Conclusões do I Encontro dos Conselhos Pastorais Paroquiais da Diocese de Setúbal

Mar 3, 2026

 

Almada, 28 de fevereiro de 2026

 

  1. No dia 28 de fevereiro de 2026 decorreu, em Almada, no Santuário de Cristo Rei, o primeiro encontro diocesano dos Conselhos Pastorais Paroquiais, organizado pela Equipa Sinodal Diocesana de Setúbal, com o objetivo de refletir e aprofundar o caminho enquanto Igreja Diocesana Sinodal e de dar posse ao Conselho Pastoral Diocesano.

 

O Encontro reuniu mais de 250 participantes dos Conselhos Pastorais das Paróquias da Diocese de Setúbal, estando todas as vigararias representadas, contando ainda com a presença do bispo diocesano, Cardeal D. Américo Aguiar, dos vigários-gerais e dos membros da Equipa Sinodal Diocesana. Estas conclusões preliminares, aprovadas pelos participantes, serão posteriormente enriquecidas com todas as propostas que os 30 grupos “sinodais” entregaram no final do encontro.

 

  1. Na abertura do encontro, o Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, salientou a importância deste encontro, sublinhando que aqui reunidos não por estratégia humana, mas fidelidade a Cristo, interpelando os participantes com as seguintes questões: “O que diz hoje o Espírito Santo às mulheres e aos homens sadinos? Quais são os sonhos que Deus tem para cada um deles?” Fazendo memória da criação da Diocese de Setúbal, o Cardeal D. Américo Aguiar lembrou que a Diocese de Setúbal nasceu do coração do Concílio Vaticano II, pelo que somos “chamados a ser Igreja missionária, servidora e em saída”.

 

À luz do discernimento que somos chamados a fazer, enquanto Igreja Diocesana Sinodal, o Cardeal D. Américo Aguiar partilhou algumas das realidades concretas que, enquanto Bispo Diocesano, traz no coração e as quais confia à corresponsabilidade de todos os seus diocesanos, nomeadamente dos presentes neste encontro. Entre elas destacaram-se: a preocupação com a presença da Igreja nas escolas, no que diz respeito à frequência, pouca adesão de alunos e, consequentemente, a dificuldade para encontrar professores disponíveis para lecionar a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica. Sublinhou que a Escola é “um espaço privilegiado de encontro com as novas gerações, de diálogo entre fé e cultura e de proposta de sentido”, pelo que “não podemos desistir deste campo missionário”; a preocupação com a proximidade da Igreja, em especial junto dos que sofrem, de quem está doente, junto de quem morre, junto de quem vive o luto. “Somos chamados a ser Igreja samaritana que não passa ao lado da dor humana”; o último apelo lançado foi para que as Igrejas estejam abertas além dos horários das celebrações, pois “Uma Igreja aberta é sinal de um Deus acessível. É espaço de silêncio, de refúgio, de oração e de encontro para quem procura, crê ou simplesmente entra.”

 

Reconhecendo a importância da formação e capacitação dos leigos na afirmação de uma Igreja diocesana cada vez mais sinodal, o Cardeal, D. Américo Aguiar, deixou ainda o desafio para que se criem condições para alargar territorialmente o funcionamento da Escola da Fé, da qual deu graças por ser “sinal de maturidade eclesial e de sede de aprofundamento espiritual”.  Identificou ainda um défice de conhecimento e de maior proximidade e intimidade com a palavra de Deus, apelando, assim, a que se tomem iniciativas paroquiais de aprofundamento da Sagrada Escritura, pois “uma Igreja que não se alimenta da Palavra perde vigor missionário”.

 

Para terminar a sua intervenção, o Bispo Diocesano lançou para reflexão sinodal de todos os diocesanos, nomeadamente dos participantes presentes no encontro, dois desafios à luz da realidade diocesana.  Por um lado, a proposta de esboço de um novo mapa paroquial, encomendada a uma Comissão diocesana para o efeito, e que “não se trata de um exercício meramente administrativo, mas de um discernimento missionário”; por outro, a questão da sustentabilidade económica e financeira das paróquias e da Diocese, salientando que “urgem novos paradigmas de corresponsabilidade, transparência e partilha”.

 

  1. De seguida, a Augusta Delgado e o José Manuel Gouveia, da Comissão e Rede Sinodal Diocesana recordaram a cronologia do caminho já percorrido: as consultas diocesanas (2022 e 2024), a publicação do Documento Final do Sínodo (2024), as Pistas para a fase de implementação (2025) e o tempo de implementação sinodal (2025 e 2028). Apresentaram uma breve síntese do Plano de Ação para o triénio de implementação do Sínodo na Diocese de Setúbal, salientando que este está estruturado para três anos pastorais, e que se assume como uma proposta de renovação pastoral que procura formar leigos, seminaristas e clero; reforçar os órgãos de corresponsabilidade; promover o diálogo ecuménico e inter-religioso; e valorizar a presença da Igreja no espaço público.

