Mensagem aos Diocesanos de Setúbal por ocasião do início da peregrinação jubilar a Roma para passar as Portas Santas

Dez 1, 2025

 

Queridos diocesanos, queridos irmãos e irmãs,

Iniciamos hoje a nossa peregrinação jubilar a Roma. Partimos como família que caminha junta, como o povo que Deus conduz no deserto (cf. Ex 13,21), confiando que Ele vai à nossa frente e nos acompanha em cada passo.

Levamos connosco toda a vida da nossa Diocese: os que acreditam com força e os que acreditam com fragilidade; os que se sentem em casa e os que se sentem perdidos, como a ovelha que o Pastor procura sem se cansar (cf. Lc 15,4). Todos fazem parte deste caminho. E levo cada um de vós no coração — também aqueles que não podem viajar mas que se unem espiritualmente a nós, porque na Igreja ninguém caminha sozinho (cf. At 2,42).

Ao atravessarmos as Portas Santas, queremos dizer ao Senhor, como Pedro naquela manhã no lago: “Senhor, Tu sabes tudo; Tu sabes que Te amo” (Jo 21,17). Atravessar a Porta Santa é confessar diante de Deus a nossa verdade: precisamos da Sua misericórdia, do Seu perdão, da Sua paz. Como o filho pródigo, também nós queremos “levantar-nos e voltar para o Pai” (cf. Lc 15,18), certos de que Ele corre sempre ao nosso encontro.

Roma não é apenas um destino; é um encontro com as raízes da fé, com o testemunho dos apóstolos Pedro e Paulo, que nos lembram que a Igreja cresce quando vive na confiança e na coragem (cf. 2 Tm 4,7). Vamos a Roma para agradecer, para escutar, para rezar, para nos deixar transformar pela graça que Deus nunca deixa de derramar. Que esta experiência seja, para cada um, como o caminho de Emaús: que o nosso coração volte a “arder dentro de nós” quando Ele nos fala e caminha connosco (cf. Lc 24,32).

Ao regressarmos, peço que voltemos mais disponíveis para servir e para cuidar. Que sejamos uma Diocese mais sinodal, mais missionária, mais atenta aos que sofrem, vivendo aquilo que o Senhor nos pede: “Tive fome e destes-Me de comer; era estrangeiro e acolhestes-Me” (Mt 25,35). Que este Jubileu nos ajude a pôr em prática uma fé concreta, de gestos simples, de proximidade real.

Confio esta peregrinação a Maria, Mater Spei. Como Ela, queremos guardar no coração aquilo que Deus nos vai dizer (cf. Lc 2,19) e levar esperança onde muitos vivem cansados ou desanimados. Que Ela nos ajude a fazer tudo o que Jesus nos disser (cf. Jo 2,5).

Queridos diocesanos: vamos, juntos. Com confiança, como Abraão que partiu “sem saber para onde ia” (cf. Heb 11,8), certos de que Deus fará o resto. Que este Jubileu deixe marcas de renovação na vida de cada um e na vida da nossa amada Diocese de Setúbal.

Com amizade, oração e bênção,

† Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal

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