No dia em que se procedeu à abertura do Ano Jubilar Universal na Diocese de Setúbal, o Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, anunciou que, como gesto jubilar, a Diocese de Setúbal perdoa todas as dívidas individuais que existem à diocese. O prelado anunciou esta medida no final da homilia que proferiu durante a eucaristia que encerrou a cerimónia de abertura do Ano Jubilar na diocese, na mesma altura em que pediu que todas as instituições ligadas à diocese, direta ou indiretamente, fizessem o mesmo, em casos em que tal fosse possível, não descurando a sustentabilidade financeira dessas instituições, mas dando esse sinal de misericórdia que o Papa Francisco pediu que fosse dado nesta Jubileu Universal.
Além disso, o bispo de Setúbal pediu também aos governantes que ponderem a possibilidade de, no âmbito do Jubileu Universal e dos 50 anos do 25 de abril, concer amnistia aos presos com penas mais leves e de crimes menos graves, como forma de apoiar a reinserção destas pessoas na sociedade, sem as discriminar ou ostracizar apenas em função do erro que cometeram. “Jubileu é como voltar à casa Partida, voltar ao zero”, referiu.
Na homilia, o Cardeal D. Américo Aguiar defendeu que “o jubileu tem como lema peregrinos de esperança, e queria que transportássemos a esperança, cada um de nós”. “Saber que «amanhã» tudo poderá ser diferente, mas é importante que cada um faça a sua parte”, avisou.
D. Américo Aguiar lembrou que “o ano jubilar é um ano de graça”. Por isso, disse, “que possamos passar nas nossas igrejas jubilares e sermos peregrinos, melhores pessoas e mais próximas de sermos aquilo que Deus nos pede”.
Ficam aqui as palavras de D. Américo Aguiar:
Ao terminar esta reflexão convosco, estando a diocese de Setúbal a viver um duplo ano jubilar, Ano Santo de 2025 e 50 anos da criação da diocese (1975/2025), indo ao encontro do espírito jubilar a que o Santo Padre nos exorta, anuncio o perdão de todas as dívidas pessoais à Diocese de Setúbal até à data de hoje. O mesmo peço a todas as instituições com nossa tutela direta ou indireta. Às IPSS, às Misericórdias, a todos, todos, todos, sendo económica e financeiramente possível, perdoem dividas pessoais/individuais. O mesmo farei a título pessoal e vos convido e exorto, irmãs e irmãos, mulheres e homens de boa vontade, a que perdoemos as dividas pessoais.
A bula de proclamação do Jubileu 2025 defende uma amnistia para os presos, como sinal de “esperança”, disse-nos o Papa Francisco:” Proponho aos governos que, no Ano Jubilar, tomem iniciativas que restituam esperança aos presos: formas de amnistia ou de perdão da pena, que ajudem as pessoas a recuperar a confiança em si mesmas e na sociedade; percursos de reinserção na comunidade, aos quais corresponda um compromisso concreto de cumprir as leis”. A Amnistia em torno da JMJ LISBOA 2023, ao contrário do desejado, ficou infelizmente a marcar negativamente tantas irmãs e irmãos… peço, exorto aos nossos ilustres parlamentares que possam refletir e equacionar uma AMNISTIA no contexto deste Jubileu Universal e dos 50 anos da Democracia.
A celebração teve início na igreja de S. Julião, de onde saiu uma procissão com mais de um milhar de pessoas que percorreu as ruas de Setúbal como forma de anúncio público do início deste Ano Jubilar, em direção à Sé. Depois, a celebração da eucaristia marcou o início do Jubileu. No final, cada paróquia recebeu ainda a lona jubilar que deverá colocar nas suas igrejas paroquiais, como forma de assinalar este ano de jubileu diocesano e universal.

Texto e fotos: Ricardo Perna