 

Até ao momento, o percurso sinodal na Diocese de Setúbal já revela passos concretos: o reforço dos órgãos de participação (a nomeação do Conselho Pastoral Diocesano, a constituição e a valorização dos conselhos pastorais paroquiais e dos conselhos para os assuntos económicos), a reativação da Escola da Fé, a criação da Escola dos Ministérios e a constituição de uma Rede Sinodal com representantes de todas as vigararias. Apesar de algumas resistências sobressaem claros sinais de esperança: cerca de 250 formandos na Escola da Fé e na Escola dos Ministérios; a reativação do Conselho Pastoral Diocesano ao fim de 12 anos; a vitalidade da Rede Sinodal e a realização deste I Encontro dos Conselhos Pastorais Paroquiais, expressão concreta de uma Igreja que deseja caminhar unida, em participação, comunhão e missão.

 

  1. A manhã de trabalhos prosseguiu com uma palestra do Pe. Sérgio Leal, da Diocese do Porto, especialista em questões de sinodalidade. O sacerdote começou por definir sinteticamente a sinodalidade como “o modo constitutivo de ser Igreja”, o modo de viver e operar em toda a dimensão e plenitude eclesial, esclarecendo que esta “não significa nem é sinónimo de parlamentarismo”. Aprofundou a sua definição de sinodalidade interpelando os participantes com a questão “o que é que o Espírito Santo nos pede hoje, aqui e agora?”, destacando que a sinodalidade nos convoca a descobrir os caminhos da evangelização para hoje, na relação entre a palavra de Deus e a nossa vida em todas as suas dimensões. Salientou ainda a necessidade de se potenciar a diversidade dos dons e carismas para que a Igreja seja verdadeiramente Igreja sinodal que caminha junto com os homens e mulheres de hoje, com os seus anseios e alegrias, com as suas tristezas e esperança com a missão de os levar ao encontro com Cristo Vivo. “A Igreja sinodal é a Igreja da Escuta”, esta foi outra dimensão fundamental que fez questão de destacar na sua intervenção, tendo para isso interpelado os participantes com a questão: “Como é que queremos que os homens e mulheres de hoje nos escutem, se não formos capazes, enquanto Igreja de os escutar?”.

 

O Pe. Sérgio Leal, quis ainda destacar junto dos participantes que, enquanto conselheiros pastorais paroquiais, devem ter bem presente a importância da conversão pastoral, o que implica a reflexão e interpelação em torno de três questões fundamentais, a saber: “o que é que é fundamental e devemos manter? O que já se tornou acessório e temos de deixar? O que é que queremos criar de novo para melhor responder ao que o Senhor nos pede?”  Estas questões são o mote que deve nortear os conselhos pastorais paroquiais no seu processo de discernimento e tomada de decisão, salientando que “não temos de pensar igual, mas sim juntos”.

 

O presbítero destacou, ainda, a fraternidade como “a melhor e a mais fundamental descoberta da sinodalidade”, reconhecendo-nos todos como irmãos em Cristo. Saber falar com liberdade, para dizer, não o que me apetece, mas sim o que o Espírito me impele a dizer, e escutar com humildade de quem não tem a última palavra, mas de quem quer fazer caminho com o outro. Estes dois pressupostos são fundamentais para a abertura ao primado do Espírito Santo e à luz da Cruz do Senhor. Entre os pressupostos fundamentais para compreender e viver a sinodalidade, destacados pelo sacerdote, estão: igual dignidade batismal, a corresponsabilidade e a unidade na missão da Igreja. “Somos todos povo de Deus a caminho, nesta missão conjunta de levar o evangelho ao mundo de hoje, aqui e agora”.

 

Por fim, o Pe. Sérgio Leal concluiu a sua intervenção destacando o Conselho Pastoral Paroquial como parte indispensável e integrante da decisão. “A decisão toma-se não isoladamente, mas em conjunto”.  Já o discernimento diz respeito ao processo, que implica as dimensões da escuta, reflexão, decisão e ação, pelo que carece do seu tempo próprio, por contraste com o tempo acelerado que vivemos no mundo de hoje.

 

  1. Os trabalhos da manhã concluíram com a experiência do método de “Conversação no Espírito”, vivida nos 30 grupos sinodais pelos quais foram distribuídos todos os participantes. A partir da interpelação – “Como concretizar a Sinodalidade na vida das nossas comunidades?” – cada grupo foi convidado a escutar, a discernir e a propor caminhos concretos para tornar mais visível e eficaz a missão da

 

  1. O início dos trabalhos da tarde foi marcado por um momento de plenário dedicado à partilha dos frutos colhidos durante a “Conversação no Espírito”. Num ambiente de escuta atenta e comunhão, os porta-vozes dos 30 grupos sinodais apresentaram as principais intuições emergentes do discernimento realizado ao longo da manhã.

