D. Américo Aguiar inicia Advento com Oração de Desagravo no Cemitério de Alhos Vedros

Dez 2, 2025

O bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, iniciou o tempo de Advento junto de várias comunidades da sua diocese, com destaque para a de Alhos Vedros, onde, depois dos acontecimento trágicos da passada semana, com a profanação de sepulturas no cemitério local, Sua Eminência fez questão de se deslocar para presidir à eucaristia e para proferir uma Oração de Desagravo pela Profanação de Sepulturas, classificando o ato como “violento e desumano”.

No final da Eucaristia celebrada na igreja local, o cardeal D. Américo Aguiar dirigiu-se ao cemitério com a comunidade para rezar pelos defuntos cujas campas foram vandalizadas e roubadas. “A intenção é pedirmos perdão aos irmãos que já não estão entre nós, lembrarmos as famílias destes irmãos e pedirmos juízo e perdão para quem fez algo tão violento e desumano”, explicou o bispo de Setúbal aos presentes.

Para este momento de recolhimento, D. Américo Aguiar redigiu uma ‘Oração de Desagravo pela Profanação dos cadáveres dos Nossos Irmãos Defuntos’, na qual pediu a Deus que “purifique este lugar de toda a ofensa”. “Vimos hoje com o coração ferido pela violência e profanação que atingiu os nossos irmãos defuntos”, refere o texto, que pode ser lido na íntegra no final deste artigo.

A oração apela ainda à conversão dos autores do crime: “Perdoa, Senhor, aqueles que cometeram este sacrilégio; ilumina as suas consciências e converte os seus corações”.

O cardeal invocou a “dignidade” infundida por Deus em todo o ser humano e pediu o amparo de Maria para as “famílias que choram esta ofensa”, e terminou com a benção de toda a comunidade de Alhos Vedros, que ali se deslocou com o seu bispo no final da eucaristia.

 

Neste Advento, “mais importante que os presentes, é nós fazermo-nos presentes junto dos outros”

 

Crianças acendem a vela do I Domingo de Avento na paróquia de S. Sebastião.

Crianças acendem a vela do I Domingo de Advento na paróquia de S. Sebastião.

 

No início deste tempo de Advento, o Cardeal D. Américo Aguiar presidiu à eucaristia em diferentes locais da diocese para poder estar com as comunidades locais, a quem passou o pedido de “fazer deste Advento algo único, não apenas mais um que vem a seguir ao outro”. “Nunca nenhum de nós viveu o Advento de 2025. Assim, não sabemos o que irá acontecer, e fica esse desafio de o vivermos de forma única, não como apenas mais um”.

Nas comunidades de S. Sebastião, Boa Hora, Anunciada e Senhor do Bonfim, todas em Setúbal, às comunidades de Alhos Vedros e Palmela, onde também esteve, D. Américo Aguiar exortou a que “domingo após domingo, tentemos ser melhores pessoas”. “Neste Advento, temos de anunciar Cristo Vivo aos outros, é a nossa obrigação, dar testemunho aos outros do rosto de Cristo Vivo. E quando nós descobrimos que o rosto do outro é o rosto de Cristo Vivo e é meu irmão, as coisas mudam. Porque enquanto andamos a ouvir que o outro é um obstáculo, que o outro é um problema, que o outro é uma ameaça, que o outro persegue, que o outro persegue, nós olhamos-nos para os outros e temos medo, afirmou.

A partir do Evangelho do Domingo, onde Jesus recordava Noé e os homens que, no seu tempo, nada faziam e de nada sabiam, o bispo de Setúbal pediu que os católicos de Setúbal não sejam assim nas suas vidas. “O que o Senhor nos pede é que nós não sejamos assim. Que nós tenhamos consciência do que são as alegrias e as tristezas dos irmãos com quem partilhamos os caminhos da vida”, disse, acrescentando que, “se estamos à beira de alguém que está triste, é um bocado estranho estarmos a gargalhar, e se estamos à beira de alguém que está feliz, é um bocado estranho que estejamos a chorar. Ou seja, devemos estar sensíveis àquilo que é o estado de vida daqueles que nos rodeiam. Quando é para rir, é para rir. Quando é para chorar, é para chorar. Quando é para tomar um copo, é para tomar um copo. Quando é para fazer jejum, é para fazer jejum. Portanto, sermos capazes dessa grandeza de nos associarmos à vida dos irmãos”, pediu.

Assim, concluiu, será possível “abrirmos o nosso coração à beleza, ao mistério e à grandeza que é esta preparação para o Natal”.

 

Oração de Desagravo pela Profanação dos cadáveres dos Nossos Irmãos Defuntos

Senhor Deus,
Fonte de toda a vida e esperança,
neste lugar sagrado onde repousam aqueles que nos precederam,
vimos hoje com o coração ferido pela violência e profanação
que atingiu os nossos irmãos defuntos.

Diante desta dor, elevamos a nossa súplica:

Senhor, tende piedade de nós.

Tu que és “o Deus não de mortos, mas de vivos” (Mt 22,32),
acolhe no teu abraço eterno todos aqueles cujos corpos foram ultrajados.
Reconhecemos neles o sinal da dignidade que Tu infundiste
em todo o ser humano, criado à Tua imagem e semelhança.

Perdoa, Senhor, aqueles que cometeram este sacrilégio;
ilumina as suas consciências e converte os seus corações.
Purifica este lugar de toda a ofensa
e devolve-nos a paz que vem de Ti.

Nós Te bendizemos pela fé na ressurreição,
pela esperança que não engana (Rm 5,5),
e pela certeza de que “nem a morte nem a vida
nos poderão separar do teu amor” (Rm 8,38-39).

Maria, Mãe de Misericórdia,
ampara as famílias que choram esta ofensa
e intercede por nós neste momento de prova.

Santos Anjos de Deus, guardadores dos caminhos humanos,
velai também pelo descanso dos que dormem neste cemitério.

Senhor Jesus Cristo,
que pela Tua sepultura santificaste o repouso dos nossos mortos,
acolhe esta oração de desagravo
e derrama sobre este lugar a luz da Tua paz.

Ámen.

 

Texto e fotos: Ricardo Perna

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