O Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, presidiu este domingo à celebração do Domingo de Ramos na Igreja de Nossa Senhora da Assunção, em Almada, numa cerimónia que marcou o início da Semana Santa. A eucaristia, que teve início com a tradicional bênção dos ramos no exterior do templo seguida de procissão até ao interior da igreja, contou com a presença de numerosos fiéis e foi transmitida em direto pela Rádio Maria.
Na sua homilia, o prelado convidou os fiéis a viverem a Semana Santa com um olhar renovado, pedindo um esforço coletivo para vivenciar cada momento como se fosse a primeira vez: “O que eu vos queria pedir, neste dia, nesta hora, nestas circunstâncias, é para fazermos um esforço por esquecer que já sabemos como tudo vai acabar”, exortou D. Américo Aguiar.
O Cardeal alertou para o risco de um certo “fastio” na vivência dos ritos da Semana Santa quando não há abertura para a esperança. “Porque já sabemos tudo, e desligamos”, referiu, incentivando os presentes a deixarem-se “levar por cada palavra, por cada leitura, por cada rito, por cada sinal”.
Na cerimónia, o Bispo de Setúbal propôs aos fiéis que vivessem intensamente os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo acompanhados por Maria. “E façamos isso acompanhados e acompanhando alguém que viveu tudo de modo muito especial e doloroso: Maria. Maria, Mãe da Esperança. Em latim, até fica bonito: Mater Spei”, destacou na sua intervenção.

Grande parte da homilia foi dedicada à figura de Maria como exemplo de esperança, confiança e entrega à vontade de Deus. D. Américo Aguiar evocou vários momentos da vida da Mãe de Jesus — desde a Anunciação até à Cruz — como testemunho de uma fé inabalável. “Esta jovem que, desde o anúncio do anjo, foi vivendo a sua vida, dando-a, consagrando-a àquilo que foi o projeto que Deus lhe propôs. Nada mais, nada menos, que ser a mãe do Filho de Deus”, afirmou o prelado.
O Cardeal recordou episódios bíblicos como o nascimento de Jesus em Belém, a fuga para o Egito, o regresso à terra natal e as bodas de Caná, onde Maria demonstrou total confiança no seu filho ao dizer aos serventes: “Fazei tudo o que Ele vos disser”.
Com particular emoção, D. Américo Aguiar descreveu o sofrimento de Maria durante a Paixão de Cristo: “O que é que vai acontecer ao seu filho? O que é que vai acontecer ao meu muito amado filho? Houve uma confusão, foi preso. […] Estão a bater-lhe, estão a castigá-lo, estão a fazer pouco dele, estão a arrastá-lo.” O prelado continuou, evocando a presença de Maria junto à Cruz, quando recebe o corpo sem vida do filho e acompanha a sua colocação no túmulo, “sempre esta expectativa de se entregar e confiar na providência de Deus. Maria, Mãe da Esperança”.

A esperança cristã no Ano Jubilar
Relacionando a mensagem com o Ano Jubilar em curso, o Bispo de Setúbal lembrou que “neste ano jubilar, em que somos peregrinos de esperança”, os cristãos são chamados a fazer caminho com Maria, “por ela, de mãos dadas, coração a coração”. “A nossa esperança não é uma filosofia, não é uma ideologia, não é uma política qualquer. A nossa esperança é uma pessoa. É Cristo. É Cristo vivo. E Maria é a Mãe de Jesus. Maria é a Mãe de Deus. Teótoco. Maria é a Mãe da Esperança”, sublinhou o Cardeal.
A celebração concluiu-se com a exortação de D. Américo Aguiar para que os fiéis possam testemunhar “a alegria da melhor notícia do mundo que podemos dar aos irmãos e às irmãs: que Cristo vive, vive verdadeiramente no coração de todos e Maria é a Mãe da Esperança”.
O Cardeal D. Américo Aguiar escolheu presidir às celebrações do Domingo de Ramos em diferentes paróquias. Depois de ter estado ontem, sábado, em duas igrejas da paróquia da Amora, hoje, domingo, ainda presidirá à celebração do Domingo de Ramos no Pinhal Novo, pelas 18h.
No que diz respeito à Semana Santa, o Bispo de Setúbal presidirá à Missa Crismal e a todas as celebrações do Tríduo Pascal na Sé de Setúbal, para no Domingo de Páscoa voltar a presidir em diferentes pontos da diocese, neste caso nas paróquias de Samouco, Alcochete e S. Julião, em Setúbal.




