Homilia no Encerramento da Visita Pastoral à Paróquia de Amora

Out 4, 2026

 

XXVII Domingo do Tempo Comum

Queridas irmãs e queridos irmãos,

Chegamos ao final desta Visita Pastoral e a Palavra de Deus oferece-nos uma imagem que parece ter sido escolhida para este momento: a vinha.

No domingo passado, quando iniciámos esta Visita, Jesus dizia-nos: «Filho, vai hoje trabalhar na vinha». E partimos. Ao longo destes dias fomos à vinha: às ruas, às escolas, aos centros de saúde, às instituições, aos lares, às associações e clubes, às empresas e serviços, às casas das pessoas e, naturalmente, às diferentes realidades desta comunidade paroquial.

Hoje, quando encerramos a Visita, a Palavra volta a falar-nos da vinha. Mas agora coloca-nos outra pergunta: que frutos estamos a produzir?

Isaías apresenta-nos Deus como alguém que ama profundamente a sua vinha. Prepara a terra, limpa as pedras, planta as melhores cepas, constrói uma torre, escava um lagar. Faz tudo. E depois espera frutos.

Esta é também a história de Deus connosco. Deus investiu muito em nós. Deu-nos a vida, a fé, os irmãos, uma comunidade, tantos dons e oportunidades. E espera frutos.

Não espera uma Igreja bonita apenas por fora. Não espera apenas atividades, reuniões ou estruturas. Espera frutos.

Frutos de justiça.
Frutos de fraternidade.
Frutos de acolhimento.
Frutos de cuidado.
Frutos de paz.
Frutos de esperança.

Foi isto que procurei descobrir nestes dias na Amora. E encontrei muitos frutos.

Encontrei-os nas escolas e entre os jovens; em quem cuida dos idosos e dos doentes; nos profissionais da saúde; nos bombeiros e nas forças de segurança; nos trabalhadores e empresários; nas associações, no desporto e na cultura; nos voluntários; nas famílias; nos catequistas, jovens, escuteiros, Vicentinos, ministros e em tantos que servem esta comunidade discretamente, sem procurar reconhecimento.

Encontrei também desafios e feridas. A solidão, as dificuldades das famílias, a habitação e o emprego, as fragilidades sociais, a necessidade de acompanhar os jovens e de acolher e integrar quem chega de outras terras.

E aqui ganha especial significado o carisma dos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos, a quem agradeço, uma vez mais, o serviço pastoral nesta Paróquia. Nesta terra de tantas culturas, proveniências e sotaques, um dos frutos que Deus espera de nós é muito claro: que ninguém se sinta estrangeiro, que ninguém fique à porta, que todos possam encontrar uma casa e uma família.

Todos, todos, todos.

Mas o Evangelho deixa-nos também um aviso importante. Os vinhateiros esqueceram-se de que a vinha não era deles. Começaram a comportar-se como donos.

Também nós precisamos de recordar isto: a Igreja não é nossa. A paróquia não é do pároco, nem do Bispo, nem dos grupos, nem daqueles que cá estão há mais tempo. A vinha é do Senhor.

Nós somos apenas trabalhadores a quem Deus confia, por algum tempo, uma parte da sua vinha para cuidar dela e fazê-la produzir fruto.

Por isso, ninguém pode dizer: «Isto é meu». O nosso grupo, o nosso movimento, a nossa igreja, o nosso lugar. Tudo é dom. Tudo nos foi confiado para servir.

São Paulo oferece-nos então uma bela indicação para o caminho que continua depois desta Visita: «Tudo o que é verdadeiro e nobre, tudo o que é justo e puro, tudo o que é amável… é o que deveis ter no pensamento».

E acrescenta: «Ponde isto em prática».

Outra vez a mesma insistência do domingo passado: não basta falar. É preciso fazer.

A Visita Pastoral termina. Agora começa talvez a parte mais importante: pôr em prática aquilo que escutámos, rezámos e descobrimos juntos.

Continuai a sair ao encontro. Escutai os jovens. Acompanhai as famílias. Cuidai dos idosos e dos doentes. Acolhei quem chega. Procurai quem se afastou. Trabalhai juntos, sem rivalidades. E nunca deixeis Jesus fora da vinha, porque Ele é «a pedra angular».

Daqui sigo para Corroios e Vale de Milhaços, continuando este caminho pela Vigararia do Seixal. Levo a Amora comigo. E peço-vos: acompanhai-me e acompanhai as próximas comunidades com a vossa oração.

Confio-vos a Nossa Senhora do Monte Sião. Que Maria nos ensine a cuidar da vinha que Deus nos confiou e a oferecer-Lhe frutos abundantes de fé, justiça, fraternidade e amor.

No início ouvimos: «Vai trabalhar na vinha».

Hoje ouvimos: «Ide e dai fruto, e que o vosso fruto permaneça».

É esse o desafio que fica.

Obrigado, Amora! A Visita termina, mas a missão continua.

Contai comigo. Eu conto convosco. Caminhemos juntos. Todos, todos, todos.

Ámen.

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