 

Entre as diversas contribuições, destacou-se como respostas mais significativas as seguintes:

  • Promoção de uma maior abertura e articulação dos diversos grupos de reflexão da Igreja, para que todos nos tornemos verdadeiros “Pescadores de Homens”, fomentando nas paróquias um espírito de comunhão mais vincado e contagiante;
  • Necessidade de cuidar do acolhimento da comunidade cristã, através de equipas paroquiais de acolhimento que concretizem a integração de quem está e quem chega de fora, e que permitam também manter as igrejas abertas em horários mais alargados;
  • Promoção de espaços e momentos de escuta, nomeadamente através do método da “Conversação no Espírito”;
  • Continuar a aprofundar a formação dos leigos, apostando na sua constante capacitação, com o alargamento territorial e aumento da abrangência das ofertas diocesanas como a Escola da Fé e a Escola para os Ministérios;
  • Ser rosto de Jesus para os de dentro e os de fora, fomentando uma cultura missionária e de Igreja em saída;

 

  1. No seguimento do programa, e para concluir o encontro, o Cardeal D. Américo Aguiar deu posse ao novo Conselho Pastoral Diocesano, da Diocese de Setúbal, para o triénio 2026-2029, cuja reativação acontece ao fim de 12 anos. Este órgão de participação e corresponsabilidade passa a ser constituído por 42 conselheiros, representativos das diversas realidades diocesanas.

 

O momento revestiu-se de particular significado, não apenas pelo simbolismo da retoma deste Conselho, mas também como expressão concreta do caminho sinodal que a Diocese deseja continuar a consolidar, fortalecendo a participação, a comunhão e a missão.

 

  1. Para concluir o I Encontro dos Conselhos Pastorais Paroquiais, o Cardeal D. Américo Aguiar deixou uma palavra final de encorajamento, reforçando o apelo à colaboração de todos na procura de caminhos concretos para algumas preocupações que traz no coração e que confia à corresponsabilidade das comunidades da Diocese de Setúbal.

 

Foi ainda expressa uma palavra de sincero agradecimento à Comissão e à Rede Sinodal Diocesana e a todos os participantes, cuja presença, disponibilidade e contributo ativo deram verdadeiro sentido a este I Encontro dos Conselhos Pastorais Paroquiais da Diocese de Setúbal. A participação empenhada de cada um revelou o desejo comum de caminhar juntos, fortalecendo a corresponsabilidade e renovando o compromisso com uma Igreja mais sinodal, próxima e missionária.

 

O encontro foi concluído com um momento de oração, confiando a Deus os trabalhos realizados, os compromissos assumidos e o caminho sinodal que continua a ser trilhado na Diocese de Setúbal. Num clima de recolhimento e esperança, os participantes colocaram nas mãos do Senhor os frutos deste dia, pedindo a graça de permanecerem fiéis ao espírito de comunhão, participação e missão, para que as comunidades se tornem cada vez mais sinal vivo de uma Igreja que caminha unida.

 

Vinde, Espírito Santo,
Alma viva da Igreja,
Sopro de Deus que renova a face da terra.
Descei sobre a Diocese de Setúbal,
sobre as suas paróquias e comunidades,
sobre os seus pastores e fiéis,
sobre as mulheres e os homens sadinos
chamados a ser Povo de Deus em caminho.

 

Vinde, Espírito de Sabedoria,
para que saibamos discernir os sonhos de Deus.

Vinde, Espírito de Conselho,
para que os nossos Conselhos Pastorais
sejam lugares de escuta, comunhão e missão.

Vinde, Espírito de Fortaleza,
para que não tenhamos medo de renovar caminhos.

Vinde, Espírito de Ciência,
para que leiamos os sinais dos tempos
à luz do Evangelho.

Vinde, Espírito de Piedade,
para que cresçamos na ternura
e no cuidado dos mais frágeis.

Acendei em nós o fogo de um novo Pentecostes.
Fazei das nossas paróquias casas abertas,
dos nossos jovens profetas de esperança,
das nossas famílias igrejas domésticas,
dos nossos pobres o centro do nosso cuidado.
Ensinai-nos a caminhar juntos,
a discernir juntos,
a sonhar juntos.
Que nada em nós resista à vossa graça.
Que nada em nós impeça os sonhos de Deus.
Sob o olhar de Santa Maria da Graça,
fazei de nós uma Igreja viva, missionária e servidora.

Vinde, Espírito Santo.
Renovai-nos.
Enviai-nos.
Conduzi-nos.

Ámen.

 

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