SDEIE e o Papa Francisco

Mai 5, 2025

Foi com enorme surpresa que, no dia 21 de abril de 2025, recebemos a notícia da morte do Papa Francisco. Os meios de comunicação social do mundo inteiro colocavam os olhos em Roma, a fim de poderem avançar com alguma explicação para a causa da morte do Papa e para todas as exéquias que se lhe seguiriam. Rapidamente assistimos às reações do mundo inteiro, nomeadamente através dos mais diversos líderes do mundo religioso ou político, lamentando a perda de uma das figuras mais marcantes da atualidade, nomeadamente pela sua influência na procura da paz, na sua atenção aos mais desfavorecidos e marginalizados e na afirmação da Igreja na qual ninguém está a mais e há espaço para todos, todos, todos.

A vida do Papa Francisco influenciou indiscutivelmente o mundo, as instituições, os governantes e a forma de viver de inúmeras pessoas e famílias, professores e educadores. A influência do Papa Francisco também se fez sentir e ecoou de diversas formas concretas, no âmbito da planificação e da ação do Secretariado do Ensino da Igreja nas Escolas (SDEIE), acalentando nova esperança para o enorme desafio de educar e apontando horizontes de sentido amplo e convidando-nos a ser mais humanos.

Entre as diversas ações de formação que envolveram este secretariado, tendo com destinatários os professores de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC), muitas delas trataram temáticas que foram amplamente abordadas pelo Papa Francisco, tais como a paz e gestão de conflitos, a cidadania, a dignidade da vida humana, a ecologia Integral à luz da Laudato Si, a família, os Direitos Humanos, o abandono escolar e o desenvolvimento humano integral.

Nos retiros dirigidos aos professores de EMRC, foi proporcionado um tempo de reflexão, interiorização, enriquecimento espiritual, oração e reconciliação. Cada professor foi convidado a fazer uma introspeção sobre a vida na fé, a refletir sobre a renovação e a transformação da relação com Deus, a consolidar os laços de comunhão com o outro, indo ao encontro do Evangelho e de diversos apelos do Papa Francisco, a fim de continuar a ser imagem de Jesus e a dar o melhor de si próprio aos seus alunos. As reflexões incidiram sobre diversas temáticas, tais como: a família, a conversão, a criação divina, a fé, renovação e transformação, a riqueza e importância do amor, caminhar juntos: concretizar o estilo novo de ser Igreja.

Através dos Encontros de Planificação, foram apontadas metas e lançados alguns desafios aos professores de EMRC, no âmbito de uma escola e educação inclusivas, para ajudar os alunos a sonhar o futuro, visando uma sociedade melhor, aprofundar os valores sociais e educar para o compromisso com o bem comum. É preciso, todos os dias, voltar ao caminho, implementar novos projetos e ferramentas. Somos agentes de mudança, pedras fundamentais da Igreja — pedras vivas — para a construção deste mundo: o Amor! Como fazer isso? Com verdadeira integração na escola. Em comunhão e diálogo com todos os implicados. Utilizando ferramentas legítimas. Não ter medo de arriscar, aprender a arranjar tempo para aprender. Disponibilidade, paz de espírito, criatividade. Ajudar a cuidar do outro. Melhorando a qualidade das nossas relações, deixando de aparentar descrença, tristeza e solidão. Criando mais laços entre nós: organismos vivos (dinâmicos) – equipas e projetos.

No âmbito das Celebrações do Envio, os professores de EMRC renovaram o compromisso de continuar, a anunciar o Evangelho em contexto escolar às crianças e jovens que fazem a opção de frequentar a disciplina de EMRC. Nestas celebrações, foi lembrada a importância da missão do professor de EMRC, como um privilégio e uma grande responsabilidade na comunidade escolar e no meio dos alunos que voluntariamente aceitam inscrever-se em EMRC, sem barreiras. É uma missão ousada levar Cristo a muitos que, porventura, não têm quaisquer referências cristãs, nem tão pouco professam a fé cristã, nem estão inseridos numa comunidade eclesial. Uma missão diferente da catequese, uma missão de possibilitar o primeiro contato com os pontos fulcrais do cristianismo e da mensagem fraterna e universal de Cristo e deixar a escolha de a abraçar ao livre-arbítrio dos alunos. Portanto, uma missão difícil, na sociedade atual, mas muito desafiante e importante para a Igreja, articulando formas de conexão, de sinergias e caminhos comuns de uma Igreja em saída, dialogante, descentrada de si, capaz de proximidade e diálogo.

No 50º aniversário do Sínodo dos Bispos, o Papa Francisco afirmou que a sinodalidade é o caminho que Deus espera da Igreja do Terceiro Milénio. Aos professores de EMRC foram possibilitados alguns momentos de reflexão/encontro no âmbito das várias fases do Sínodo dos Bispos e do Sínodo Diocesano. Os professores foram convidados a viver/experimentar a sinodalidade, a qual nos envolve a todos e requer escuta e diálogo, a mudança do coração/conversão, a comunhão e a docilidade ao Espírito Santo. A partir das três palavras-chave: comunhão, participação e missão, os professores foram desafiados a fazer esse caminho sinodal, nomeadamente através da reinvenção de estratégias e da motivação pessoal, do trabalho colaborativo e da interligação com o respetivo pároco onde se insere a escola.

