Animadas pelo espírito de São João Batista Scalabrini, cujo túmulo visitámos em Piacenza, chegámos a Roma para participar no jubileu dos migrantes. Um grupo de paroquianas de Amora juntou -se à comitiva da Obra Católica Portuguesa composta por 18 pessoas. O programa iniciou-se com a audiência com o Papa Leão XIV, na praça de São Pedro, no sábado de manhã. Após a emoção de ver o Papa passar mesmo à nossa frente , escutamos as suas palavras que nos alertaram que como cristãos temos de ser responsáveis pelas nossas ações, salientando que “a terra pertence a todos” e devemos trabalhar para “uma Igreja que serve Deus e os pobres ” . Lembrou-nos o exemplo de São Francisco e Santa Clara de Assis, que escolheram a pobreza evangélica, assumindo corajosamente as consequências dessa decisão.
O Papa dirigindo-se aos peregrinos de língua portuguesa exortou-nos a “atravessar a porta santa escolhendo uma vida pobre, justa, misericordiosa e feliz”.
No período da tarde fizemos a peregrinação até à Porta Santa. Foi um caminho de oração pessoal mas também de comunhão com todos os migrantes que, apesar das tribulações, dão testemunho de verdadeiros peregrinos da esperança.
O Domingo começou chuvoso mas isso não impediu que a praça de São Pedro ficasse repleta com cerca de 40 mil fiéis. Durante a homilia, o Papa Leão, lembrando que estávamos reunidos para a celebração do jubileu do mundo missionário e dos migrantes, afirmou que “toda a Igreja é missionária e – como afirmou o Papa Francisco – é urgente que «saia para anunciar o Evangelho a todos, em todos os lugares, em todas as ocasiões, sem demora, sem repugnâncias e sem medo» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 23)”. Tocou-me profundamente quando o Papa realçou a importância dos leigos , “os crentes e as pessoas de boa vontade que trabalham ao serviço dos migrantes e na promoção de uma nova cultura de fraternidade em torno do tema da migração, para além de estereótipos e preconceitos.”, sendo que cada um , servindo de acordo com as suas possibilidades , contribui grandemente para a dimensão missionária da Igreja. Dirigindo-se aos migrantes disse “sede sempre bem-vindos! Os mares e os desertos que atravessastes são, nas Escrituras, “lugares de salvação”, onde Deus se fez presente para salvar o seu povo. Espero que descubrais este rosto de Deus nas missionárias e nos missionários que encontrareis!”.
De tarde , nos jardins do Castelo Saint’Angelo, o clima foi de verdadeira alegria e comunhao na Festa dos Povos. Grupos de diversas nacionalidades apresentaram músicas e danças , mostrando o quão a diversidade é uma graça de Deus.
Tânia Moreira
Coordenadora do Secretariado Diocesano da Pastoral das Migrações







