A Diocese de Setúbal já tem disponíveis os primeiros dados referentes ao Recenseamento da Prática Dominical realizado no passado mês de maio. Participaram nos censos 24.142 fiéis de toda a diocese, que mostraram diversos indicadores que podem ajudar a transformar o caminho da Igreja de Setúbal nos próximos anos.
Desde logo, a diocese tem, com estes dados, o registo de um decréscimo significativo na prática dominical, quando comparado com os números de censos anteriores. Apesar das vigararias da Caparica e Montijo conseguirem aumentar os seus números totais em relação aos censos de 1991, observou-se nos últimos anos um aumento da população que demonstra a tal diminuição em termos proporcionais da prática dominical, mas esta recuperação de número de fiéis a participar na eucaristia em relação aos dados de há 30 anos acaba por ser sinal de esperança num longo caminho que será necessário fazer. Neste mesmo sentido, as vigararias do Seixal e de Palmela/Sesimbra mantiveram praticamente os números de 1991, depois de alguns anos a subir e outros a descer, sendo que as principais descidas se verificam nas vigararias de Almada e Barreiro.
Uma das grandes novidades prende-se com o local de origem dos participantes no recenseamento, com 26% dos mesmos a terem nascido fora de Portugal. Destes, 16% nasceram num país dos PALOP (Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) e 5,9% são provenientes do Brasil, sendo que os restantes têm proveniências diversas um pouco de todo o mundo.
Os dados também mostram que o território da diocese de Setúbal foi alvo de migrações internas, com 26% dos inquiridos a declararem serem originários de Lisboa, que justificam o crescimento exponencial que o território tem tido nos últimos anos, muito ajudado pela melhoria dos acessos rodoviários e ferroviários, principalmente para quem vem de Lisboa.
Os censos mostraram também que 65% dos participantes na eucaristia eram mulheres, contra 35% de homens, uma distribuição bastante uniforme por todas as vigararias, sem grandes alterações entre elas.
No que diz respeito às habilitações académicas, assistimos a uma evolução positiva em linha com o que se passa fora deste âmbito, com apenas 4% dos fiéis a declararem não terem estudos, e 28% ter estudos superiores.
Outra das novidades tem a ver com a percentagem massiva de fiéis que tiveram alguma espécie de ensino religioso na sua vida, seja ele Educação Moral e Religiosa Católica, Catequese ou outro espaço de formação, o que atesta a importância da formação no fortalecimento do caminho na Fé.
Numa altura em que também se fala dos desafios de uma população que é muito mais móvel do que era antigamente, a verdade é que os dados recolhidos mostram que 89% dos votantes fizeram-no na paróquia que frequentam com maior frequência, o que parece indicar alguma estabilidade nas comunidades, mesmo que, efetivamente, as pessoas possam não residir no território dessa mesma paróquia.
Há muito mais para conhecer sobre a realidade da diocese de Setúbal, pelo que se convidam todos a participar este sábado, dia 30, nas Jornadas preparadas pela Comissão do Novo Mapa Diocesano, onde, para além destes e de outros dados, serão ainda apresentados o mapa diocesano atual e os trabalhos de recolha histórica que se estão a preparar, no âmbito das comemorações dos 50 anos da diocese.




