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Advento/Natal 2023: Mensagem de D. Américo Aguiar

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Paz e Bem a todos, neste início de Advento, o tempo que nos prepara para a celebração do maior mistério da história da Humanidade.

Gostava de poder entregar esta carta, pessoalmente, a cada um de vós… de tocar à campainha de todas as casas, entrar para dois dedos de conversa, rezar junto ao presépio que tantos já montaram, escutar as alegrias e as dores de cada um.

Como sabem, tenho andado a conhecer esta grande Diocese e o meu coração vai-se moldando face às realidades que vou encontrando. Realidades que já ocupam um lugar único na vida deste vosso Pastor que entregou a sua vida toda, por todos, sem exceção.

Entregar a vida a Jesus, Àquele que morreu na cruz para nos salvar, mas também ao Menino deitado em pobres palhinhas, é um desafio diário, muitas vezes consolador, outras não, mas nunca solitário. Porque acredito seriamente que a comunhão entre os crentes sustenta a vida dos padres, dos bispos, dos cardeais, do nosso amado Papa Francisco. É o que ele não se cansa de repetir. Assim como insiste na capacidade urgente de nos abrirmos a todos, de acolher nas nossas paróquias todos os que nos batem à porta, com mais ou menos barulho. Uns zangados, outros desiludidos, uns felizes, outros cheios de esperança. Uns com um caminho de Fé feito, outros completamente afastados, mas inquietos.

Bem sabemos o que se passou com José e Maria, quando naquela noite fria, bateram de porta em porta, porque tinha chegado a hora do Filho de Deus nascer. Ninguém os acolheu.

Apenas os pobres pastores, gente sem lugar, o visitaram, inquietos com o brilho do céu. Tal como os Reis, vindos de longe, homens sábios que nos ajudam a entender a realeza do que ali se passou.

Celebramos o Advento, preparamo-nos para a Festa do Natal, conscientes de que vivemos um tempo em que tudo parece concorrer para o esquecimento da dimensão sobrenatural do Natal. E, ainda que de forma mais ou menos consciente, tendemos a viver o Natal entre os nossos. Com a Família com quem nos damos, os amigos e os colegas de quem gostamos, ou até mesmo pessoas que ajudamos com alimentos ou presentes.

Mas o que o Natal nos pede é outra coisa. Pede-nos que o anúncio deste nascimento chegue a todos. Que a alegria das luzes, da festa e da mesa posta seja para todos. Que a Esperança não conheça os limites da normalidade das nossas vidas, do meio onde nos movemos.

Durante os últimos quatro anos, não me cansei de dizer que o mais importante era que nenhum jovem deixasse de participar na Jornada Mundial da Juventude, porque nunca tinha ouvido falar nesse tal encontro… que ninguém viva este tempo tão belo do Natal, sem saber que o Filho de Deus nasceu em Belém e está connosco.

Por outro lado, este tempo tão belo da História da nossa Fé, contrasta drasticamente com um mundo em guerra. Precisamente na Terra de Jesus, mas também na Ucrânia, povos que visitei em julho passado, na Rússia, em África. E assim como somos convidados a ajoelhar perante a beleza do presépio, peço-vos que sejais capazes de vos ajoelhar perante o sofrimento de tantas crianças, de tantas mães e pais. Ajoelhar, pedindo a Deus que a todos conceda a Paz. Ajoelhar pedindo a Deus que nos torne mais simples, mais puros, mais atentos, mais generosos.

Da minha parte, podeis contar com o meu ajoelhar, pedindo ao Menino de Belém, por cada um de vós, por cada família, cada instituição, cada realidade que já está impressa no meu coração.

Lembrando sempre Aquele em que colocamos a nossa confiança. No Deus que se fez um de nós, que foi criança, jovem, adulto. Que falou às multidões, operou milagres, ensinou nas sinagogas e deu o primeiro lugar aos últimos. Que morreu numa cruz e Ressuscitou ao terceiro dia. Para salvação e glória de toda humanidade.

Neste meu primeiro Natal na diocese de Setúbal, quero muito deixar-vos a Alegria e a Esperança de Belém. Também vos deixo as minhas inquietações, a preocupação com o futuro dos jovens, dos desempregados, dos que estão sem casa, o sofrimento pelas guerras a que assistimos de longe…

Sabei que a todos confio no coração de Maria, nossa Mãe. Tão nova, tão pura e tão corajosa. Que a jovem Mãe do Menino Jesus seja a nossa guia neste tempo de Advento e que José seu esposo, seja o melhor exemplo de entrega e confiança em Deus.

† Américo, Cardeal
Bispo de Setúbal

Roma, Basílica de Santo António de Pádua, 3 de dezembro de 2023
Domingo I do Advento

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02 de Dezembro de 2023