O Papa Francisco para mim

Mai 7, 2025

 

O Papa Francisco começou por ser uma grande surpresa para mim e, penso que, para uma grande maioria. Primeiro porque era jesuíta e tal era a primeira vez que acontecia. Depois pelo seu modo de proceder.

Como Jesuíta, que sou, estou habituado a olhar para o Papa e a escutá-lo para servir a Deus servindo a Igreja e a humanidade com disponibilidade e generosidade. Agora o Papa tinha uma tão grande identificação com a visão da Companhia de Jesus que na relação com ele havia uma sensação nova e por isso de alguma estranheza.

Depois com os seus gestos de desprendimento e de proximidade com todos, eu tinha receio que aquilo não fosse durar. A consolação foi crescendo ao constatar que esse modo de ser e de desafiar-nos a todos era algo que realmente fazia parte de si mesmo, da sua identidade cristã e evangélica. Era coerente e consistente.

Assim se foram sucedendo as suas intervenções e desafios, os seus gestos e, nomeadamente com os documentos que nos foi dando: exortações e catequeses que conhecemos e que implicam profundamente a vida da Igreja e dos seus membros, que implicam cada um de nós.

Ouve-se muitas vezes dizer, quando alguém morre, que ‘perdemos um grande’ isto ou aquilo.

Costumo reagir dizendo que não perdemos. A sua obra os seus feitos estão aí, representam um contributo para o bem de todos. Não foi perdido.

Neste caso do Papa Francisco, o seu legado é, em grande parte, processos, dinamismos que têm de continuar a ser levados por diante, porque eles nos guiam pelo fundamental do Evangelho: o amor misericordioso de Deus sempre abrangendo todos, a fraternidade, o valor de cada indivíduo, a simplicidade, o acolhimento, a inclusão, a proximidade, o serviço, a gratuidade, o cuidado universal e o louvor de Deus. E tudo isto está implicado na vivência da sinodalidade.

Não sinto a sua partida para os braços do Pai com tristeza. A sua vida foi uma vida plena.

Sinto que devo dar graças pela sua vida e por quanto viveu e estimulou a viver. Sinto a responsabilidade de ser fiel ao exemplo que nos deu e ao que nos desafiou.

Louvado seja o Senhor. Agora e para sempre.

Pe. José Pires, sj.

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