a vida, tratando-se apenas de um conjunto de atitudes e costumes que poderiam, em caso de necessidade, ser simulados ou disfarçados.

Tal comportamento não honraria a fé, mesmo diante de Deus, e o efeito desta banalização seria devastador para os jovens.

A antiga gnose heterodoxa, “que está na moda em muitos centros de espiritualidade”, teorizava precisamente isto: que a fé é uma espiritualidade, não uma prática; uma força da mente, não uma forma de vida. 

“A fé é outra coisa”, disse o Papa, sobretudo aquela cristã, que é realística. “A fé cristã não é só dizer o Credo”, acrescentou, é pensar, sentir e fazer o Credo. É agir com as mãos. E nunca pode ser reduzida a um conjunto de regras alimentares ou práticas sociais.

A fé merece respeito e honra até ao fim: mudou a nossa vida, purificou a nossa mente, ensinou-nos a adoração a Deus e o amor ao próximo. É uma bênção para todos! Toda a fé, não somente uma parte.”

No final da audiência geral, Francisco recordou que o mês de maio é dedicado à Mãe de Deus, exortando as pessoas a rezarem o terço todos os dias. E saudando os fiéis nas principais línguas da audiência, também em português, pediu-lhes que confiassem a paz no continente europeu à Virgem Maria.

JM (com recursos jornalísticos do portal de notícias Vatican News)

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04 de Maio de 2022