“Encerrar não é terminar, é relançar”: Cardeal D. Américo desafia comunidades a recomeçar no encerramento da Visita Pastoral

Mar 22, 2026

 

O Bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, encerrou este domingo a Visita Pastoral às paróquias da Sobreda e de Vila Nova de Caparica com uma Eucaristia na Igreja da Sagrada Família, marcada pela celebração do V Domingo da Quaresma e pela administração do sacramento do Crisma a três jovens da comunidade.

Numa homilia centrada na força transformadora do encontro com Cristo, o bispo de Setúbal sublinhou que a fé não é uma ideia abstrata, mas uma relação viva: “Jesus diz: ‘Eu sou a ressurreição e a vida’. Não estamos diante de uma ideia, mas de uma Pessoa. De Alguém que entra na nossa vida concreta.”

Inspirando-se no Evangelho da ressurreição de Lázaro, destacou a proximidade de Deus à realidade humana: “Um Deus que se aproxima, que escuta, que se comove, que chora. Um Deus que não fica de fora.” Foi, aliás, essa atitude que procurou viver ao longo dos dias de visita: “Estar, escutar, encontrar, aprender.”

Fazendo um balanço dos dias vividos, D. Américo Aguiar afirmou ter encontrado comunidades marcadas pela vitalidade da fé: “Há muita vida nestas comunidades. Há fé. Há dedicação. Há serviço. Há esperança, mesmo no meio das fragilidades.”

A homilia ganhou depois um tom mais exigente, a partir da palavra de Jesus: “Lázaro, vem para fora!” — um apelo que dirigiu a todos os fiéis. “Todos nós temos coisas que nos prendem: medos, cansaços, desilusões, comodismos… E o Senhor diz-nos hoje: não fiques fechado. Sai. Levanta-te. Recomeça.”

Dirigindo-se de forma particular aos três jovens crismandos, destacou o significado do sacramento como envio e compromisso: “O Espírito Santo que ides receber não é um ‘acréscimo’ à vossa vida. É força. É luz. É envio.” E acrescentou: “A Igreja não precisa de jovens perfeitos. Precisa de jovens disponíveis.”

Num apelo direto, reforçou: “Hoje Deus diz-vos: ‘Eu conto contigo’”, desafiando-os a viver uma fé ativa, comprometida e aberta ao serviço.

Alargando a mensagem a toda a comunidade, o cardeal sublinhou que a Visita Pastoral não deve ser vista como um momento isolado: “Foi um sinal. Um convite. Um apelo a dar mais um passo.” Enquadrando este caminho no tempo litúrgico da Quaresma, recordou que este é um tempo de regresso ao essencial: “Não é um tempo para ficarmos tristes. É um tempo para voltarmos ao essencial.”

O facto de o encerramento acontecer na Igreja da Sagrada Família foi também destacado como simbólico: “A fé vive-se assim: no concreto da vida familiar, no dia a dia, nas relações, nas alegrias e nas dificuldades.” Apontando a Sagrada Família como modelo, evocou uma fé “simples, fiel e silenciosa, que sustenta tudo”.

A concluir, deixou uma das ideias-chave de toda a celebração: “Encerrar não é terminar. É relançar.” E reforçou o compromisso partilhado: “O que vivemos não fica aqui. Continua. […] A Igreja conta convosco. Deus conta convosco. E vós… contai com Deus. Sempre.”

No final da celebração, a visita teve o seu fim mais informal com um almoço partilhado com toda a comunidade e o seu bispo.

Uma visita marcada pelo encontro, pela escuta e pela esperança

Na mensagem final da Visita Pastoral, o D. Américo Aguiar sintetizou os dias vividos com uma expressão simples: “Graças a Deus!”

Ao longo de uma semana intensa, entre 14 e 22 de março, o bispo destacou a riqueza dos encontros realizados nas paróquias da Sobreda e de Vila Nova de Caparica, sublinhando o contacto com “celebrações, encontros com os diversos grupos, visitas às escolas, instituições, associações, realidades sociais, económicas e culturais”.

O balanço é claramente positivo: “Pude reconhecer comunidades vivas, dinâmicas e profundamente comprometidas”, afirmou, valorizando o trabalho desenvolvido em diferentes áreas da vida pastoral e social.

Uma palavra particular foi dirigida ao pároco, Pe. José Carlos Eugénio, elogiando o seu “cuidado pastoral generoso, próximo e dedicado”, e a todos os agentes envolvidos na vida das comunidades. “Cada gesto, cada serviço, muitas vezes discreto e silencioso, constrói esta Igreja concreta que aqui vive e testemunha o Evangelho”, sublinhou.

O agradecimento estendeu-se também às instituições locais, escolas, associações e entidades públicas, incluindo a Câmara Municipal de Almada e as juntas de freguesia, reconhecendo a colaboração e o compromisso com o bem comum.

Recordando que a visita decorreu em pleno tempo da Quaresma e foi marcada pela celebração da solenidade de São José, destacou o valor deste tempo como apelo à conversão, à simplicidade e à renovação da esperança.

D. Américo garantiu ainda que leva consigo “as alegrias, as preocupações e os desafios” destas comunidades para o coração da Diocese de Setúbal, confiando-os à oração e ao discernimento pastoral.

Numa perspetiva mais ampla, lembrou também as restantes paróquias já visitadas — São Tiago de Almada, Cacilhas, Pragal, Costa da Caparica e Trafaria — sublinhando a unidade da Igreja: “Somos uma só Igreja, chamada a caminhar unida.”

A encerrar, retomou a ideia já deixada na homilia: “Encerrar uma Visita Pastoral não é terminar, mas relançar”, confiando as comunidades à proteção dos seus padroeiros e renovando o compromisso de proximidade: “Contai comigo. Eu conto convosco. Caminhemos juntos.”

 

Texto e fotos: Ricardo Perna

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