O Cardeal D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, concluiu este domingo a sua Visita Pastoral à paróquia da Cova da Piedade com um desafio claro à comunidade: a necessidade de uma Igreja em saída, capaz de comunicar com as novas gerações e de acolher a “fraternidade universal”. Durante a celebração, que coincidiu com o Domingo do Bom Pastor, o prelado sublinhou que a missão cristã não pode esgotar-se no interior dos templos, mas deve procurar aqueles que estão afastados da prática religiosa.
A eucaristia foi mais marcante para os 15 jovens e 33 adultos que receberam das mãos do Bispo de Setúbal o Sacramento do Crisma, e foram também os jovens a preocupação nesta mensagem final.
Na sua homilia, o Bispo de Setúbal utilizou uma linguagem direta para alertar para o fosso comunicacional entre a Igreja e os mais jovens. “Temos de ter esta preocupação: em cada tempo, saber traduzir a linguagem do tempo”, afirmou, notando que referências bíblicas tradicionais sobre a natureza são hoje estranhas para muitos. “A malta nova não está a ver o que é que a gente está a dizer. As videiras e os ramos, a figueira, os frutos… isto é tudo do hipermercado”, exemplificou com humor, apelando a um esforço de “nova evangelização” que seja inovadora nos métodos e expressões.

D. Américo Aguiar reforçou a ideia de que os cristãos devem ter a coragem de testemunhar a sua fé em ambientes não convencionais. “Nós somos chamados a ir dar testemunho de Cristo vivo fora da igreja, fora do aquário, fora do rebanho”, declarou, instando a comunidade a “ir pescar no mar aberto”, onde as dificuldades são maiores, mas a missão é mais urgente. Para o Cardeal, o outro nunca deve ser visto como um obstáculo: “Não é peso, é o meu irmão. Quando somos capazes de não entender o outro como um peso (…) uma boa parte dos problemas desaparecem imediatamente”.
Numa segunda fase do seu balanço, expressa na mensagem oficial de encerramento, o Bispo de Setúbal definiu prioridades concretas para o futuro desta comunidade da Margem Sul. Reconhecendo a vitalidade das instituições locais, como o Centro Social Paroquial Padre Ricardo Gameiro, D. Américo apontou a necessidade de consolidar a união entre os diversos polos da paróquia (Piedade, Nossa Senhora de Fátima e Santo António).

O Bispo exortou os fiéis a não perguntarem apenas o que a paróquia pode fazer por eles, mas sim “que dons e disponibilidades” podem colocar ao serviço de todos. Entre as orientações deixadas, destaca-se o incentivo ao acolhimento de novos residentes e migrantes, a promoção de uma cultura de transparência e a urgência de “rejuvenescer as estruturas”, dando mais espaço e responsabilidade aos jovens na gestão e na vida litúrgica da comunidade.
D. Américo Aguiar terminou a sua intervenção com um agradecimento pela “fraternidade e generosidade de sorrisos” que encontrou durante a visita, deixando o desejo de que este momento não seja um ponto final, mas o início de uma renovada dinâmica paroquial.
Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Ricardo Perna




