Peregrinação a Compostela: «O caminho pertence a Santiago»

Jul 25, 2024

O Grupo de Jovens Totus Tuus Maria, da Paróquia de Nossa Senhora da Anunciada, Setúbal, peregrinou a Santiago de Compostela, de 29 de junho a 6 de julho. Cinco jovens, com a sua animadora, puseram-se a caminho e foram ao encontro do apóstolo.

Pelo dia da festa litúrgica de São Tiago Maior (25 de julho), os seis jovens da nossa diocese partilham connosco essa experiência de peregrinar a Santiago de Compostela.

Patrícia Branquinho Santos (animadora)

No nosso grupo de jovens todos os anos nos propomos a uma atividade de encerramento. Para este ano já andávamos a pensar em Santiago de Compostela. Sabíamos que era um grande desafio por várias razões: a despesa, a organização (nunca organizamos nenhuma peregrinação sozinhos) e, essencialmente, irmos ao desconhecido sem preparação alguma… Mas, não fosse tudo o que fazemos uma total entrega a Deus, encontrámos as soluções para este desafio com angariação de fundos.

Como animadora do grupo, senti uma preocupação enorme na semana anterior à peregrinação. Pensei várias vezes “caramba isto vai mesmo acontecer! Os miúdos foram capazes. Eles empenharam-se muito. E agora se alguma coisa corre mal?” Mas a verdade é que tudo correu muito bem!

Todos os dias fazíamos uma paragem para uma meditação. Sinto que cada uma tocava exatamente naquilo que nos ardia no coração a cada dia. O deixar para trás família, amigos e rotinas. Tudo o que temos como garantido e conhecido, para abraçar o caminho que se ergue à nossa frente e nos é completamente desconhecido. O peso da mochila que nos fazia refletir sobre o essencial e o dispensável na mochila, mas também na nossa vida. As dores e o cansaço. A beleza da natureza, reconhecendo-a como fruto da criação de Deus, e que tão pouco tempo dedicamos a admirar (veem-se paisagens maravilhosas ao longo de todo o caminho). O encontro com os outros peregrinos e a forma como os podemos ajudar a ultrapassar as dificuldades, fazendo também analogia ao nosso dia-a-dia. É mesmo um turbilhão de emoções que não me cansava de repetir.

O que para mim importou não foi a chegada, mas o caminho. Nunca nos preocupamos com pressas. Rezávamos juntos durante alguns momentos do caminho. E é isso que temos a aprender com a peregrinação. Não é a ansiedade de chegar ao destino. Não é o correr com os olhos sempre fixos no horizonte. É o caminho e tudo o que ele implica, não esquecendo o que não vemos, mas sentimos. Os nossos familiares, amigos, catequistas e comunidade paroquial rezaram por nós e ficavam alegres a cada “sinal de vida” que dávamos. Não os víamos, nem nos pesavam nas mochilas, mas certamente que os levámos connosco. Sem nunca esquecer aqueles que nos ajudaram na angariação de fundos. Afinal toda esta missão começou com eles.

Esta é a forma como devemos procurar viver a nossa vida, verdadeira peregrinação na Terra. Possuir o essencial, dedicar tempo à oração, contemplação e lazer. Abrir os olhos à criação de Deus. Apoiarmo-nos quando precisamos, e ser apoio quando os outros precisam. Suportar as nossas dores. E no fim, estar pronto para a grande chegada! Sem pressa e bem preparado.

Martim Silva

Enquanto angariávamos fundos nem me lembrava que era para a caminhada até Santiago… O tempo passou rápido e em menos de 1 semana estava a preparar-me para caminhar. Sobre a mochila, uns dias pesava mais do que outros, mas dependia do cansaço.

Na 1ª noite só dormimos 2 horas (e com sorte) porque um peregrino estava a ressonar no abrigo. A meu ver as caminhadas não foram muito complicadas, o mais difícil era ganhar ritmo depois de uma pausa.

A chegada a Santiago foi incrível, especialmente por saber que fizemos mais de 120km (foram 175km no total. Partimos de Valença do Minho, fizemos sempre o caminho complementar, subimos ao monte Santiaguiño, visitamos igrejas, capelas e outros pontos turísticos). No final senti vontade de experimentar outros caminhos de Santiago…

Vitória Silva

Penso que cada experiência, especialmente quando feita em grupo, partilha de ideias, memórias e momentos que são comuns a todos os que participaram. Logo, muito do que por aqui vai escrito pode acabar por ser repetitivo. No entanto, quero acreditar que, cada pessoa sente e vê o mundo de uma forma única, tendo, portanto, algo a acrescentar para o testemunho do grupo de jovens nesta peregrinação a Santiago de Compostela.

