Cultura do Encontro do Papa Francisco

Abr 30, 2025

O Papa Francisco deixou uma marca indelével na Pastoral da Cultura ao longo do seu Pontificado, promovendo uma visão que interliga arte, história, fé e educação. Destacou a importância da cultura como um meio de iluminar o presente e preservar a memória do passado, ajudando as novas gerações a crescerem com fortes raízes para um futuro mais fecundo. Por outro lado, promoveu a arte como um meio de diálogo e encontro, destacando a sua capacidade de revelar a beleza, a verdade e a esperança.

Sempre incentivou a valorização do património cultural e religioso, promovendo iniciativas que juntam a espiritualidade à criatividade. A sua menção aos frescos da Capela Sistina de Michelangelo, às obras de artistas como Rafael e Bernini nos Museus do Vaticano, a visita aos estúdios de Cinecittà e o seu apoio a projectos artísticos contemporâneos, como os retratos da comunidade carcerária, são exemplos do seu compromisso em usar a arte como uma ponte entre fé e sociedade. Ajudou também a promover iniciativas que valorizam a colaboração entre fé e razão, como o apoio a universidades e projetos educacionais.

Francisco, a quem me apetece chamar o Papa do Encontro, promoveu e enfatizou a “Cultura do Encontro”, conceito central no seu Pontificado, refletindo a sua visão teológica e pastoral. Para ele, essa cultura representava a construção de pontes entre pessoas e as suas tradições, comunidades e nações, promovendo o diálogo, a solidariedade e a inclusão. Frequentemente destacou a importância de “encontrar o outro” com compaixão, escuta ativa e respeito mútuo, superando preconceitos e divisões. Ele acreditava que a cultura e a arte têm o poder de transformar dor em esperança e dar voz aos que não têm voz.

O Papa Francisco aplicou essa ideia em diversas áreas, como o diálogo inter-religioso, o acolhimento de migrantes e refugiados, a busca pela paz em regiões de conflito e educação e arte em espaços de encontro. Ele acreditava que a “Cultura do Encontro” era essencial para enfrentar os desafios contemporâneos e construir uma sociedade mais justa e fraterna.

Francisco foi inspiração para diversas obras de arte ao longo de seu Pontificado, especialmente na arte contemporânea e urbana. Alguns desses exemplos foram Arte de rua por Maupal, que criou várias obras icónicas como o Papa com asas, destacando sua mensagem de esperança e de inclusão, ou ainda o Mural em Albano mostrando o Papa a limpar o céu da poluição, também a Exposição “Habemus Papam”, feita no Paraguai e ainda a Obra no Hospital Menino Jesus, uma imagem tocante em que mostra o Papa em uma cadeira de rodas, junto com uma criança, soltando uma pomba da paz, representando fragilidade e força. Essas obras refletem os valores e mensagens que o próprio Papa Francisco promoveu no cuidado com os marginalizados e mais vulneráveis.

Abordou temas relacionados com a cultura e a arte em várias das suas encíclicas, nomeadamente a Laudato Si de 2015, que embora focada na ecologia integral, também reflete sobre a importância da cultura e da arte como expressões da criação divina. O Papa destaca como a beleza artística pode inspirar um cuidado mais profundo pela “Casa Comum”. Do mesmo modo, na Fratelli Tutti de 2020 sobre fraternidade e amizade social, o Papa menciona a cultura do encontro e a importância do diálogo entre diferentes culturas. Essas encíclicas mostram como o Papa Francisco valoriza a arte e a cultura como instrumentos para promover a harmonia, a solidariedade e a espiritualidade.

O Jubileu dos Artistas e do Mundo da Cultura foi um importante evento realizado entre os dias 15 e 18 de fevereiro de 2025, no Vaticano. Este evento de crentes e não crentes fez parte do Ano Santo e foi organizado pelo Dicastério para a Cultura e a Educação. A missa principal, que ocorreu na Basílica de São Pedro, foi presidida pelo cardeal José Tolentino de Mendonça, que leu a homilia preparada pelo Papa. Na mensagem, Francisco destacou o papel dos artistas e das pessoas ligadas à cultura como “testemunhas da visão revolucionária das Bem-Aventuranças”, incentivando-os a transformar dor em esperança e a revelar a beleza escondida na fragilidade e no sofrimento.

O Papa enfatiza que a arte é uma fonte de harmonia e paz, especialmente num mundo marcado por egoísmos e conflitos e disse numa sua reflexão que “Pela arte se descobre a beleza de Deus” e “quando admiramos uma obra de arte ou qualquer maravilha que seja fruto do engenho e da criatividade do homem, o Espírito leva-nos a agradecer ao Senhor do fundo do nosso coração”.

Nós, Pastoral Diocesana da Cultura, agradecemos-lhe profundamente, Papa Francisco, o ter-nos deixado o seu legado da Cultura do Encontro, onde cabem todos de diferentes culturas, países e crenças. Para sempre ficará gravada a sua mensagem na “Colina do Encontro” no Parque Eduardo VII, aquando das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) de Lisboa, 2023, como um espaço simbólico, onde milhares de jovens se puderam reunir, dialogar e celebrar a fé e a fraternidade. Consigo aprendemos que “A vida é a arte do encontro”.

Isabel Melo e P. Casimiro Abreu Henriques Comissão
Pastoral Diocesana da Cultura

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