Entre os dias 24 e 26 de outubro, Roma acolheu o Jubileu das Equipas Sinodais e Organismos de Participação, um encontro marcado por oração, escuta e partilha, que reuniu delegações de todo o mundo. O evento terminou com a Eucaristia presidida pelo Santo Padre, que, na homilia, convidou todos a “contemplar e redescobrir o mistério da Igreja”, sinal visível da união entre Deus e a humanidade.
No coração da celebração jubilar, o Papa Leão XIV deixou palavras que se tornaram referência para todos os participantes: “A regra suprema na Igreja é o amor: ninguém é chamado a comandar, todos são chamados a servir; ninguém deve impor as próprias ideias, todos devemos ouvir-nos reciprocamente; ninguém é excluído, todos somos chamados a participar; ninguém possui toda a verdade, todos devemos procurá-la juntos e humildemente. Com esta mensagem, o Santo Padre voltou a sublinhar que ser Igreja sinodal não é possuir a verdade, mas procurá-la juntos, guiados por um coração inquieto e humilde.
Os dias jubilares foram marcados por momentos intensos de espiritualidade e trabalho. A peregrinação jubilar e a passagem pela Porta Santa abriram o encontro com um gesto de profunda comunhão. Seguiu-se a reflexão em pequenos grupos linguísticos sobre o tema “O intercâmbio de dons entre as Igrejas”, utilizando o método da conversação no Espírito, que permitiu escutar experiências diversas e partilhar perguntas surgidas ao longo do caminho sinodal.
Durante os dias seguintes, os participantes puderam ainda aprofundar o processo de discernimento em seminários temáticos, dedicados a temas como “Sinodalidade reconciliadora”, “O papel e a responsabilidade das mulheres na Igreja sinodal” ou “Dar forma à missão através do discernimento e da corresponsabilidade”. As jornadas culminaram numa Vigília Mariana, que reuniu todos num mesmo espírito de oração e esperança.
Da nossa diocese, Augusta Delgado, o Pe. José Pinheiro e a Ir. Irene Guia representaram a equipa sinodal diocesana. “Este é um tempo de encontros e reencontros com participantes do mundo inteiro, aguardando com entusiasmo e crescente expectativa o momento de escutarmos as palavras do sucessor de Pedro”, partilhou Augusta Delgado. “Aguardamos que nos confirme neste novo modo de ser Igreja sinodal.”
Segundo o comunicado final da Secretaria Geral do Sínodo, o Jubileu foi avaliado como “uma experiência profundamente frutífera”, pela riqueza espiritual e pela metodologia participativa que alternou momentos em plenário e trabalhos em grupo. O Conselho do Sínodo, reunido após o evento, destacou a importância da formação para a espiritualidade sinodal, da ligação entre a escuta do Povo de Deus e o discernimento pastoral, e da acolhida das diferentes culturas. Entre as prioridades futuras, sublinhou-se ainda a formação de padres e diáconos, a partilha de boas práticas e o aprofundamento teológico da sinodalidade, com vista à Assembleia Eclesial de 2028.
Como afirmou o Papa na celebração de encerramento, “na Igreja, antes de qualquer diferença, somos chamados a caminhar juntos em busca de Deus, para nos revestirmos dos sentimentos de Cristo”. Um convite que ecoa agora nas dioceses de todo o mundo, como apelo à comunhão, à escuta e ao serviço mútuo — sinais vivos de uma Igreja verdadeiramente sinodal.




