No final da visita pastoral à Cova da Piedade, estivemos à conversa com o Pe. José Pinheiro, pároco e vigário-geral da nossa diocese, para fazermos um pequeno balanço destes dias intensos de visita.
Que balanço é que é possível fazer, assim a quente, nesta visita pastoral?
O balanço é muito positivo. A visita pastoral permitiu e exigiu todo um trabalho a montante de preparação. Foram semanas e semanas de preparar, de contactar gente, de tentar ir mais além daquilo que é a área de influência da paróquia.
E isso foi muito positivo e também o facto de envolver muita gente, diria centenas de pessoas, nas suas diferentes tarefas que se sentiram envolvidas neste trabalho da preparação. Depois da preparação deu-se tudo aquilo que tinha sido previsto, ainda bem, porque graças a Deus o Espírito Santo trabalha sempre melhor do que nós possamos projetar, portanto superou largamente o projetado. E abriu-nos espaço para levar a paróquia e criar novas rotinas no dia-a-dia da nossa paróquia e também na presença da nossa paróquia em diferentes pessoas, instituições, associações que conhecíamos, mas nunca tínhamos visitado.
Na preparação quais foram as preocupações na montagem do programa da visita?
A preocupação era, por um lado, envolver os que cá estão dentro, quer dizer, obviamente que não podíamos começar, não podíamos ter uma visita pastoral sem envolver todos os que cá estão, mas depois ir mais além e sermos criativos, com base também naquilo que sabemos que são as preocupações do D. Américo, que quer chegar a certos lugares.
No encontro pela Paz, tentámos, com aquilo que também são as histórias da nossa paróquia, também trazer mais qualquer coisa, mas sempre nesta ideia de alargar a tenda, de alargar o espaço da presença da paróquia na nossa comunidade. Depois também o contacto com as entidades civis e profissionais abrangendo as diferentes áreas, tanto a política autárquica como a saúde, como a educação, mesmo a questão financeira aos bancos, o encontro que tivemos com o Montepio, tentámos envolver as realidades todas com quem já trabalhámos, tentámos ir mais além daquilo que é a nossa presença no dia-a-dia, mas claramente depois superámos, até porque muita gente veio reivindicar ou “queixar-se”, que não nos tínhamos lembrado delas. Acho que isso mostra bem o impacto que a visita teve na comunidade, porque as pessoas sentiram-se não visitadas pela forma como os vizinhos foram visitados. O impacto que a visita teve reflete-se bem neste desejo das pessoas serem visitadas.
Como é que foi a reação ao convite?
A recetividade foi extraordinária, porque o D. Américo é uma pessoa muito conhecida, é uma figura pública, e também já fez visitas na Cidade de Almada, e imensa gente dizia “já esteve com o meu filho”, “já esteve com não sei quem”, “já ouvi aqui e ali”, portanto o facto de já ter visitado paróquias no Conselho de Almada faz com que a visita pastoral já não é um desconhecido absoluto, portanto as pessoas foram vendo as reportagens e foram também percebendo aquilo que está em jogo. As pessoas também percebem que a visita do D. Américo pode ajudar a dar visibilidade a um denunciar de situações como as escolas, que têm os professores e todo o grupo sempre a trabalhar em condições precárias, as associações que estão a fechar portas e que quiseram que nós visitássemos, portanto, no fundo, os partidos políticos que pedem o encontro com o D. Américo à procura do diálogo, de sensibilidade social.

Depois na prática, que momentos destacaria assim da visita, que tenham sido mais significativos?
Muito significativo o Encontro pela Paz, claramente foi completamente fora da caixa, não só da Igreja e da sociedade, mas também o ir ao encontro das outras confissões religiosas. Acho que isso foi importante.
Depois, a inauguração da ala D. Américo, para os sacerdotes, acho também importante, mostra esta preocupação da diocese e mostra que as preocupações da diocese são superimportantes para as preocupações das paróquias. Isso acho que é muito importante. Portanto, também é esta mensagem subliminar que as paróquias não andam a carburar sozinhas, mas estão ligadas à diocese.
Depois as missas, claro, são sempre os pontos altos das visitas, a ida às casas dos paroquianos, as visitas aos doentes… acho que houve muitos momentos riquíssimos que se destacam e, obviamente, estes 48 Crismas, também acho que se destaca, claramente, do momento forte.
Que feedback é que recebeu também da comunidade paroquial?
Eu acho que todos se sentiram visitados nestes dias. Já faz 20 anos que não tínhamos uma visita pastoral com estas características, e acho que as pessoas se sentiram bastante identificadas. Termos começado com o Conselho Pastoral Paroquial foi excelente. Eu vou recomendar, porque é óbvio que começa com aqueles que estão no ativo. Portanto, logo apanha uma data de malta que está à frente dos grupos e dos movimentos da paróquia.
Finalmente, que desafios ficam da visita pastoral?
Desde logo, os desafios de estarmos mais presentes nas escolas, claramente. Com a pandemia, nós deixámos de ir às escolas, e acho que tem de se promover mais o ir ao encontro dos alunos e não ter medo, como o D. Américo fez, de falar sobre o que quer que seja, respeitando a opinião de cada um, mas dando aquilo que é o pensar e o olhar da Igreja. É muito importante não ter medo de nos tornarmos presentes.
Depois também a questão da saúde, de haver mais diálogo, mais relação com as estruturas da prestação de privados e públicos.
Finalmente, outro dos desafios que esta visita pastoral trouxe, foi a relação com as associações e com os clubes também, ver como é que nós podemos criar teias de relação e de sinergias que nos possam enriquecer a nós e a eles, mantendo sempre a porta aberta.
Entrevista e fotos: Ricardo Perna




