De Roma, em vésperas do início do Conclave.
Apesar de tudo o que se diz, vê e escreve, nada nos prepara para participar no funeral de um Papa, do nosso Papa, nem para os trabalhos preparatórios de um Conclave.
As emoções foram e são muitas. Vão desde a tristeza de uma partida anunciada, mas nunca desejada, ao sentimento de vazio e de saudade. Vão desde a alegria dos encontros e reencontros, à surpresa da beleza e da consolação.
A beleza da última morada na terra do nosso amado Papa Francisco e a consolação de falar com os pobres de Roma, que fui encontrando pelas ruas e que vinham ter comigo para me dizerem que perderam um Amigo.
Lágrimas, sorrisos, abraços e vazios. Têm sido dias muito intensos que me exigem um silêncio e uma solidão que não se configuram à minha natureza, mas que, de alguma forma, trazem sentido aos dias que se aproximam.
Interrompo este silêncio para me dirigir a cada um de vós, pedindo-vos que rezem por todos os Cardeais. Acima de tudo, para que este tempo que ainda nos separa do início do Conclave não se gaste em especulações, críticas e anseios. Não é tempo de julgar, de adivinhar ou de lançar sortes. É tempo de rezar, de ter Fé e de ter Esperança. De viver com paz os dias que nos separam de aplaudirmos com palmas e coração o novo sucessor de Pedro. É tempo de não perder a alegria, aquela que nos pede a nossa condição de crentes.
Contem com a minha oração por todos, todos, todos. Tenho comigo os nossos jovens, idosos e famílias. Os nossos bombeiros, polícias, políticos. Os nossos padres, catequistas e responsáveis de tantos organismos que servem a diocese. Os nossos médicos, auxiliares, professores e trabalhadores de todas as fábricas de Setúbal. Os nossos pobres, os nossos empresários. Todos, todos, todos, estão no coração deste vosso pastor. Conheço as caras e sei o nome de tantos. Essa é a minha maior alegria, ir conhecendo aos poucos um por um.
Tenho comigo os meus conterrâneos de Leça do Balio, de Matosinhos e da Maia. A minha diocese do Porto e o meu presbitério portucalense. A minha cidade e as minhas gentes.
Tenho comigo todos, todos, todos os que sonharam, construíram e viveram a JMJ LISBOA 2023 e todos, todos, todos os que se fizeram peregrinos rumo a Portugal, ao Papa Francisco e ao Encontro com Cristo Vivo.
Peço ao Papa Francisco que interceda por todos vós, por todos nós, ele que já conhece o abraço amoroso do Pai e o colo materno de Maria.
Atrevo-me ainda a repetir as palavras do Papa Francisco: «rezem por mim», para que saiba viver estes dias como Deus espera.
S. José operário, rogai por nós, pelas trabalhadoras e trabalhadores do mundo inteiro, por todos, todos, todos.
1 de maio de 2025
+ Américo, Bispo de Setúbal




