Pe. João Rosa é o primeiro Capelão da Sé de Setúbal

Set 7, 2026

 

O Pe. João Rosa tomou posse, este domingo, como Capelão da Sé de Setúbal, numa celebração marcada pelo desafio lançado pelo Bispo de Setúbal para uma nova presença pastoral no centro da cidade. A criação deste novo cargo pretende reforçar a missão da Sé enquanto igreja-mãe da Diocese e, ao mesmo tempo, criar novas oportunidades de encontro entre a Igreja e as pessoas que vivem, trabalham ou passam diariamente pelo centro de Setúbal.

Na homilia da celebração, o Bispo de Setúbal apresentou esta nova missão como parte de um caminho que pretende levar a Igreja ao encontro de todos, dentro e para além das comunidades que habitualmente participam na vida paroquial. “Nós temos uma urgência, que é chegar a todos. Levar o anúncio de Cristo vivo a todos, todos, todos”, afirmou, sublinhando a necessidade de “arriscar a fazer diferente”.

A Sé é chamada, neste contexto, a assumir de forma mais clara a sua condição de igreja-mãe da Diocese. O acolhimento do Pe. João Rosa como Capelão insere-se nesse propósito de dar à catedral uma presença pastoral mais próxima e acessível, capaz de acolher não apenas quem já integra as comunidades cristãs, mas também aqueles que procuram, questionam ou simplesmente entram numa igreja em busca de alguém com quem falar.

 

O desafio colocado pelo Bispo passa precisamente por criar oportunidades de encontro. Na homilia, recordou histórias de pessoas que, inesperadamente, entraram numa igreja e encontraram num sacerdote uma palavra ou uma presença que acabou por marcar o seu caminho. “Nós temos que proporcionar encontros”, afirmou, defendendo que, “no meio de toda esta correria que o mundo nos coloca”, é necessário criar espaços e momentos onde qualquer pessoa possa encontrar um sacerdote.

É esse o horizonte traçado para os padres que irão assegurar a presença pastoral no centro da cidade: serem “sentinelas na cidade”, uma imagem retirada da primeira leitura proclamada na celebração. O objetivo é que as pessoas saibam onde e quando podem encontrar um sacerdote disponível para a confissão, a direção espiritual, um desabafo ou simplesmente para serem acolhidas. “Gostaria que daqui a algum tempo fosse possível que nós soubéssemos todos que, na Igreja A, na Igreja B, na Igreja C, há sempre um padre”, explicou o Bispo.

A nova função confiada ao Pe. João Rosa não surge, contudo, isoladamente. Faz parte de uma reorganização da presença sacerdotal em várias comunidades do centro de Setúbal, assente numa lógica de trabalho em equipa e de maior articulação entre diferentes igrejas e paróquias.

 

Quatro paróquias, uma equipa de seis sacerdotes

Também este domingo, antes da celebração na Sé, tomou posse o Pe. Francisco Mendes como pároco de Santa Maria da Graça e São Julião. A paróquia passa a integrar o conjunto de comunidades que estão sob a sua responsabilidade, juntamente com a Anunciada, o Coração de Maria e São Sebastião.

O Pe. Francisco Mendes ficará à frente de uma equipa de seis sacerdotes, constituída por si e pelos padres João Rosa, António Estevão, José Raposo, Pedro Velasco e Manongo Domingos Baptista, que irão trabalhar pastoralmente nas quatro paróquias.

Na celebração de tomada de posse do novo pároco, o Bispo fez questão de sublinhar que não estava em causa apenas a chegada de um novo responsável a uma paróquia, mas a constituição de uma equipa chamada a procurar novos caminhos pastorais para este território da cidade. “Vamos arriscar uma equipa”, afirmou, apresentando-a como um instrumento para “abrir caminhos novos” e responder às realidades diversas que marcam esta zona de Setúbal.

 

A imagem das “sentinelas” voltou a estar presente na homilia. O Bispo pediu que estes sacerdotes sejam homens próximos das pessoas, capazes de acompanhar alegrias e dificuldades, sucessos e desejos, tanto na vida pessoal como familiar e profissional. A intenção é que os habitantes da cidade possam encontrar nos padres uma presença disponível e próxima.

A aposta passa, assim, por uma Igreja “aberta e em saída”, que não se limite a esperar pelas pessoas dentro das suas estruturas, mas que procure ir ao encontro dos jovens, das famílias, dos idosos, dos pobres, de quem está só, de quem se afastou e também de quem procura ou duvida. “Uma Igreja onde cada pessoa possa sentir, aqui há lugar para mim”, afirmou.

O Bispo reconheceu que esta opção implica experimentar novos caminhos e admitiu até a possibilidade de corrigir o rumo se, com o tempo, se verificar que uma determinada solução não corresponde ao que é necessário. Mas deixou também um critério para discernir as escolhas pastorais: “Isto aproxima alguém de Cristo? Ajuda-nos a servir melhor?”

 

 

Um novo serviço também na Igreja do Convento de Jesus

A missão do Pe. João Rosa tinha já conhecido, no sábado, outro momento importante, com a sua tomada de posse como reitor da Igreja do Convento de Jesus, sucedendo ao Monsenhor Lobato.

As novas responsabilidades do sacerdote ficam, assim, ligadas a diferentes espaços de referência da cidade: a paróquia, através da integração na equipa que serve as quatro comunidades do centro; a Igreja do Convento de Jesus, enquanto seu novo reitor; e agora a Sé de Setúbal, onde assume uma função nova, especificamente criada para reforçar a presença pastoral naquele espaço.

É precisamente esta última responsabilidade que ganha particular significado no novo desenho pastoral apresentado pelo Bispo. Mais do que acrescentar uma função à estrutura da Diocese, a criação do cargo de Capelão da Sé procura responder a uma necessidade concreta: tornar a igreja catedral um lugar de encontro, acolhimento e presença permanente no coração da cidade.

 

“Temos que fazer um esforço suplementar para chegar a todos”, afirmou o Bispo na tomada de posse do Pe. Francisco Mendes, lembrando a reduzida percentagem de praticantes e a dimensão da população que a Igreja é chamada a servir.

Na Sé, esse desafio ganha uma expressão particularmente simbólica. O objetivo é que a igreja-mãe não seja apenas um lugar onde se celebram as grandes ocasiões da Diocese, mas também uma porta aberta no quotidiano da cidade. Um espaço onde seja possível entrar, encontrar alguém e estabelecer uma relação.

Para o Bispo, a novidade não está na procura de uma Igreja diferente na sua mensagem, mas na procura de novas formas de fazer chegar “o Evangelho de sempre” às pessoas de hoje. “Não tenhamos tanto medo de errar que acabemos por ter medo de tentar”, afirmou.

É neste caminho que começa agora a missão do Pe. João Rosa como primeiro Capelão da Sé de Setúbal: uma função nova, inserida num projeto pastoral mais amplo para o centro da cidade, que aposta na proximidade, no trabalho conjunto dos sacerdotes e na capacidade de a Igreja sair ao encontro daqueles que estão dentro e, sobretudo, daqueles que ainda não se sentem parte dela.

A pergunta deixada pelo Bispo no final das celebrações resume o espírito desta nova etapa: não perguntar apenas “quantos somos”, mas “quem é que falta”. E a resposta, sublinhou, não é uma tarefa atribuída apenas aos novos responsáveis: “Agora é connosco. Com todos, com todos, todos, todos.”

 

Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Ricardo Perna | Diocese de Setúbal

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