Os dias anteriores ao início da peregrinação em si foram tanto de expectativa como de preocupações, e a verdade é que, a meio do segundo dia, já me tinha arrependido de sequer ter começado. No primeiro dia foi fácil. Já no segundo dia, as primeiras horas foram com chuva, por paisagens muito lindas, quase que cinematográfico. As dores, as dificuldades, o peso da mochila e a falta de preparação física fizeram-me sentir incapaz de continuar. Houve momentos em que queria parar e chorar. O meu consolo acabaram por ser as meditações diárias que exprimiam a nossa realidade, com temas profundos, levando-nos a refletir sobre o verdadeiro caminho que fazíamos. Um caminho íntimo com Deus.

Olho para a peregrinação como o caminho de fé. Longo, difícil, até mesmo sofrido, mas há que ter esperança para superar as tristezas, falhas e feridas que o tempo muitas vezes traz, e continuar, seguir em frente com disposição. Os momentos mais importantes e especiais da peregrinação estão no caminho e não no destino. Os risos, as frustrações, as sensações e o crescimento a que estamos sujeitos quando nos comprometemos com um desafio, acompanhar-nos-ão para toda a vida. A meio do caminho dizia que não cometeria esta “loucura” novamente, mas agora que já se passaram umas semanas, sinto que faria tudo de novo. Mal posso esperar por voltar! Até lá, buén camino!

Samira Silva

Desde o início soube que a peregrinação até Santiago de Compostela iria ser incrível e única, porque seria a minha primeira vez a experienciar uma viagem com o grupo de jovens. Ainda me lembro da Patrícia nos falar sobre Santiago de Compostela e eu não fazer a mínima ideia de quem era Santiago e onde era Santiago de Compostela. Eu fiquei muito feliz e entusiasmada com a proposta de nós, enquanto grupo Jovens, trabalharmos para conseguir participar fazendo angariação de fundos.

O que mais me marcou nesta peregrinação foram as paisagens magníficas de cada lugar em que caminhámos, além de ter conhecido uma cultura diferente e onde pude conversar e conhecer pessoas simpáticas que andavam à minha volta. Também senti uma mudança espiritual e uma maior conexão com Deus, através da oração. Aprendi a dar valor à simplicidade e a valorizar cada momento, mesmo não querendo mais estar ali, deixando tudo nas mãos de Deus. Para ser sincera, se Maria não tivesse nos ajudado, com certeza poderiam ter ocorrido lesões.

Não foi fácil, mas quem quer, pode e tem fé, faz acontecer e chega ao final com muitas graças e incríveis memórias. Santiago de Compostela, toda a preparação e o caminho, vai estar sempre gravado na minha memória e no meu coração.

Miguel Rangel

“Fátima é o destino, Santiago o caminho”. E é mesmo! O caminho pertence a Santiago. O caminhar e a descoberta contínua de paisagens indescritíveis é simplesmente incrível. As experiências, as risadas, as chatices, os convívios que fazem parte do mesmo são imprescindíveis.

Nunca mais nos esqueceremos da experiência do que nos provocou o riso e do que nos provocou um suspiro de cansaço. As subidas, as descidas e as estradas. O sentimento de estar a chegar, o sentimento de parar e descansar. Agradecer a Deus o que nos proporcionou, a companhia, a oração, a meditação. Recomendo o caminho de Santiago, a todos, todos, todos.

Vivian Silva

Esta peregrinação até Santiago de Compostela foi de certeza memorável. Toda a nossa dedicação em grupo para fazer acontecer esta peregrinação, valeu a pena. O nascer e o pôr-do-sol vistos por cada cidade que fazia parte do nosso caminho, as paisagens novas que víamos em cada dia, o sentir-se aliviado por concluir a caminhada no final de cada dia, as risadas que demos em grupo, as meditações, as dores, o contacto com a natureza e até mesmo as reclamações. Todas estas memórias estão registadas na nossa alma.

Estou agradecida por ter conseguido ir e ter concluído esta trajetória de tanto valor. Pretendo, sim, fazer tudo de novo e reconhecer muito mais daquilo que ENFRENTAMOS. Estou muito satisfeita com esta experiência, pois cada local em que passámos tornou-se ideal para refletir, conviver, sair da zona de conforto a que estávamos profundamente ligados. Estou orgulhosa e feliz por ter participado desta peregrinação. Fará parte das histórias que contarei no futuro a muitas outras pessoas. Gostei imenso, espero conseguir ir outra vez.

 

Artigo e fotografias: Grupo de Jovens Totus Tuus Maria

 

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