Diocese de Setúbal realiza peregrinação diocesana a Santarém

Mar 20, 2025

 

No último dia 19 de março, dia em que a Igreja celebra a Solenidade de S. José, a nossa Diocese de Setúbal rumou até Santarém para juntas celebrarem o dia do Padroeiro da cidade.

Esta peregrinação decorreu no âmbito das comemorações dos seus Jubileus Diocesanos de ambas as Dioceses e iniciou-se com a celebração da eucaristia, que foi presidida pelo bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar.

Na sua homília, o nosso bispo recordou a importância de, nestes jubileus, recordarmos as nossas raízes, aqueles que nos precederam: “Sermos capazes de ter consciência que nós não caímos não sei de onde e aparecemos aqui. Nós somos um pequenino hélio, uma pequenina conta numa história. Somos povo de Deus e sentimo-nos mais ou menos ligados uns aos outros. E que bonito que é que duas Dioceses irmãs gémeas possam materializar esta ligação, desta maneira, tão bonita e tão fraterna”.

Também na sua homília, Cardeal D. Américo Aguiar, relembra São José como “o homem do silêncio”, refletindo sobre a nossa própria necessidade de dar importância ao silêncio: “(…) nos tempos que vivemos, Sr. Presidente de Câmara e todos os eleitos que aqui estão, nos tempos que vivemos, é muito importante darmos tempo de antena ao silêncio. Porque fala-se tanto, diz-se tanto, acusamo-nos tanto, magoamo-nos tanto (…). E, por isso, nós temos de ser capazes de nos esquecermos do nosso próprio caminho e darmos tempo na antena ao silêncio. Para conseguirmos ouvir aquilo que Deus tem para nos dizer, de tantas maneiras”.

 

Ainda sobre esta importância de escutarmos o outro, o nosso Bispo recorda a sua nota episcopal sobre a participação política publicada no dia 19 de março: “Por isso, José, o nosso querido São José, pode-nos ajudar tanto nestes tempos de tanto ruído que nós vivemos. (…) A verdade e a mentira já não interessam nada, é relativo. O que interessa é aquele que tem a expressão mais feliz e aquela que faz mais barulho ou que tem mais likes. (…) Ora, a verdade e a mentira, coitadinhas, cada uma delas, estão também sempre muito mal tratadas. A mentira, normalmente, tem saído melhor, aquilo que significa os likes, porque é mais escandalosa e, portanto, tem sempre mais possibilidades de se impor. E cá estou eu a esquecer do silêncio. Ou seja, daquilo que significa, para a vida de cada um de nós, para a vida da nossa igreja, das nossas instituições, essa capacidade de nos pormos à escuta”.

Já no final da homília, e ainda sobre as eleições, o bispo sadino reitera o pedido para que o debate de ideias seja esclarecedor e pede aos eleitores: “Ouçamos o que é que eles têm para dizer. Ouçamos o que é que cada um tem de propostas. (…) O que é que os candidatos têm a dizer? Nós, às vezes, não ouvimos. E votamos naquele que é “simpático”. (…) Sermos capazes de ouvir, de escutar, de fazer silêncio. Para que o outro possa falar. Para que o outro possa partilhar, para que os gritos que andam lá por dentro possam ser audíveis”.

Após a celebração da Eucaristia os fiéis e padres da Diocese de Setúbal tiveram igualmente a oportunidade de realizar uma visita guiada ao museu diocesano de Santarém.

No dia 28 de junho será a vez da nossa Diocese receber os fiéis de Santarém que irão peregrinar ao Santuário do Cristo Rei para mais uma vez podermos celebrar este ano tão significativo para ambas as Dioceses e para a Igreja no geral.

 

Artigo: Lara Franquelim Alves
Fotografias: Ricardo Perna

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