O Bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, esteve na inauguração do Parque Papa Francisco, uma zona verde de lazer que surge a partir da recuperação de uma área de contentores no concelho de Loures que foi limpa e preparada para acolher os eventos finais da Jornada Mundial da Juventude e que agora é convertida em parque urbano, para fruição da população.
O espaço de mais de 35 hectares é um dos frutos da Jornada “muito visível, muito palpável”, disse D. Américo Aguiar no final do evento. “Nós, numa cidade como Lisboa ou Loures, numa área metropolitana como Lisboa, de um momento para o outro ter disponíveis, eu não sei se no total eram quase 30 hectares, já não me lembro dos números, é qualquer coisa impensável nos tempos que correm. E, portanto, este legado é importantíssimo para o futuro da área metropolitana de Lisboa”, referiu.
O prelado confessou alguma “emoção” pelo facto de ter sido possível entregar agora à população um espaço que estava fechado a esta, em virtude da poluição e dos contentores que ali se encontravam há décadas. “É particularmente emocionante nós estarmos aqui a testemunhar publicamente um ato de homenagem à presença do Papa neste local e, de um modo especial, algo único na história das Jornadas Mundiais da Juventude, que é um legado desta dimensão, seja falando de ecologia, seja falando de economia, para este município, para esta terra e para a grande área metropolitana de Lisboa, que é um parque verde com vários hectares que será certamente referência para o futuro do lazer destas comunidades.
“Essa possibilidade, que foi, graças a Deus, concretizada, concretizada com o apoio de todos, de todos os partidos, de todos os envolvidos na gestão autárquica, na gestão do governo do país, e isso é muito importante que se sublinhe, não foi o partido A contra o B, nem o C contra o D, mas foi um consenso transversal à sociedade, aos partidos, naquilo que nós sentimos de apoio na organização da jornada, e agora naquilo que é usufruirmos deste espaço para todos, todos, todos”, considerou.

Patriarca de Lisboa fala em “fruto maravilhoso” da JMJ
A Bênção Solene do Parque Papa Francisco, na Bobadela, foi presidida pelo patriarca de Lisboa que considerou que era “um dia muito feliz” e “uma ocasião para dar os parabéns à Câmara Municipal de Loures pela iniciativa”, mas, sobretudo, pela maneira como “de uma forma tão natural, bem ao jeito do Papa Francisco”, quer deixar para a posteridade “uma recordação, uma saudade, uma memória” daquilo que foram momentos “verdadeiramente únicos” que se viveram em Portugal na JMJ, “mas que teve um alcance em tudo o mundo”.
“O Papa Francisco, hoje, sorri a partir do céu porque vem ao encontro daquilo que ele foi promovendo, sobretudo na Laudato Si, quando dizia que a natureza é para estar integrada com a vida do ser humano. E aquilo que nós encontramos aqui é exatamente isso, é a inclusão na sua plenitude e no seu todo: temos, por um lado, a natureza, temos, por outro lado, a possibilidade das pessoas caminharem, das pessoas aqui transitarem, se reunirem com família, descontraírem”, disse D. Rui Valério, à Agência ECCLESIA.
“Os frutos da Jornada Mundial da Juventude é este encontro, esta alegria, é a nossa esperança, é o olhar para a vida e fazer vingar aquilo que é o nosso ser, a nossa identidade de seres humanos, não obstante estarmos envolvidos pela tecnologia, pela indústria, mas o ser humano está integrado dentro desse contexto, não se deixa dominar, antes pelo contrário. E, portanto, isso é um fruto maravilhoso daquilo que a JMJ nos deixou”, desenvolveu D. Rui Valério.

“Um legado que nos enche de orgulho”
O presidente da Câmara Municipal de Loures, Ricardo Leão, destacou o impacto profundo que a Jornada Mundial da Juventude teve no concelho: “É algo que nós nunca mais esqueceremos e nunca mais iremos viver. A JMJ deu uma projeção ao nosso país, mas particularmente a Loures, como nunca antes”.
Com emoção, o autarca relembrou a transformação urbanística que o evento permitiu: “Passar aqui e ver estes contentores que faziam seis e sete pisos… era algo que quem vivia aqui não gostava de ver. Só mesmo o Papa Francisco e a JMJ permitiram que os contentores saíssem daqui definitivamente e pudéssemos usufruir deste parque”.
Para Ricardo Leão, a atribuição do nome Parque Papa Francisco foi uma escolha natural e unânime. “Foi decisão da Câmara Municipal de Loures, por unanimidade, darmos o nome deste parque ao Papa Francisco, porque é mais do que merecido. Este é o legado que deixamos à população do concelho de Loures: um espaço de lazer, de encontro e de memória”, explicou.
Texto: Ricardo Perna (com Agência Ecclesia e Patriarcado de Lisboa)
Fotos: Ricardo Perna




