Desde 13 de março de 2013, após a sua eleição como Sumo Pontífice, o Papa Francisco emergiu como uma figura central no seio da Igreja Católica, não só pelas reformas e nova forma de entender a práxis pastorais, mas também no que tem que ver com o discernimento vocacional. Sabemos que nem todos simpatizavam com o seu estilo, nem com a sua a forma de comunicar. Talvez por ser demasiado simples e informal, em relação àquilo a que estávamos habituados, ou talvez porque rompia os protocolos. Não tinha medo de barreiras humanas nem geográficas, ou seja, era um pastor sem medo, sem máscara e sem make up.
Durante o seu pontificado, o discernimento vocacional foi não apenas um processo pessoal, mas também um convite para toda a comunidade eclesial refletir sobre as suas vocações e missões.
Na sua exortação apostólica Gaudete et Exsultate, sobre a vocação à santidade no mundo atual, o Papa mostrou-nos a importância do discernimento vocacional e espiritual como um caminho de santidade para todos, onde todos são chamados à santidade no dia-a-dia nas suas vidas quotidianas, cada um de acordo com a sua vocação específica.
Em Christus Vivit, dirigida aos jovens e a todo o povo de Deus, no capítulo IX, o Papa encorajou os jovens a discernir a sua vocação e os seus caminhos na vida, seja na vida matrimonial, seja na vida consagrada ou nas outras formas de serviço à Igreja e ao mundo. Ele convidou e desafiou os jovens a ouvir a voz de Deus nas suas vidas e a darem uma resposta com generosidade e coragem.
No seu primeiro documento, Evangelii Gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, nos números 169 – 173, o Papa apresentou o processo de discernimento espiritual, e como esse processo ajuda cada pessoa a escutar a voz de Deus na sua vida concreta, obedecendo à missão única que lhe é confiada ao serviço do Evangelho. O Papa Francisco destacou também que esse discernimento deve ser feito com liberdade, alegria e abertura ao Espírito, sempre em comunhão com a Igreja.
O próprio Papa Francisco foi um exemplo deste discernimento vocacional que nos deixou como legado. A escolha de nome, em homenagem a São Francisco de Assis, espelha o seu compromisso com a simplicidade, a paz e o serviço aos mais pobres.
Olhando para o legado que o Papa Francisco nos deixou, inspirado no seu testemunho de vida, nos seus ensinamentos e nas suas exortações, somos todos chamados a promover uma cultura vocacional alegre, prática, acessível e fiel ao Evangelho. O Papa mostrou-nos que toda a vocação nasce do amor de Deus e se exterioriza no serviço aos outros.
Outro legado que também nos deixou o Papa Francisco é o seu modo de ser, um pastor próximo, cheio de humor, alegre, aberto, acolhedor e atento aos sinais dos tempos, que nos desafia a todos a sair da nossa zona de conforto, a ir ao encontro dos outros, a acompanhar com paciência quem nos pede, e a confiar na ação de Deus.
Hoje, diante deste rico legado que nos ficou do Papa Francisco, sentimos o apelo renovado a continuar esta missão com esperança e confiança. Neste tempo de luto e memória, estou convicto de que a herança do Papa Francisco permanecerá viva nos corações de todos aqueles que se deixam tocar pela beleza de uma vida entregue a Deus e aos irmãos.
Obrigado, Papa Francisco.
Alexandre Cardoso
Seminarista do Seminário de S. Paulo de Almada



