Jubileu do Mundo Educativo – Peregrinação na Esperança

Nov 4, 2025

 

O Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC) proporcionou a 46 educadores, oriundos das vinte dioceses de Portugal e ilhas, a participação no Jubileu do Mundo Educativo, entre os dias 30 de outubro e 2 de novembro, em Roma. Integrou este grupo de educadores o presidente da Associação Portuguesa de Escolas Católicas (APEC), Dr. Fernando Magalhães, bem como os representantes das escolas católicas portuguesas e dos secretariados diocesanos que coordenam a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica (EMRC). O Sr. D. Manuel Felício, vogal da Comissão Episcopal da Educação Cristã e Doutrina da Fé (CEECDF) e o Dr. Fernando Moita, secretário desta comissão e diretor do SNEC, também integraram este grupo de peregrinos, tendo ambos contribuído para a vivência de momentos particularmente significativos neste Jubileu, interpelando-nos no âmbito dos desafios da nossa missão educativa e encorajando-nos a ser peregrinos de esperança.

No dia 30, ao final da tarde, fomos recebidos pela Senhora Embaixadora de Portugal junto da Santa Sé, Maria Amélia Paiva. Fomos desafiados à criatividade e a ser portadores de esperança para as novas gerações, tendo esta receção culminado com um momento musical, particularmente emotivo e congregador dos participantes.

O dia 31 de outubro foi marcado pela participação no encontro do Papa Leão XIV com os educadores, na Praça de São Pedro. O Papa dirigiu o convite aos educadores para, através da diversidade de carismas, metodologias, pedagogias e experiências, fazermos dos valores — interioridade, unidade, amor e alegria — os pilares e os “pontos cardeais” da nossa missão. Fomos convidados a interrogar-nos sobre o “empenho para captar as necessidades mais urgentes”, sobre a nossa “capacidade para superar preconceitos ou visões limitadas”, sobre a nossa “abertura nos processos de coaprendizagem”, sobre o esforço “em responder às necessidades dos mais frágeis, pobres e excluídos” e que esforço realizamos “para construir pontes de diálogo e de paz”. A partir de São John Henry Newman e de Santo Agostinho, fomos convidados a considerar a formação como uma estrada em que mestres e discípulos caminham juntos, salientando a reciprocidade própria dos processos educativos, nos quais “o partilhar do saber não pode assumir outra forma senão a de um grande ato de amor”.

Na tarde do mesmo dia, o grupo foi em peregrinação para a passagem da Porta Santa da Basílica de São Pedro, momento de profunda espiritualidade, presidido pelo D. Manuel Felício. A oração, os cânticos, a alegria e muita emoção sensibilizaram outros peregrinos, alguns dos quais se juntaram ao nosso grupo e connosco fizeram a passagem desta Porta Santa. Após esta peregrinação, houve tempo para a visita à cúpula e ao interior da mesma Basílica, nomeadamente à cripta, que contém as sepulturas de vários Papas e o túmulo de São Pedro.

A manhã do dia 1 de novembro foi marcada pela participação na celebração da Eucaristia para todo o mundo educativo, na Praça de São Pedro, presidida pelo Papa Leão XIV, a qual incluiu o rito da proclamação de São John Henry Newman entre os Doutores da Igreja, tendo sido evidenciada a sua relevância que “servirá de inspiração para as novas gerações com o coração sedento de infinito”. O Papa, dirigindo-se aos educadores, referiu a importância da autenticidade do nosso empenho e do generoso serviço aos jovens, salientado que o nosso futuro dependerá da resposta que dermos à valorização da dignidade de todos, nomeadamente “aos menos dotados, aos pobres, aos que nasceram com menos possibilidades”. Face à complexidade do tempo presente, “obscurecido por tantas injustiças e incertezas”, onde muitos são vencidos pelo medo e pelo pessimismo, o Papa lançou-nos um grande desafio: “desarmemos as falsas razões da resignação e da impotência e façamos circular no mundo contemporâneo as grandes razões da esperança”. Fomos ainda encorajados a “fazer das escolas, das universidades e de todas as realidades educativas, mesmo informais e de rua, limiares de uma civilização de diálogo e paz”. Tendo o Papa referido que “o contributo que cada um tem para oferecer é de um valor único”, fomos convidados a ser protagonistas na ajuda prestada a cada pessoa para que possa “descobrir o próprio caminho de santidade”, tendo Jesus como “o Mestre por excelência” e “o Educador por excelência”.

