Queridos irmãos e irmãs,
Queridos jovens que hoje ides receber o Sacramento do Crisma,
Chegamos ao final desta Visita Pastoral com o coração cheio: cheio de encontros, de rostos, de histórias, de vida partilhada. E a Palavra de Deus que hoje escutámos ajuda-nos a perceber o que verdadeiramente aconteceu nestes dias.
Jesus diz: «Eu sou a ressurreição e a vida». Não diz: “Eu explico”, “eu ensino”, “eu proponho”. Diz: “Eu sou”. Ou seja, não estamos diante de uma ideia, mas de uma Pessoa. De Alguém que entra na nossa vida concreta.
O Evangelho mostra-nos um Jesus que se aproxima, que escuta, que se comove, que chora. Um Deus que não fica de fora. Um Deus que não resolve tudo à distância. Um Deus que se envolve.
Foi isso que procurei viver convosco nestes dias: estar, escutar, encontrar, aprender. E posso dizer-vos, com simplicidade: há muita vida nestas comunidades. Há fé. Há dedicação. Há serviço. Há esperança, mesmo no meio das fragilidades.
Mas a Palavra de hoje vai mais longe. Jesus não fica apenas na proximidade. Ele chama: «Lázaro, vem para fora!»
É uma Palavra exigente. Porque todos nós, de alguma forma, temos coisas que nos prendem: medos, cansaços, desilusões, comodismos, rotinas… E o Senhor diz-nos hoje: não fiques fechado. Sai. Levanta-te. Recomeça.
Queridos jovens, que hoje ides receber o Crisma: esta Palavra é muito para vós.
O Espírito Santo que ides receber não é um “acréscimo” à vossa vida. É força. É luz. É envio. Não é para guardardes — é para viverdes. Não é para ficardes iguais — é para crescerdes.
A Igreja não precisa de jovens perfeitos. Precisa de jovens disponíveis. Disponíveis para escutar, para servir, para acreditar, para não desistir. E hoje Deus diz-vos, com confiança: “Eu conto contigo”.
Mas esta Palavra é também para todos nós: famílias, catequistas, agentes pastorais, comunidade inteira. Esta Visita Pastoral não foi um momento isolado. Foi um sinal. Um convite. Um apelo a dar mais um passo.
Estamos em caminho quaresmal. Celebrámos juntos o IV e agora o V Domingo da Quaresma. Vivemos também a graça da Solenidade de São José, que nos lembra a fé concreta, silenciosa e fiel do quotidiano. E aproximamo-nos da Páscoa.
A Quaresma não é um tempo para ficarmos tristes. É um tempo para voltarmos ao essencial. Para limparmos o que não é necessário. Para recentrarmos a vida em Deus e nos irmãos.
Encerrar esta Visita Pastoral, aqui, na igreja da Sagrada Família, é muito significativo. Porque a fé vive-se assim: no concreto da vida familiar, no dia a dia, nas relações, nas alegrias e nas dificuldades.
A Sagrada Família ensina-nos isso: simplicidade, confiança, fidelidade. Uma fé que não faz barulho, mas que sustenta tudo.
Queridos irmãos e irmãs, encerrar não é terminar, é relançar. O que vivemos não fica aqui. Continua. Continua nas vossas casas, nas vossas comunidades, nas vossas escolhas.
Conto convosco. A Igreja conta convosco. Deus conta convosco.
E vós… contai com Deus. Sempre.
† Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal
V Domingo da Quaresma, 22 de março de 2026




