No âmbito da Visita Pastoral que tem percorrido as paróquias de Cacilhas e Pragal, o Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, centrou as atividades deste sábado na comunidade do Pragal. Entre reuniões de trabalho e celebrações litúrgicas, o prelado deixou mensagens fortes sobre a necessidade de a Igreja se adaptar aos novos tempos, questionando até a eficácia da atual divisão territorial das paróquias.
A jornada iniciou-se com uma reunião de trabalho com o Conselho Pastoral Paroquial e o Conselho Económico. D. Américo Aguiar começou por enaltecer a existência destes órgãos, notando que, embora o Papa Francisco e o Papa Leão XIV insistam na sua importância, ainda existe resistência em algumas comunidades.
“É bom que o padre possa contar com a colaboração destes conselhos na gestão da vida da paróquia, desde as coisas mais simples às mais complicadas”, afirmou o Bispo, salvaguardando, contudo, a natureza consultiva destes órgãos, mas acrescentando que, apesar de ter a última palavra na decisão, “o padre tem de ter bom senso, porque se decide sempre ao contrário do Conselho, algo de errado se passa também”.
O Cardeal instou a comunidade a olhar para o território com realismo, sublinhando que as estratégias de evangelização devem ser adaptadas à geografia social. “É totalmente diferente falar em Almada ou em Canha, Pegões ou até Azeitão”, explicou, lançando um desafio estrutural: “O mapa clássico das paróquias, em alguns sítios, em vez de ser uma oportunidade de evangelização, é um entrave a essa evangelização. Temos de ser sensíveis ao que o Espírito sopra”, pediu.

D. Américo Aguiar com os orgãos da paróquia do Pragal.
Num encontro posterior com os fiéis na igreja, o tema central foi a empatia. D. Américo alertou para a fragilidade de quem procura a Igreja pela primeira vez e para o impacto negativo de uma má receção.
“Não podemos acolher as pessoas com um coice, ou a afastá-las. Às vezes há um estranho que chega fragilizado e tem o azar de levar com alguém que não é empático… Não há uma segunda oportunidade para provocar uma primeira boa impressão”, avisou.
A visita culminou com a celebração da Eucaristia na Igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus e dos Homens. Coincidindo com o Domingo da Palavra, o Cardeal lamentou a “pouca curiosidade” das comunidades em conhecerem a Bíblia, incentivando os presentes a retomarem a leitura das Escrituras para melhor testemunharem a fé.
Sobre a relação com o próximo, o Bispo de Setúbal foi perentório: “O outro ser diferente não é um problema, porque o outro para mim é o rosto de Cristo Vivo”. Reconheceu, todavia, que a mudança pessoal é o maior obstáculo. “Nós não gostamos de mudar. Facilmente ficamos confortáveis no hábito, e por isso a conversão é exigente”.

Pároco agradece “Pastor que veio ao encontro”
No final da celebração, o Pe. Pedro Baldaia, pároco de Cacilhas e Pragal, expressou a gratidão da comunidade pela semana de visita, destacando a resiliência do Bispo que “nem a chuva” travou.
“Um verdadeiro pastor que veio ao nosso encontro saber de nós, das nossas preocupações, ansiedades e alegrias”, referiu o pároco. Recordando as palavras de D. Américo aos jovens locais, o Pe. Pedro Baldaia sublinhou a importância de ter propósitos: “Que aqui o objetivo seja sermos Santos”.

D. Américo Aguiar segue agora o seu itinerário pastoral na diocese, preparando-se para visitar, em breve, as comunidades da Costa de Caparica e da Trafaria.




