“Emigram as sementes nas asas dos ventos… emigra o próprio homem” (São J.B. Scalabrini)

Ago 16, 2024

Com a chegada do verão chegam também muitos emigrantes ao nosso país. Pelas ruas circulam automóveis provenientes de vários países e escutamos idiomas diferentes à nossa volta. Alguns retornam às paróquias de origem para participar na Eucaristia dominical ou procuram o sacramento da reconciliação porque sentem a necessidade de confessar-se na língua materna. Outros aproveitam para celebrar e festejar os seus casamentos e batizados.

Nestes casos por vezes surge um desafio adicional à Igreja local que pode ser encarada como prestadora de serviços e não construtora da beleza da vida comunitária oferecida a todo o batizado. Por vezes a preparação dos que chegam é insuficiente, outro desafio que alguns sacerdotes colmatam oferecendo reuniões de preparação próprias.

Naturalmente há emigrantes que no país onde residem estão inseridos nas paróquias e há aqueles que descobriram a fé através da emigração ou assumiram um compromisso da vida cristã como ser ministro da comunhão ou catequista, principalmente nos países onde há missões de língua portuguesa. Há que realçar a importância destas missões e a necessidade da Igreja portuguesa continuar a apoiar todos os envolvidos nestas.

A generosidade de muitos emigrantes, patrocinando e contribuindo para as festas da sua terra natal não devem ser esquecidos e a nossa gratidão deve ser expressa de forma visível. Devíamos aproveitar a presença dos emigrantes para escutar as suas histórias, pois muitos dos que pensam emigrar ainda têm uma ideia muito romântica da emigração onde há dinheiro fácil e condições de vida fantásticas num abrir e fechar de olhos, quando a realidade muitas vezes é outra, há dificuldades, sofrimento, medo, solidão, discriminação, etc. A valorização das experiências da emigração são cruciais para a criação de boas práticas de acolhimento que promovam uma verdadeira integração dos imigrantes. Gostamos de saber que os nossos são bem recebidos nos países de destino. Da mesma forma os familiares e amigos dos que vêm para Portugal gostam que saber que os seus são aqui bem acolhidos.

O convite Papal é: sermos solidários com os emigrantes que regressam a casa, colocarmo-nos no lugar deles, sentirmos os seus medos, a sua solidão, os seus desafios. É lembrarmos a orientação de Jesus em Mt 25, 35 “Porque tive fome e destes-me de comer; tive sede e destes-me de beber; era peregrino e recolhestes-me”.

Logo, esse convite aponta para termos empatia, tolerância, misericórdia, acolhimento de qualidade, sem discriminação, com os irmãos, venham de onde vierem. Conseguimos identificar nesta chegada dos emigrantes um sinal da providência divina e escutando as suas histórias podemos crescer sempre mais como comunidade que acolhe, protege, promove e integra.

Texto de: Tânia Moreira, diretora do Secretariado Diocesano da Pastoral das Migrações

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