A Visita Pastoral à paróquia de Nossa Senhora do Monte Sião, na Amora, terminou este domingo, 4 de outubro, com a Eucaristia de encerramento presidida pelo Cardeal D. Américo Aguiar, na Igreja dos Foros da Amora. Iniciada a 24 de setembro, a visita levou o Bispo de Setúbal a 83 movimentos, empresas, coletividades e instituições autárquicas e do Estado central, e a um contacto direto com mais de três mil pessoas: trabalhadores das empresas, utentes de lares, crianças das escolas, fiéis nas celebrações e quem o saudou na rua.
O último dia ficou marcado por três momentos. Pela manhã, D. Américo Aguiar presidiu à Missa com as crianças da catequese, na Igreja Scalabrini. Seguiu-se a Missa de encerramento, nos Foros da Amora, e, por fim, o encontro com os Conselhos Pastoral e Económico da paróquia.
Na homilia do XXVII Domingo do Tempo Comum, o Cardeal partiu da imagem da vinha, presente nas leituras, para fazer o balanço. Recordou o início da visita, quando o Evangelho pedia: «Filho, vai hoje trabalhar na vinha». Agora, disse, a Palavra coloca outra pergunta: «que frutos estamos a produzir?».

D. Américo Aguiar sublinhou que Deus «não espera uma Igreja bonita apenas por fora» nem «apenas atividades, reuniões ou estruturas». Espera frutos de justiça, fraternidade, acolhimento, cuidado, paz e esperança. E afirmou ter encontrado «muitos frutos» na Amora: nas escolas e entre os jovens, em quem cuida de idosos e doentes, nos profissionais de saúde, nos bombeiros e forças de segurança, nos trabalhadores e empresários, nas associações, no desporto, na cultura e no voluntariado. Referiu também os catequistas, os escuteiros, os Vicentinos e «tantos que servem esta comunidade discretamente, sem procurar reconhecimento».
O Bispo não ocultou o que a visita revelou de frágil. Falou de «desafios e feridas»: a solidão, as dificuldades das famílias, a habitação e o emprego, as fragilidades sociais, o acompanhamento dos jovens e o acolhimento e integração de quem chega de outras terras.

«Que ninguém se sinta estrangeiro»
Foi a propósito do acolhimento que D. Américo Aguiar evocou o carisma dos Missionários de São Carlos – Scalabrinianos, a quem está confiada a paróquia. «Nesta terra de tantas culturas, proveniências e sotaques, um dos frutos que Deus espera de nós é muito claro: que ninguém se sinta estrangeiro, que ninguém fique à porta, que todos possam encontrar uma casa e uma família», afirmou, repetindo o seu lema: «Todos, todos, todos».
O Cardeal alertou ainda para o risco de tratar a Igreja como propriedade. Os vinhateiros da parábola, lembrou, «esqueceram-se de que a vinha não era deles». E aplicou a lição à comunidade: «A paróquia não é do pároco, nem do Bispo, nem dos grupos, nem daqueles que cá estão há mais tempo. A vinha é do Senhor.»
Citando São Paulo, D. Américo Aguiar insistiu que «não basta falar. É preciso fazer». A visita termina, mas, disse, «agora começa talvez a parte mais importante: pôr em prática aquilo que escutámos, rezámos e descobrimos juntos». Deixou um programa concreto à comunidade: «Continuai a sair ao encontro. Escutai os jovens. Acompanhai as famílias. Cuidai dos idosos e dos doentes. Acolhei quem chega. Procurai quem se afastou. Trabalhai juntos, sem rivalidades.»
Mensagem: gratidão e «até breve»
Na mensagem de encerramento, divulgada também hoje, o Bispo de Setúbal manifestou «o coração cheio de gratidão» por dias «intensos de encontro, escuta, oração e proximidade». Agradeceu «cada porta aberta, cada conversa e cada gesto de carinho» e destacou o significado de ter celebrado, durante a visita, o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado. A diversidade que encontrou na Amora é, escreveu, «uma riqueza e, ao mesmo tempo, um desafio permanente».
Sobre as preocupações que leva consigo, D. Américo Aguiar admitiu que «a Igreja não pode ter resposta para tudo», mas defendeu que «tem de estar presente, escutar, cuidar e ajudar a construir pontes». Confiou a comunidade à sua padroeira, Nossa Senhora do Monte Sião, pedindo que continue a ser «uma Igreja de portas abertas, próxima das pessoas, acolhedora e missionária».

A Amora junta-se às paróquias já visitadas por D. Américo Aguiar: São Tiago de Almada, Cacilhas, Pragal, Costa da Caparica, Trafaria, Sobreda, Vila Nova de Caparica, Cova da Piedade, São José Operário do Laranjeiro/Feijó, Vale Figueira, São Francisco Xavier e Monte da Caparica. O caminho prossegue pela Vigararia do Seixal, com a visita a Corroios e Vale de Milhaços, a partir de 10 de outubro.
Despedindo-se, o Cardeal pediu que a Amora acompanhe com a sua oração as próximas comunidades e deixou uma promessa: «Não digo adeus. Digo: até breve!»
Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Ricardo Perna