Durante os seis dias da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) – Lisboa 2023, o Papa Francisco convidou-nos a sermos empreendedores de sonhos, a caminharmos na esperança, a olharmos para as nossas raízes e continuarmos para diante, sem medo, empenhados no serviço aos outros, numa Igreja onde há espaço para todos (mesmo para quem erra, para quem cai, para quem sente dificuldade). Muitos professores de EMRC e os respetivos alunos (a partir do 8.º ano de escolaridade) estiveram envolvidos na Peregrinação dos Símbolos da JMJ e participaram na JMJ, ativamente e de diversas formas. A JMJ – Lisboa 2023 superou as expetativas e foi marcante para o Papa Francisco, para os jovens e para toda a Igreja. O Papa Francisco, através da JMJ, certamente terá tocado o coração de muitos jovens e terá sido muito inspirador para a missão dos professores de EMRC, visando um mundo onde todos possamos sonhar juntos.

O Encontro Diocesano de EMRC, realizado em cada ano letivo, tem proporcionado o encontro, a partilha, o convívio, o complemento das aprendizagens feitas em contexto de sala de aula, a partilha de talentos, a expressão da originalidade e muita alegria. No encontro de 2024, o cardeal D. Américo Aguiar desafiou os alunos a terem sonhos e a serem firmes na luta pela concretização dos seus sonhos e a realizar algo nas escolas no âmbito da celebração do ano jubilar da Diocese.

A Diocese de Setúbal encontra-se em festa por celebrar o Jubileu Universal da Igreja Católica e o Ano Jubilar Diocesano. Entre as diversas iniciativas promovidas para a celebração dos 50 anos da criação da Diocese, concretizou-se o Jubileu Diocesano do Mundo Educativo, no Santuário de Cristo-Rei, o qual contou aproximadamente com 1500 participantes, oriundos das diversas escolas da Diocese. Foi um dia diferente e enriquecido com atividades diversificadas. Os alunos apresentaram os seus talentos em palco e diversos ateliês foram dinamizados pelas escolas. Os participantes foram desafiados a participar na atividade solidária que consistiu na doação de artigos de higiene e bens alimentares aos mais carenciados, apoiados pela Cáritas Diocesana. O nosso Bispo dirigiu uma calorosa saudação aos participantes, agradeceu a colaboração de todos os envolvidos, aludiu ao estado de saúde crítico do Papa Francisco e apelou aos alunos para usarem positivamente os seus telemóveis. Também integrou o Jubileu Diocesano do Mundo Educativo o encontro muito enriquecedor do Cardeal D. Américo Aguiar com mais de 40 representantes das diversas direções das Escolas da Diocese, a fim de se refletir sobre os desafios e esperança para o nosso ensino e para o mundo educativo.

Testemunho da Professora Rita Gil

Ecoa em nós o apelo do Santo Padre para construirmos pontes e derrubar muros. Procuraremos, à luz das suas palavras, zelar pela construção de um ambiente de sala de aula, onde cada aluno se sinta valorizado e respeitado, independentemente das suas características. Implementaremos, à luz do seu apelo, mais práticas pedagógicas que promovam a colaboração e o respeito mútuo, incentivando os nossos alunos a abraçarem a diversidade como uma riqueza.

Temos presente que a convicção do Santo Padre na educação como ferramenta de transformação social nos motiva a irmos além do simples ensino de conteúdos curriculares. Procuraremos incutir nos nossos alunos um sentido de responsabilidade social, envolvendo-os em projetos de serviço comunitário e debates sobre questões de justiça social.

À luz do seu testemunho, daremos um enfoque ao seu crescimento como cidadãos conscientes e ativos. Guardaremos o apelo do Santo Padre no cuidado com a nossa casa comum que ressoa diariamente nas nossas ações quotidianas, sensibilizaremos os alunos, segundo o seu apelo, para a importância de proteger o planeta para as gerações futuras. Juntos, exploraremos as formas mais sustentáveis de reduzir o impacto ambiental e de promover um estilo de vida mais sustentável entre todos. A mensagem de sua Santidade sobre a cultura do encontro e do acolhimento ficará perpetuamente em nossos corações e integrará o nosso agir diário.

Guardaremos as palavras, a pessoa e expressamos a nossa maior gratidão por ter tido o privilégio de privar com a sua presença próxima e acolhedora, que a todos acolhe e que nos encoraja na nossa missão de educadores.

A equipa do SDEIE
Augusta Delgado
José Joaquim Santos
José Manuel Teixeira
Liliane Dias
Rita Gil

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