A Visita Pastoral do Bispo de Setúbal, Cardeal D. Américo Aguiar, às paróquias de Corroios e Vale de Milhaços teve o seu início formal este domingo, com a celebração da Eucaristia na Igreja de Nossa Senhora da Graça, em Corroios, presidida pelo próprio prelado. Na homilia, o Bispo deixou um apelo à construção de uma Igreja próxima das pessoas, capaz de acolher todos e de ir ao encontro daqueles que vivem situações de fragilidade ou se encontram afastados da comunidade. «Não venho inspecionar. Venho caminhar convosco, conhecer melhor as vossas alegrias e preocupações e procurar, em conjunto, os caminhos que o Senhor nos aponta», afirmou D. Américo Aguiar, definindo o espírito com que pretende viver esta visita às duas comunidades paroquiais.
Embora a celebração deste domingo tenha assinalado o início formal da Visita Pastoral, o programa já tinha começado no sábado, com uma reunião com os Conselhos Económicos das duas paróquias e da comunidade de Santa Marta, seguida de uma visita à Cáritas paroquial, onde o Bispo teve oportunidade de contactar com os voluntários e conhecer de perto o trabalho desenvolvido.
Na Eucaristia, D. Américo Aguiar saudou os sacerdotes responsáveis pelas comunidades, o Padre José Maria e o Padre Daniel Nascimento, Vigário Paroquial, agradecendo-lhes «a dedicação e o serviço pastoral». Dirigiu também uma palavra aos que não puderam estar presentes, nomeadamente «os doentes, os idosos, os que trabalham e os que, por diferentes razões, se encontram mais afastados».
Partindo das leituras bíblicas do domingo, o Cardeal apresentou a imagem do banquete preparado por Deus para todos os povos como uma expressão de acolhimento e de esperança. Evocando a profecia de Isaías, que anuncia um Deus que «enxugará as lágrimas de todas as faces», sublinhou a necessidade de uma Igreja atenta ao sofrimento concreto das pessoas.
«Também em Corroios e Vale de Milhaços há lágrimas que precisam de ser enxugadas», afirmou, referindo as pessoas que vivem sozinhas, as famílias com dificuldades, os jovens à procura de esperança e os doentes que precisam de companhia.
«Uma Igreja próxima de Jesus tem de estar próxima dessas pessoas», acrescentou, apontando para uma presença pastoral que não se limite à vida celebrativa, mas que se traduza em gestos concretos de proximidade, acompanhamento e solidariedade.
A imagem do Bom Pastor, evocada no salmo dominical — «O Senhor é meu pastor: nada me falta» —, serviu igualmente para enquadrar a missão do Bispo e o sentido da visita. Conhecer, acompanhar e não abandonar são atitudes que, segundo D. Américo Aguiar, devem marcar a vida das comunidades cristãs.

«Ide às encruzilhadas dos caminhos e convidai» todos
O desafio central da homilia surgiu da leitura do Evangelho, na qual o rei manda os seus servos sair ao encontro das pessoas para as convidar para o banquete. «Que extraordinário programa para as nossas paróquias!», exclamou o Bispo, destacando três palavras fundamentais: ir, procurar e convidar.
«Ide! Não fiqueis apenas à espera», apelou, defendendo que as comunidades devem estar presentes «onde as pessoas vivem, trabalham, estudam, sofrem e procuram sentido para a vida».
O convite, salientou, não se destina apenas aos que já participam habitualmente na vida paroquial. «Convidai todos! Não apenas os habituais, os conhecidos ou aqueles que já participam na comunidade», afirmou, recuperando a imagem de uma Igreja de portas abertas, «onde há lugar para todos, todos, todos!».
Contudo, o Cardeal lembrou que o acolhimento exige mais do que uma declaração de intenções. Ao referir o episódio evangélico do traje nupcial, explicou que o convite de Deus pressupõe também uma transformação interior, traduzida na caridade e no serviço. «O verdadeiro traje nupcial é a caridade vivida, a disponibilidade para perdoar, a atenção aos mais frágeis, a vontade de servir», afirmou. E deixou uma advertência dirigida à vida quotidiana das comunidades: «Não basta dizermos que acolhemos todos. É preciso que cada pessoa se sinta verdadeiramente acolhida».
Ao longo dos próximos dias, a Visita Pastoral permitirá ao Bispo contactar com diferentes realidades da vida local, para além das igrejas e dos espaços paroquiais. O programa, que se prolonga até 18 de outubro, inclui encontros em escolas, instituições, associações e outros lugares onde se constrói diariamente a vida das comunidades de Corroios e Vale de Milhaços.
D. Américo Aguiar explicou que pretende aproveitar esta oportunidade para reconhecer o trabalho já realizado e identificar, em conjunto, os desafios que permanecem. «Quero agradecer o bem que já se faz e escutar aquilo que ainda precisamos de fazer juntos», declarou.
Reconhecendo que as comunidades cristãs enfrentam dificuldades, cansaços e limitações de recursos, o Bispo recordou as palavras de São Paulo — «Tudo posso n’Aquele que me conforta» — para sublinhar que a força da missão se encontra em Cristo.
No final da homilia, D. Américo Aguiar deixou uma pergunta para acompanhar a reflexão das comunidades durante a Visita Pastoral: «Quem está à nossa espera e ainda não fomos visitar?».
O Bispo apontou como possíveis destinatários dessa atenção um idoso, uma família, um jovem, um doente ou alguém que se afastou da Igreja ou que nunca se sentiu verdadeiramente convidado. A pergunta pretende traduzir, em termos concretos, o apelo a uma comunidade que não espera apenas que as pessoas se aproximem, mas que toma a iniciativa de ir ao seu encontro. «Que esta Visita Pastoral nos ajude a ir ao seu encontro», pediu, manifestando o desejo de que estes dias representem mais do que o cumprimento de um programa: uma oportunidade para crescer «na fé, na fraternidade e na alegria de sermos Igreja».
Invocando a proteção de Nossa Senhora, o Cardeal concluiu a homilia com uma mensagem de compromisso e corresponsabilidade entre o pastor e as comunidades: «Contai comigo. Eu conto convosco. Caminhemos juntos».
E deixou uma última síntese do caminho proposto às paróquias de Corroios e Vale de Milhaços: «O banquete está preparado. O convite é para todos. E a missão começa agora!»
A agenda do Cardeal inclui, entretanto, uma deslocação à Arquidiocese de Braga, na tarde de 11 de outubro, para participar na dedicação do novo Santuário da Beata Alexandrina de Balazar, e a presença, nos dias 12 e 13, na Peregrinação Aniversária Internacional a Fátima. Apesar destas ausências, garantiu que levará as duas comunidades na sua oração, sublinhando que «a breve ausência não interromperá a nossa comunhão».
Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Henrique Daniel




