Cardeal D. Américo Aguiar marca início da Quaresma com apelo à conversão e proximidade na Costa da Caparica e Trafaria

Fev 19, 2026

As comunidades da Trafaria e da Costa da Caparica iniciaram ontem o tempo da Quaresma sob o signo da proximidade e do serviço. O Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, presidiu às celebrações de Quarta-feira de Cinzas na Igreja de S. Pedro e na Igreja Matriz da Costa, momentos que marcaram o quinto dia da sua Visita Pastoral.

Perante templos repletos de fiéis, o prelado deixou orientações concretas para a vivência deste tempo litúrgico, desafiando a uma “oração mais forte” — que inclua também os momentos de alegria — e a um jejum que vá além da tradição alimentar: “Façam jejum de má língua, de falar mal dos outros, inclusive nas redes sociais”, exortou.

Sobre a esmola, D. Américo sublinhou que esta deve nascer da renúncia ao que gostamos, reforçando, como já tinha feito na sua Mensagem da Quaresma, que a partilha reverterá, este ano, para as famílias locais afetadas pelas recentes intempéries.

Um itinerário de escuta: das cinzas à realidade social e associativa

Este quinto dia de visita começou cedo com a Eucaristia na Trafaria, seguindo-se uma deslocação à Cova do Vapor. Acompanhado pela Presidente da Junta de Freguesia da Trafaria, D. Américo foi recebido pela Associação de Moradores, onde constatou os estragos provocados pelo galgar do mar e as dificuldades das habitações em situação ilegal. Após um momento de convívio para provar as típicas Bolas de Berlim locais, a visita prosseguiu no Centro Social da Trafaria, equipamento gerido pela Santa Casa da Misericórdia de Almada, onde o Bispo conheceu as diversas valências no terreno. O dia incluiu ainda passagens pelos Académicos de Pêra, pela Junta de Freguesia da Costa da Caparica — onde a Presidente Vanessa Krause sublinhou o potencial turístico e o apoio às vítimas das chuvas — e pelo comércio local.

Esta jornada deu continuidade ao intenso programa de terça-feira (Dia 4), que arrancou na Caparicamar, associação de socorros a náufragos. Ali, debateu-se a eficácia do sistema de salvamento, mas também a dificuldade no recrutamento de nadadores-salvadores e o desejo de criar uma Academia de formação. O roteiro de ontem incluiu ainda uma visita ao Regimento de Artilharia da Costa, na Trafaria (atualmente em ruínas), e à Quinta Nossa Senhora da Conceição, antigo convento do século XVI e berço dos frades capuchinhos na região.

Após um almoço de trabalho, o Cardeal visitou o Inatel, onde esteve na Capela de Santo António, e a Arribamar (IPSS da cooperativa Irmanadona). Foi neste último local que D. Américo deixou uma palavra forte sobre o acolhimento de migrantes, instando à criação de laços e ao diálogo permanente: “Se cada um se fechar na sua casa, isso vai dar asneira”. Impressionado com a dignidade precária de alguns doentes visitados, o Bispo de Setúbal apelou à união do movimento cooperativo para superar as barreiras burocráticas e financeiras: “Temos de dar as mãos e fazer de outra maneira”, concluiu, antes de encerrar o dia com a imposição das cinzas na paróquia da Costa da Caparica.

 

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