Na semana em que nos preparamos para celebrar o Jubileu Diocesano da Juventude, falamos com Vasco Gonçalves, responsável pelo Departamento Diocesano da Juventude em Setúbal, para perceber não apenas como está tudo a ser preparado para o Jubileu, mas também para conhecer um pouco mais do trabalho que a Pastoral Juvenil faz na nossa diocese.
Vasco, bem-vindo a esta pequena conversa sobre o Jubileu Diocesano da Juventude, que vamos fazer agora na próxima semana, dia 23 de novembro. Começo por te perguntar precisamente por que é que a juventude sentiu também necessidade de incluir esta celebração no Jubileu da Diocese?
Bom, os jovens são o presente e o futuro, como dizia o Papa Francisco. Mais do que o futuro são o presente, são o agora de Deus, não é? E a diocese celebra 50 anos e a juventude não podia deixar de se associar. O nosso bispo também é tão… A juventude diz-lhe muito. No fundo, é um bispo muito virado também para a juventude e quando lançou este desafio de celebração do Jubileu dos 50 anos da diocese, nós não podíamos deixar de nos associar e tendo já tido também um jubilado internacional, neste caso em Roma, 50 anos só se faz em uma vez e, portanto, a juventude também não podia deixar de estar presente.
De uma forma resumida, como é que podemos explicar o trabalho que a Pastoral Juvenil faz aqui na diocese?
A Pastoral Juvenil, no fundo, funciona aqui como um elemento agregador de tudo o que é a realidade juvenil, desde os movimentos, desde os representantes paroquiais da juventude, todos os movimentos de juventude, sejam eles das mais diversas naturezas, e permite-lhe oferecer algumas propostas, no fundo, para promover também esta comunhão diocesana entre os jovens, para perceberem que existe uma realidade além da sua paróquia, além também da sua vigararia, uma dimensão mais abrangente, que é uma comunhão diocesana e, no fundo, o Departamento da Juventude é este elemento agregador de comunhão diocesana entre os jovens.
Já estamos a dois anos da Jornada Melhor da Juventude, que marcou o país. Fala-se muitas vezes nos frutos da Jornada, mas é difícil, no curto prazo, perceber esses frutos, porque passou pouco tempo. Dois anos depois, já começamos a conseguir perceber, de facto, se há impacto ou não, se houve impacto mais duradouro daquilo que foram os frutos da Jornada na pastoral juvenil, nomeadamente aqui na nossa diocese?
Sim, agora já podemos chegar a ter alguns frutos, já podemos ter aqui uma perspectiva um bocadinho mais concreta daquilo que foi, de facto, o fruto da Jornada Mundial da Juventude e é um fruto positivo na sua essência. Isso notou-se logo também pela participação no Jubileu, que foi agora em Roma, em julho passado, onde tivemos, de facto, 500 jovens da nossa diocese e houve uma grande mobilização, fruto daquilo que foi o trabalho também da Jornada Mundial da Juventude e aquilo que se constituiu.
Além disso, houve grupos que estavam desativados e que voltaram a funcionar, houve grupos que nasceram de novo, tudo fruto da Jornada Mundial da Juventude. Temos vários exemplos que mostram que os jovens perceberam, de facto, o que é esta dimensão universal da Igreja e o pertencerem a esta dimensão maior do que, como estava a dizer, só a sua própria paróquia, só o seu grupo de jovens, só o seu agrupamento de escuteiros, perceberam que existe aqui uma comunhão muito mais universal, diocesana e mundial, neste caso, e, portanto, sentiram, sentem esta necessidade também de contactar com jovens do mundo inteiro.
E já a falarem na próxima Jornada Mundial da Juventude, já tivemos muito feedback, algum feedback mais do que aquilo que, se calhar, estávamos à espera, de malta a perguntar como é que nos vamos organizar para ir à Coreia, que, se calhar, era um horizonte muito distante, e que nós achámos que era difícil lá ir pelos custos, pela distância, mas há muitos grupos, que já nos perguntaram se nos vamos organizar, como é que nos vamos organizar, porque sentem, de facto, esta necessidade, e foi um bichinho que foi deixado pela Jornada Mundial da Juventude que eles querem alimentar e, de facto, deixou frutos.