Durante a tarde do mesmo dia, visitámos algumas das igrejas, monumentos e praças mais emblemáticas da história de Roma, nomeadamente o Coliseu. O grupo, num profundo ato de fé e de oração, continuou a sua jornada de peregrinos de esperança, presidida pelo D. Manuel Felício, tendo passado a Porta Santa da Basílica de São João de Latrão e de Santa Maria Maior, na qual se destacou a nossa particular atenção para a simplicidade do túmulo do Papa Francisco, espelhando a vida do próprio Papa. Após o jantar, à semelhança do dia anterior, houve ainda tempo para a criatividade, possibilitando a cada um a partilha de algo mais relevante.

No dia 2 de novembro, último dia em Roma, visitámos algumas igrejas e monumentos do centro histórico de Roma, tais como o Fórum Romano e o Panteão. Participámos na missa da comemoração dos Fiéis Defuntos, presidida pelo D. Manuel Felício, na Igreja de Santo António dos Portugueses e, ao final do dia, regressámos a Portugal, cansados e de coração cheio.

 

«A escola precisa de educadores que falem de coração para coração», José Joaquim Santos

 

O professor José Joaquim, responsável do SDEIE, afirmou ontem ser fundamental recentrar a “missão educativa nos valores espirituais e humanos fundamentais”. “Os quatro pilares apontados ontem pelo Papa — a interioridade, a unidade, o amor e a alegria — constituem o coração deste jubileu e um grande apelo aos educadores”, disse no final da missa de encerramento do Jubileu do Mundo Educativo, em Roma.

O responsável sublinhou a importância da figura de São João Henrique Newman, proclamado Doutor da Igreja e co-padroeiro da missão educativa da Igreja, e do recuperar a imagem de “Cristo como o grande educador, o educador por excelência”. “O Papa Leão XIV trouxe-nos esta imagem das Bem-aventuranças como um texto profundamente educativo e pedagógico e um plano para a ação dos educadores. Por outro lado, a figura de São João Henrique Newman é um desafio para as novas gerações”, afirmou.

O diretor da EMRC de Setúbal destacou a dimensão humanizadora da missão educativa, e a importância da rejeição de certas visões que “impedem a liberdade na educação”. “O Santo Padre lançou-nos desafios claros: o não ao niilismo e o não ao pessimismo. O sim a sermos construtores de pontes, a alcançarmos os corações dos nossos alunos, não apenas com palavras, mas de coração para coração”.

José Joaquim Santos defendeu uma atitude ativa dos educadores católicos nas escolas. “Cabe-nos identificar situações críticas e ir ao encontro das realidades escolares — entre colegas, professores e alunos — para levarmos uma nova esperança”.

A palavra “esperança”, acrescentou, surge como eixo central deste jubileu e como chave interpretativa para o futuro da educação. “Fomos chamados a anunciar uma esperança que não engana e que é sinal de futuro”, finalizou.

De acordo com o Dicastério para a Cultura e Educação da Santa Sé, participaram no Jubileu do Mundo Educativo cerca de 15 mil educadores de 14 países.

 

Texto: SDEIE e SNEC
Foto: Vatican Media e SNEC

Newsletter

Em destaque

Conselho Pastoral Diocesano – Comunicado Final

Conselho Pastoral Diocesano – Comunicado Final

  Realizou-se hoje, dia 25 de julho, Festa do Apóstolo São Tiago, na Casa Episcopal, em Setúbal, o segundo Conselho Pastoral Diocesano.  A sessão de abertura foi presidida pelo Cardeal D. Américo...

Últimas notícias

Agenda