O Cardeal Tolentino Mendonça, prefeito do Dicastério para a Cultura e Educação no Vaticano, considera que a Igreja é hoje uma instituição com uma “credibilidade muito ampla”, considerando as diferentes áreas de atuação em que está presente em todo o mundo, e que “um quinhão da esperança que hoje vivemos devemos à profecia e ao Espírito Santo que nos fala a partir do Papa Francisco”.
O cardeal esteve esta manhã com um grupo de comunicadores da Igreja em Portugal que estão presentes em Roma para participar no Jubileu do Mundo das Comunicações, juntamente com a Ir. Simona Brambilla, Prefeita do Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e o Pe. Antonio Spadaro, subsecretário do Dicastério para a Cultura e Educação, para falar sobre o pontificado da esperança do Papa Francisco.
D. Tolentino Mendonça defende que o pontificado do Papa Francisco está muito marcado por “imagens que perduram” na mente e nos corações de todos, e deu o exemplo do Papa na pandemia, na célebre celebração na Praça de S. Pedro, “sozinho, sem mais recursos para além daqueles que a fé lhe dá, com a chuva, num mundo desarmado, que não sabia como resolver aquele momento dramático”, e do Sínodo dos Bispos, pela forma como “a coreografia estava estabelecida, com 12 a 14 pessoas em volta de mesas redondas, com bispos, religiosas e leigos, todos juntos a pensar eclesialmente as linhas do presente e do futuro da Igreja”. “É uma imagem inédita e nova, mas que será recordada como uma semente que é lançada à terra e terá o seu desenvolvimento”, considerou.

O prelado considera que “o Papa deixa, com o contributo dos jornalistas, uma biblioteca que o futuro mostrará”. “Ele fez da comunicação e da cooperação com os jornalistas uma marca do seu ministério, é algo de novo na figura dos Papas”, afirmou.
Quanto à esperança que o seu pontificado deixa, D. Tolentino Mendonça recordou que, “há uns anos estávamos perante uma guerra religiosa entre cristãos e muçulmanos”. “O Papa Francisco tem feito um grande trabalho de desarmamento dos corações, e hoje é mais claro que as religiões estão ao serviço da paz, do diálogo e do encontro. São mediadores de encontro, reforçam coesão na sociedade”, defendeu.
A Ir. Simona esteve presente no encontro e falou de um pontificado de esperança que “não retrocede perante os valores” que são importantes defender. A religiosa considerou que “a sensibilidade sinodal está a entrar de forma gradual na vida consagrada, a transformar estilos de governo que sejam abertos com alegria à escuta de todos e todas os irmãos e as irmãs, e a dar o justo valor ao que é a palavra do outro, mesmo do que entrou agora na congregação”.
A religiosa que é a primeira mulher a liderar um organismo da Cúria do Vaticano alertou para que não se prefira sempre o consenso ao discenso. “O discenso tem o seu valor, porque abre estradas, caminhos e o coração. Mastigar o discenso, até que ele possa mostrar a sua parte melhor, que é desafiar o sistema de pensamento, abrir o que podia ser um pensamento único”, sustentou.
Considerando que a sua nomeação “faz parte de um processo” e não é o fim de nada, a Ir. Simona defendeu que a “harmonia” que o Papa Francisco fala é a capacidade de equilibrar “a dimensão masculina e feminina que todos temos dentro de nós” e, com isso, “promover a paz no mundo”. “Este ato do Papa Francisco [a sua nomeação] tem uma dimensão simbólica, prática e concreta, mas o que desejava era que encorajasse esta integração mais verdadeira e profunda destas duas dimensões na vida da Igreja e da humanidade”, concluiu.

Já o Pe. Spadaro partilhou que a primeira imagem que o impressionou do Papa foi quando, pouco tempo após a tomada de posse como Papa, lhe falou numa igreja enquanto “hospital de campanha”. “Isso impressionou-me, porque isso não é a imagem de uma Igreja triunfal” que o sacerdote esperava.
Neste momento, o sacerdote italiano considera que “Francisco é o único líder religioso que tem voz no mundo”. “Deixa sempre a porta aberta a todas as situações, para o diálogo, com franqueza, dizendo o que tem de dizer, mas evitando pôr-se uma situação em que impossibilite a discussão”, diz, acrescentando que “o último exemplo é o telegrama a Trump, um exemplo de como se podem dizer as coisas, mas num tom de esperança, não de crítica”. “Este é o seu modo de levar a esperança a este mundo”, disse.

O programa do Jubileu do Mundo das Comunicações prossegue esta tarde, com uma celebração penitencial na Basílica de S. João de Latrão. Amanhã, sábado, será o dia de peregrinação à Porta Santa e do encontro com o Papa Francisco.
Fotos e texto: Ricardo Perna




