Homilia no Dia de Santo António, na Igreja de Santo António na Via Merulana

Jun 13, 2025

Caros Irmãos e Irmãs,

Sinto-me muito honrado por iniciar, com esta celebração, o exigente dia da presente Solenidade de Santo António, o Padroeiro desta Basílica que o Papa Francisco quis confiar-me como Igreja titular.

Uma saudação cordial a cada um de vós, da Comunidade Franciscana, com os seus Superiores e irmãos, e a cada um de vós que participais nesta celebração matinal.

Sobre as leituras que acabámos de ouvir, gostaria de me deter em três expressões que a liturgia de hoje nos propõe: rezar, ir e testemunhar.

Na primeira leitura, retirada do Livro da Sabedoria, ouvimos: “Rezei e foi-me concedida a prudência, supliquei e veio a mim o espírito de sabedoria” (Sab 7, 7). Como sabemos, a prudência e a sabedoria são dons do Espírito Santo, oferecidos pelo Senhor ressuscitado aos Seus Apóstolos e a cada discípulo ao longo dos séculos. Mas Jesus quer que cada um de nós peça estes dons. Quer, de certo modo, tornar-nos participantes dos seus tesouros. A oração é, então, o modo de participar na vida de Deus. O nosso Santo António, de Pádua, mas DE Lisboa, dizia num dos seus sermões: «A alma que reza é como um peixe na água: encontra o seu ambiente natural.» Também nós, hoje, nestas circunstâncias, sentimos a necessidade de rezar a Deus pelas tantas intenções e necessidades que trazemos no coração: pelos doentes, por aqueles que se encontram em necessidade, por aqueles que se encontram longe de Deus. Com a nossa oração, podem realizar-se as palavras da oração colecta de hoje: com Santo António como nosso intercessor, pedimos para experimentar na prova o socorro da misericórdia do Senhor.

No Evangelho, ouvimos as palavras claras de Jesus: “Ide por todo o mundo e proclamai o Evangelho a toda a criatura”. Este é, provavelmente, o resumo mais belo da vida de Santo António. Sabemos como deixou a sua nação de nascimento para chegar a Itália, após muitas vicissitudes e aventuras. Ir é o contrário de estar parado. O Senhor quer-nos vivos, activos, não parados. Ir é obedecer ao comando de Jesus: é tomar a iniciativa de levar o Evangelho. São atribuídas ao nosso Santo de hoje as seguintes palavras: «Cristo, que é a tua vida, esteja sempre nos teus lábios. A tua missão é levá-lo ao mundo.» Convido-vos, no limiar também do apelo que o Papa Leão dirigiu frequentemente nestas suas primeiras semanas de ministério petrino, a renovar o nosso espírito missionário nas circunstâncias em que nos encontramos: na família, no trabalho, entre os nossos amigos e entre aqueles que se encontram para além das fronteiras visíveis da nossa fé, à semelhança do que fez Santo António.

Testemunhar, a terceira expressão sobre a qual gostaria de me deter, é a necessidade que nasce do facto de sentirmos o Senhor próximo de nós. Como diz o Evangelho, o Senhor agia juntamente com os discípulos, porque estes procuravam transmitir, não um conhecimento particular, mas a própria Palavra do Senhor. E esta Palavra transforma a vida dos discípulos. O testemunho que Jesus nos pede é o de tornar a nossa vida semelhante à Sua vida, de tornar amável a Sua Palavra e procurar tornar inteligível, aos homens e mulheres do nosso tempo, quanto Deus nos ensina. São de Santo António as seguintes palavras: «Quem está cheio do Espírito Santo fala diversas línguas. As diversas línguas são os vários testemunhos que devemos dar a Deus, isto é, humildade, pobreza, paciência, obediência… Quando falas estas línguas, falas a língua de Deus.»

Santo António foi insigne no falar a língua de Deus. Convido-vos, caros irmãos e irmãs, a recorrer com confiança e esperança à contínua intercessão junto de Deus do Padroeiro que hoje celebramos, com renovado empenho missionário e renovada esperança.

Que o Senhor vos abençoe.

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