D. Manuel Martins: uma luz que a Diocese de Setúbal não vai deixar apagar

Out 24, 2026

 

A Fundação D. Manuel Martins apresentou este sábado, nos Passos do Concelho de Setúbal, o livro «Faça-se Luz», numa sessão que encheu o Salão Nobre da Câmara Municipal. A obra evoca a vida e o legado do primeiro bispo de Setúbal, cuja intervenção religiosa, social e cívica marcou profundamente a região, e abre caminho às comemorações do centenário do seu nascimento, que se assinala em 2027.

Na sua intervenção, o cardeal D. Américo Aguiar, bispo de Setúbal, destacou a importância de preservar a memória de D. Manuel Martins e de transmitir o seu testemunho às novas gerações. O responsável alertou para o risco de figuras marcantes se tornarem referências distantes quando desaparecem aqueles que as conheceram e acompanharam diretamente. «Temos duas hipóteses: acelerarmos o processo e deixarmos que as coisas aconteçam, ou sermos teimosos, resilientes, e fazermos tudo por tudo para alicerçar e fortalecer o legado, a pessoa, a presença e o testemunho», afirmou.

D. Américo Aguiar agradeceu o trabalho da Fundação, em particular do Pe. Casimiro Henriques e de António Melo, responsável pela concretização da obra, sublinhando a necessidade de mobilizar instituições e comunidades para manter viva a memória do primeiro bispo diocesano.

 

O centenário do nascimento, em 2027, será assinalado com diversas iniciativas, entre as quais a inauguração, a 20 de janeiro, de um espaço de memória dedicado a D. Manuel Martins na Catedral de Setúbal. Para o bispo, estas ações são fundamentais para que o seu legado continue a inspirar a sociedade. «Nesta vida tudo é frágil: a liberdade é frágil, a fraternidade é frágil, tudo é frágil», recordou, apelando ao esforço conjunto para preservar os valores que marcaram a ação do primeiro bispo.

 

Um diálogo entre a fé, a cultura e a arte

O Pe. Casimiro Henriques, presidente da Fundação D. Manuel Martins, explicou que o livro nasceu da vontade de prolongar a exposição «Faça-se Luz», promovida no contexto das comemorações dos 50 anos da Diocese de Setúbal. A iniciativa reuniu mais de 30 artistas, entre pintores, escultores, músicos e fotógrafos, que criaram obras inspiradas na história e na identidade da diocese.

A publicação reúne essas criações e textos de reflexão, permitindo aprofundar o diálogo entre a fé, a cultura e a arte. «O livro permite que essa experiência continue, que as obras sejam revisitadas e que cada leitor encontre nelas novos sentidos», afirmou o sacerdote.

 

Além das obras artísticas, o livro inclui documentos históricos, como as bulas da criação da diocese, da nomeação do primeiro bispo e da escolha de Santa Maria da Graça como padroeira, bem como peças ligadas a D. Manuel Martins, entre as quais o anel da ordenação, a cruz peitoral, os paramentos e a mitra.

Para o presidente da Fundação, preservar esta memória significa também manter vivos os princípios que orientaram a ação de D. Manuel Martins, nomeadamente a defesa da dignidade humana e a atenção aos mais vulneráveis. A luz evocada no título representa, assim, a capacidade de olhar a realidade com verdade e de encontrar caminhos de esperança.

 

Programa comemorativo ao longo de 2027

António Melo, responsável pela concretização do livro, anunciou que a Fundação pretende desenvolver um programa alargado de comemoração do centenário, incluindo uma exposição itinerante, colóquios, jornadas de reflexão e iniciativas de poesia, teatro, música e celebração religiosa, em colaboração com autarquias, instituições e agentes culturais.

Na sessão foi também recordado o professor Eugénio Fonseca, colaborador próximo de D. Manuel Martins e membro da administração da Fundação, pelo contributo que deu à concretização de iniciativas sociais e à preservação do seu legado.

A presidente em exercício da Câmara Municipal de Setúbal, Maria do Carmo Tiago, salientou, por sua vez, a dimensão ética e cívica do primeiro bispo, cuja intervenção ultrapassou o âmbito da Igreja. Recordou a sua denúncia da pobreza, a defesa dos mais vulneráveis e o empenho numa sociedade mais justa.

«O progresso de um território não se mede apenas pelas obras que realiza, mas também pela forma como acolhe, protege e cria oportunidades para quem nele vive», afirmou.

Com a publicação de «Faça-se Luz», a Fundação D. Manuel Martins pretende fazer do centenário uma oportunidade para renovar compromissos e transmitir às novas gerações o exemplo de um homem que colocou a dignidade humana no centro da sua ação. Um legado que, como ficou patente nas intervenções, permanece atual e desafia a comunidade a construir uma sociedade mais solidária e atenta aos que mais precisam.

 

Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Ricardo Perna

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