Jovens de Setúbal em Roma, durante o Jubileu dos Jovens, após a eucaristia presidida pelo Cardeal D. Américo Aguiar.
Uma das questões que mais se ouve falar tem a ver com este pedido da Igreja de dar mais protagonismo aos jovens. De alguma forma, isto já é uma realidade aqui na Diocese?
Sim, de facto, esta é uma das nossas missões, promover este protagonismo juvenil e dos jovens em diferentes circunstâncias, nas responsabilidades que têm nas suas paróquias, nos seus movimentos. E sim, de facto, tivemos aqui jovens que passaram a assumir a liderança de alguns movimentos, ainda com jovens novos, seus 20 anos, 20 e poucos anos, muitos jovens que acabaram por assumir já a liderança de movimentos importantes aqui na Diocese.
E também, mesmo no departamento, temos jovens com 20 e poucos, alguns ali mesmo na fronteira dos 20, que também integram também as nossas equipas e que coordenam também algumas equipas. Isto acaba por ser também este protagonismo juvenil que nós também temos esta missão de lhes dar e que eles reivindicam, e bem. No fundo, pôr os dons a render, que é o serviço da Igreja, que é isso que se pretende.
A Pastoral Juvenil abrange jovens que vão desde os jovens universitários, desde os jovens que estão a começar o seu primeiro emprego, a formar a família. Para além das questões da fé, que preocupações tem a Pastoral Juvenil, ou que preocupações sente a Pastoral Juvenil, que são as preocupações destes jovens que vivem aqui momentos de vida tão diferentes?
É engraçado, há mais ou menos um mês atrás, estive em Coimbra numa formação promovida pelo Departamento Nacional, onde foi, de facto, apresentado um estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos sobre um retrato do que eram os jovens portugueses, o que é que os preocupava, quais é que eram as suas preocupações. E, de facto, nós, às vezes, enquanto Pastoral de Juventude, temos muito, se calhar, o foco das questões da fé, e, secalhar, ficamos por aí, porque achamos que fazemos parte da Igreja, mas temos que enquadrar a realidade da juventude numa realidade muito mais abrangente. Temos que perceber que estes jovens, ok, têm a sua vida de fé, o seu percurso de fé, mas têm toda uma vida de escola, profissional, com problemas comuns que, se calhar, nós não olhamos para eles da mesma forma que, secalhar, outras realidades da juventude olham e nós temos que ter esse cuidado. As questões da habitação, as questões do emprego, a questão da mobilidade.
Nós já tivemos aqui, também, com o nosso Bispo, alguns encontros, com jantares com jovens de diferentes realidades, até fora da Igreja. E, de facto, estas questões da mobilidade, da habitação, do emprego são problemas aqui na nossa diocese, os jovens vivem muito estes problemas. E, de facto, são preocupações deles, e também refletem muito este estudo que eu falava a nível nacional, são preocupações que os jovens identificam para o seu futuro e que, de facto, nós temos também que responder a estes anseios e estar atentos e promover, de facto, também algumas políticas, no bom sentido, que respondam e permitam à Igreja estar atenta a estas realidades e ser aqui, também, um pivô de interligação, não só com as questões da fé, mas com estas questões da juventude, como disse, a habitação, o emprego, a mobilidade.
Nós temos que estar atentos a isso e também chamar outros jovens fora da Igreja, também, para nos dar um bocadinho esta perspetiva. Nós temos que ter este cuidado de envolver, às vezes, outras associações ou de ter contactos com outras realidades juvenis fora da Igreja para, de facto, promover este encontro entre aqueles que são os jovens da Igreja e aqueles que são os jovens de fora da Igreja, para perceber que, de facto, as coisas casam-se.
Nessa sequência, como é que a Igreja pode acompanhar, nestas diferentes áreas que não a fé, como é que pode acompanhar e como é que pode ajudar estes jovens?
