O Bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, participou este domingo, 1 de novembro, nas Festas de Nossa Senhora da Soledade, na Arrentela, onde presidiu à Eucaristia e à tradicional procissão, que reuniu centenas de pessoas pelas ruas da vila. A presença do prelado integrou a Visita Pastoral que está a realizar às paróquias de Arrentela, Paio Pires e Seixal.
Na celebração da Eucaristia, que coincidiu com a Solenidade de Todos os Santos, D. Américo Aguiar destacou a importância dos exemplos de santidade presentes no quotidiano das comunidades, lembrando que ser santo não significa necessariamente ter reconhecimento público, mas antes viver a vida procurando seguir o exemplo de Jesus. «Ser santo é viver a vida com toda a plenitude, pensando sempre o que é que Jesus faria, o que é que Jesus diria», afirmou, sublinhando que existem muitos homens e mulheres que, apesar de anónimos, são verdadeiros exemplos de santidade nas famílias e nas comunidades.

O Bispo de Setúbal recordou, a este propósito, a expressão do Papa Francisco sobre os «santos ao pé da porta», referindo-se às pessoas que, através de gestos simples e de uma vida dedicada aos outros, testemunham os valores cristãos.
Na homilia, D. Américo Aguiar destacou também o papel de Nossa Senhora da Soledade como presença constante nos momentos de sofrimento e de esperança. «A Senhora da Soledade coloca-se numa situação que nos ajuda de modo especial: entre a morte do seu filho e a ressurreição, entre o sofrimento e a esperança, entre o problema e a resolução, entre as lágrimas e o sorriso», afirmou.
Para o Cardeal, Maria é uma referência de amparo nos diferentes momentos da vida, constituindo «uma âncora» para quem enfrenta dificuldades, preocupações ou momentos de aflição.
O prelado aproveitou ainda a celebração para manifestar o seu reconhecimento pelo trabalho desenvolvido pelas coletividades do território, destacando a diversidade de associações ligadas ao desporto, à cultura e às atividades recreativas. «É impressionante como o nosso território tem tantas e tantas e tantas coletividades que fazem tão bem às pessoas que aqui vivem», afirmou, agradecendo também o apoio das autarquias e das restantes entidades.
Procissão como expressão de fé, gratidão e memória
Já durante a tradicional procissão em honra de Nossa Senhora da Soledade, D. Américo Aguiar evocou a memória do terramoto de 1755 e a forma como as comunidades da margem sul do Tejo mantiveram, ao longo dos séculos, uma particular devoção a Nossa Senhora, associada à proteção sentida pelas populações naquele acontecimento. «Estas procissões também são o agradecimento prolongado no tempo dos nossos antepassados», afirmou, lembrando que a manifestação pública de fé constitui uma forma de preservar a memória daqueles que viveram momentos de sofrimento e aflição.
O Bispo de Setúbal fez questão de agradecer a todos os que contribuíram para a realização da procissão deste ano, desde as coletividades às pessoas que, individualmente, se disponibilizaram para assegurar a organização.

Um dos temas centrais da pregação durante a procissão foi a necessidade de aproximar a Igreja das pessoas, sobretudo daquelas que vivem situações de maior sofrimento, solidão ou afastamento da fé. «Há tanta gente que não conhece Jesus… Tanta, tanta, tanta gente. E nós temos que ser capazes de ir ao encontro deles», afirmou D. Américo Aguiar, partilhando uma das preocupações que tem identificado ao longo da Visita Pastoral.
Para o Bispo de Setúbal, essa missão exige disponibilidade, proximidade e capacidade de acolhimento. «Temos que ser dóceis, temos que ser carinhosos, temos que ser bons», defendeu, acrescentando que os sacerdotes devem estar conscientes de que as pessoas os procuram à espera de encontrar homens de Deus, capazes de acolher os seus problemas, dificuldades e sofrimentos.
O prelado deixou também um apelo particular à atenção para com os mais novos e os mais idosos, considerando serem estas duas realidades aquelas que se encontram mais frágeis na sociedade atual. «Quem deu toda a sua vida pela comunidade, pela família e pelo país, não pode chegar à velhice e sentir-se abandonado e sozinho», afirmou, alertando para situações de isolamento que continuam a acontecer e que, na sua perspetiva, não podem ser aceites por uma comunidade cristã nem pela sociedade em geral.
D. Américo Aguiar apelou, por isso, a uma maior atenção e disponibilidade para com quem mais precisa, defendendo que ninguém deve terminar a sua vida terrena sem o acompanhamento e o cuidado da comunidade.

Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Ricardo Perna




