A Sé de Setúbal

Igreja de Santa Maria da Graça, Sé de Setúbal

A construção primitiva, em estilo romano-gótico, remonta ao século XIII. Foi em torno deste espaço religioso que se desenvolveu o primitivo núcleo da vila. Foi aberta ao culto a 15 de agosto de 1248, ano da conquista de autonomia religiosa de Setúbal face a Palmela.

A exiguidade do templo levou D. Manuel I (1469-1521), a encomendar obras de ampliação. Contudo só seria derrubada cerca de 1550. Por 1570 estava praticamente concluída a campanha de obras, das quais resultaram o atual interior e o traçado da fachada. O autor desta segunda e mais ampla construção foi o arquiteto régio António Rodrigues (1520-1590).

A fachada apresenta forma quadrangular, com grande pureza de linhas e clássicas proporções. Duas robustas torres ladeiam e enquadram o corpo central. Neste, destaca-se uma galilé serliana (espécie de alpendre), rematada por um terraço, para o qual respira um janelão amplamente rasgado. Quatro altos nichos monumentalizam o espaço e conferem movimento à construção. A igreja, em estilo chão, compõe-se de três naves de cobertura única em madeira, que assenta em duas séries de colunas toscanas com motivos polícromos.

Em 1586 acrescentou-se a primeira capela lateral, do lado do Evangelho, do Santíssimo Sacramento. Contígua, a de S. Ana (já edificada em 1618) e, do lado da epístola, as de S. André (1614) e de S. José (1618), em ritmo de paralelismo imitativo.

A capela-mor e a tribuna apresentam-se revestidas a talha dourada, obra do mestre entalhador José Rodrigues Ramalho (1697) e do mestre dourador Vicente Nunes (1716) e tem ainda duas capelas colaterais: Nossa Senhora da Conceição, do lado do evangelho; S. Pedro Gonçalves (dito Santelmo), patrono da mais antiga confraria de marítimos (1340) de Setúbal, do lado da epístola.

O terramoto de 1755 poupou esta igreja, exceto no topo das torres e na parede exterior da tribuna, reconstruídas ainda nesse século.

Catorze painéis de bons azulejos (1766), atribuíveis a Sebastião de Almeida, revestem as paredes da nave e representam episódios da vida da Virgem. Existem ainda alguns azulejos de majólica de produção nacional dos finais do século XVI.

Foi declarado “Imóvel de Interesse Público” (Decreto n.º 40361, de 20 de outubro de 1955) e elevada a Catedral de Setúbal no dia 16 de junho de 1975.

Aqui foi ordenado o seu primeiro bispo, D. Manuel da Silva Martins, em 26 de outubro do mesmo ano.

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