O primeiro passo, é claro, é ir ao encontro deles e ouvi-los, no fundo, promover aqui algum espaço, alguns fóruns de encontro, mais informais, como estes jantares que fizemos, que temos promovido também com o nosso Bispo.
O primeiro aspecto é ouvi-los. Depois, criar uma rede mais alargada e, a partir dela, chegar a outros jovens. Nós, por exemplo, no Jubileu Diocesano da Juventude convidámos também alguns dos grupos de jovens fora da Igreja, precisamente também para lhes dar espaço, para eles se darem a conhecer e para nós também termos aqui esta rede e começarmos a alargar esta rede de contactos e de parcerias com a realidade juvenil fora da Igreja e podermos estar atentos àquilo que é a realidade mais lata dos jovens e das suas problemáticas, das suas preocupações.
A vida de fé dos jovens mudou muito em relação ao que era nos últimos anos. Neste momento, que retrato é que é possível fazer da vida de fé dos jovens da nossa diocese?
Sim, já não é aquela rotina de casa, ao fim de semana ir para o grupo de jovens, ou pelo menos para os escuteiros. A partir dos 17, 18 anos, quando começam a entrar na faculdade, as realidades acabam por ser mais díspares e há aqui uma necessidade, se calhar, de promover respostas um bocadinho mais fora da caixa. No fundo, não podemos estar à espera que um jovem que vá para fora da diocese, estudar ou mesmo viver, possa estar sempre à espera de vir uma vez por mês à diocese para estar com o seu grupo. Temos de pensar em criar aqui algumas redes fora da diocese, algumas parcerias, para que estes jovens possam, de facto, também, pertencendo à diocese, encontrar respostas nos sítios para onde vão. E isto aqui vai ser muito a rede das parcerias com outras dioceses também, com outros departamentos de pastoral juvenil, que eu também já tive a oportunidade de falar, porque estes jovens precisam de respostas e não podemos estar à espera que eles se emancipem e que depois fiquem eternamente ligados aqui à diocese. Mas têm sempre aqui uma ligação, mas nós temos que responder de uma forma mais regular, também, criando aqui parcerias.
E depois temos também a questão das redes sociais, muito esse tipo de respostas, esse tipo de conteúdos. Temos também de dar resposta, para que os jovens possam, de facto, ter esta oportunidade, também, de não estar, assim, tão distantes da sua realidade originária, mas que possam, de facto, dar continuidade ao seu percurso de fé, não perdendo aquilo, também, que é a sua origem e as suas raízes.
Para terminar, este jubileu que vamos viver, conta-me um bocadinho o que é que vai acontecer, o que é que podemos esperar deste dia de festa?
Pronto, um jubileu é sempre uma data de festa, porque o próprio nome também é assim e, portanto, tem aqui uma componente da peregrinação, no fundo, peregrinamos na esperança, que não deixa de ser o tema ainda do ano em que estamos a viver. Faremos uma peregrinação até uma das quatro igrejas jubilares da nossa diocese, neste caso em Almada, até ao Santuário de Cristo Rei. Uma peregrinação que será dinamizada também pela Pastoral das Vocações e pelo Seminário.
Depois, de tarde, será a parte mais festiva, digamos assim, com a animação, com a mostra de talentos, como eu estava a dizer, com alguns grupos de fora da igreja. Depois, teremos aqui um testemunho, antes da Eucaristia Final, que será o encerramento, do Pe. Hugo Adanis, que é pároco na Síria, e, portanto, o Pe. Hugo virá dar o seu testemunho, também, nesta semana que estamos a viver, que é a Semana Red Week, que lembra a perseguição dos cristãos, e, portanto, para nós não nos esquecermos disso, virá dar o seu testemunho na primeira pessoa.
Depois, terminaremos com a Eucaristia presidida pelo nosso Bispo, e, portanto, fica aqui, também, o convite a todos os jovens que queiram participar e a todos os que se queiram juntar, pais, famílias, também, pelo menos, para a Eucaristia final, fica aqui o convite.

Entrevista: Ricardo Perna
Foto: Lara Franquelim Alves




