O Cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, presidiu este domingo à Eucaristia na Igreja de Santo António na Via Merulana, em Roma, da qual é titular. A celebração decorreu no IV Domingo da Quaresma, também conhecido como Domingo da Alegria (Laetare), num momento em que os fiéis são convidados a renovar a esperança no caminho quaresmal.
Na sua homilia, o Cardeal português refletiu sobre a bondade de Deus mesmo nos tempos difíceis que a humanidade atravessa. “Por vezes pode parecer difícil descobrir a bondade de Deus escondida por detrás das circunstâncias atuais em que nos encontramos: as guerras, os terramotos, a fome que resulta num sofrimento indizível em cada canto da terra”, afirmou D. Américo, reconhecendo os desafios globais.
Apesar do cenário mundial conturbado, o prelado sublinhou que “o nosso olhar não se fixa nas coisas deste mundo, mas eleva-se para o Senhor”, apelando a uma perspetiva transcendente diante das adversidades.
Recorrendo à parábola do Filho Pródigo, D. Américo Aguiar estabeleceu um paralelismo com a experiência humana atual. “Como aquele filho mais novo do Evangelho, tivemos múltiplas oportunidades de deixar a casa do Pai e partir para países distantes”, referiu, acrescentando que, tal como na parábola, “no momento em que desejamos voltar à graça de Deus, é o próprio Pai que nos vê de longe, começa a correr para nós, abraça-nos fortemente e acolhe-nos com um amor sem medida”.
O Cardeal partilhou também com os presentes a sua experiência recente de leitura da biografia do Papa Francisco, intitulada “Esperança”, destacando como ficou impressionado com “o fio que liga toda a vida do nosso amado Papa, que é o amor de Deus que brota em tantos momentos, sobretudo nos mais difíceis, da sua existência”. Aproveitou ainda para renovar o convite para que os fiéis tenham “o Papa Francisco muito presente nas nossas orações, retribuindo o afeto que ele sempre teve por nós ao longo dos seus doze anos como Sucessor de São Pedro”.
No contexto do Jubileu da Esperança que a Igreja Católica celebra, D. Américo Aguiar enfatizou o chamamento à “verdadeira conversão”, definindo-a como “aquele levantar-se do filho mais novo, o momento em que perdemos o medo de reencontrar Deus na nossa vida”.

O bispo de Setúbal foi categórico ao afirmar que “não existe verdadeira alegria sem verdadeira conversão. E não existe uma verdadeira conversão sem a decisão de nos deixarmos encontrar por Deus”.
Na conclusão da sua homilia, o Cardeal citou as primeiras palavras da Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho” do Papa Francisco: “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus. Aqueles que se deixam salvar por Ele são libertados do pecado, da tristeza, do vazio interior, do isolamento”.
D. Américo Aguiar concluiu a celebração desejando aos presentes “uma verdadeira conversão, uma verdadeira alegria e um verdadeiro encontro com Jesus Cristo vivo”.




