Queridas irmãs e queridos irmãos,
Saudações fraternas a todos, todos, todos!
É com muita alegria que inicio convosco esta Visita Pastoral à Paróquia da Amora, dando também início a uma nova etapa das Visitas Pastorais na nossa Diocese, agora na Vigararia do Seixal.
Venho para estar convosco. Para escutar, conhecer, agradecer, rezar e discernir juntos aquilo que o Espírito Santo pede hoje à nossa Igreja.
E a Palavra de Deus oferece-nos, logo no início, um programa muito simples: «Filho, vai hoje trabalhar na vinha».
Hoje. Não amanhã. Deus chama-nos hoje. A Igreja precisa de nós hoje. Esta comunidade precisa de nós hoje.
Jesus fala-nos de dois filhos. Um diz que não, mas arrepende-se e vai. O outro diz que sim, mas não vai. E Jesus recorda-nos que não basta dizer; é preciso fazer. A fé não se mede apenas pelas palavras, mas pela vida.
Também Ezequiel nos fala da possibilidade de mudar e recomeçar. Ninguém está definitivamente preso ao seu passado. Talvez ontem tenhamos dito «não», talvez tenhamos falhado ou desistido. Mas hoje o Senhor volta a chamar-nos: «Vai trabalhar na vinha».
Também esta Visita Pastoral quer ser uma oportunidade para recomeçarmos juntos. Não venho fazer uma inspeção. Venho como Bispo, pastor e irmão, para caminhar convosco e perguntar convosco: Senhor, que queres de nós?
Por isso, a oração do salmo pode acompanhar estes dias: «Mostrai-me, Senhor, os vossos caminhos».
Mostra-nos onde precisamos de mudar. Mostra-nos quem ficou para trás. Mostra-nos quem precisa de ser escutado, acolhido e cuidado. Mostra-nos os pobres, os doentes, os idosos, os jovens, as famílias em dificuldade e aqueles que chegaram de outras terras à procura de uma vida nova.
São Paulo dá-nos o programa: «Tende em vós os mesmos sentimentos que havia em Cristo Jesus». Ter os sentimentos de Jesus é servir, aproximar, acolher e não olhar apenas para os nossos próprios interesses.
E esta Palavra ganha hoje uma força muito especial. Celebramos o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado e encontramo-nos numa paróquia confiada aos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos, cujo carisma coloca no coração da missão precisamente aqueles que partem, aqueles que chegam, aqueles que atravessam fronteiras à procura de paz, dignidade e futuro.
O Papa Leão XIV propõe-nos este ano um apelo muito concreto: «Mesmo uma só destas crianças». Não estamos a falar primeiro de números ou estatísticas. Estamos a falar de pessoas, de rostos, de histórias; e, de modo particular, de crianças e jovens migrantes e refugiados, tantas vezes entre os mais vulneráveis. Acolher cada um deles é reconhecer a sua dignidade e, para nós cristãos, reconhecer a presença do próprio Jesus. (Vaticano Press)
E a Amora conhece bem esta realidade. Esta terra é feita de muitos rostos, povos, culturas, histórias e sotaques. Por isso, esta comunidade pode e deve ser um sinal muito bonito de que em Cristo ninguém é estrangeiro. Somos irmãos e irmãs. Somos família. Todos têm lugar. Todos, todos, todos.
Ao longo destes dias quero encontrar a comunidade cristã, mas quero também sair ao encontro desta terra e das suas pessoas. Quero escutar as alegrias e preocupações, conhecer os sonhos e as feridas e agradecer o muito que aqui já se faz.
Uma Visita Pastoral não é simplesmente o Bispo passar por uma paróquia. É uma oportunidade para caminharmos juntos e procurarmos juntos a vontade de Deus.
Por isso, deixo-vos a pergunta do Evangelho: estamos disponíveis para ir trabalhar na vinha?
Ir ao encontro. Ir servir. Ir acolher. Ir cuidar. Ir procurar quem se afastou. Ir ao encontro de quem chega. Ir anunciar Jesus.
A vinha é grande. E há lugar para todos.
Que Nossa Senhora acompanhe estes dias e nos ensine a responder a Deus não apenas com palavras, mas com a vida.
Conto convosco. Contai comigo. Caminhemos juntos. Todos, todos, todos.




