“Fomos feitos para sermos felizes, para sermos santos”

Nov 1, 2024

O bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, esteve esta manhã a presidir à eucaristia na paróquia da Quinta do Anjo. No dia em que a Igreja assinala a festa de Todos os Santos, D. Américo Aguiar assegurou aos presentes que a santidade não é um ideal de perfeição, mas sim algo que nos leva à nossa felicidade. “Fomos feitos para sermos felizes, para sermos santos”, afirmou o prelado na homilia.

Ainda na homilia, D. Américo Aguiar procurou desmistificar a ideia de que os santos são pessoas perfeitas, um ideal difícil de atingir. “Ser santo é viver a vida toda, todas as circunstâncias que a vida nos coloca, com a idade que temos, sermos jovens ou jovens há mais tempo, de sermos solteiros ou casados, de termos estas responsabilidades ou outras, de sermos sacerdotes ou não, sermos ricos ou pobres, saudáveis ou doentes, escuteiros ou acólitos, do coro ou das instituições cívicas e civis, e fazermos tudo com empenho, com dedicação, de fazer bem, tendo consciência que às vezes corre mal, termos consciência que às vezes fazemos mal. Isto é o caminho da santidade”, resumiu.

A vida de santidade não tem, por isso, de ser uma vida de perfeição. “O nosso querido Papa Francisco está sempre a dizer, e ouçam com atenção, não há santos sem passado, nem pecadores sem futuro. Nós às vezes não estamos muito certos nisto”, alertou, acrescentando que as pessoas “têm que ter direito a uma segunda oportunidade, a uma terceira, a uma quarta, a uma quinta, senão muitos de nós, onde é que nós estávamos? Se os nossos pais, se a nossa família, se as instituições, se a escola, se tantas coisas a que pertencemos, não tenham em relação a nós misericórdia e alguma folga, para que nós possamos aprender com os erros, aprender com as falhas”.

O que define a santidade é, portanto, “a capacidade de corresponder de uma maneira especial” às “circunstâncias da vida e às provações”. Por isso, “a Igreja diz-nos que há muitíssimos mais homens e mulheres que foram efetivamente santos na vida, mas que não foram canonizados”. “Há muitos homens e mulheres que foram santos, mas que não estão na lista oficial. E por isso é que, cada um de nós que aqui está, se pensar um bocadinho, se calhar, na sua vida, na sua família, na sua terra, na sua história, conheceu homens e mulheres que foram santos. Que deram a sua vida na totalidade, que se esforçaram pelos outros, que sacrificaram as suas vidas totalmente pela família, pelo trabalho, pela comunidade, não eram propriamente pessoas de andar todos os dias na Igreja, nem todos os dias a rezar aqui e ali, nem visivelmente a fazer isso, mas que foram santos”, defendeu.

Ser santo é, nas palavras de D. Américo, “fazer esse esforço em cada momento, de tomar uma decisão, ter uma palavra, ter um gesto, que seria a presença de Jesus, junto dos irmãos e das irmãs”, e lembrou todos os que, no mundo, mais precisam de ajuda, com destaque para a comunidade de Valência, em Espanha, mas para todos os lugares do mundo onde há conflitos.

O Evangelho do dia foi a leitura das Bem-Aventuranças, que o bispo de Setúbal afirma serem situações pelas quais todos passam “em diferentes momentos da nossa vida”. “Que nós sejamos capazes de encarar o dia-a-dia da nossa vida com esta radicalidade da felicidade. Sermos capazes de olhar para a adversidade, para os problemas, para as dificuldades, para os sofrimentos, não, enfim, não tendo consciência do que isso significa, de provação, de dificuldade, de obstáculo, mas tendo consciência que somos povo de Deus e que juntos somos capazes de ultrapassar e de vencer as adversidades que o Senhor nos coloca”, pediu.

No final, o bispo de Setúbal ainda entregou as insígnias aos guias e sub-guias que fizeram a sua investidura no agrupamento da Quinta do Anjo e relembrou a Semana dos Seminários que se inicia no próximo domingo. “Pedimos a todos os santos que intercedam junto de Deus, para que algum destes jovens possa equacionar um dia destes ter uma experiência de seminário para ver se Deus os chama a ser, também, um dos seus pastores de servir as nossas comunidades”, concluiu.

 

Fotos e texto: Ricardo Perna

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