A Rede Sinodal da Diocese de Setúbal participou, no dia 10 de janeiro, em Fátima, no II Encontro Sinodal Nacional, que reuniu cerca de 160 participantes provenientes de diversas dioceses e realidades da Igreja em Portugal. A participação da Diocese de Setúbal fez-se através da sua Rede Sinodal, cuja constituição integra, para além dos elementos da Comissão Sinodal Diocesana (Augusta Delgado, Irmã Irene Guia, Henrique Matos e Padre José Pinheiro), um representante de cada Vigararia (Cristina Branco – Almada/Caparica; Fátima Tavares – Barreiro-Moita; José Gouveia – Montijo; Vítor Pereira – Seixal; Susana Santos – Setúbal; Teresa Lopes – Palmela-Sesimbra e Vasco Gonçalves – Departamento da Juventude), reforçando a dimensão de comunhão e corresponsabilidade no caminho sinodal.
Sob o tema “Da escuta à missão: espiritualidade sinodal e implicações pastorais”, o encontro teve como objetivo aprofundar a receção do Documento Final do Sínodo e discernir as suas implicações pastorais concretas, traduzindo-o em práticas pastorais reais e transformadoras.
Na abertura do Encontro, D. José Ornelas, Presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, destacou que a realização deste Encontro “significa a continuação do compromisso da renovação da Igreja, concretamente da nossa Igreja em Portugal, à luz do Vaticano II e da busca da sua atualização através do percurso sinodal”. O caminho sinodal não é um evento pontual, mas um estilo de ser Igreja, que exige continuidade, conversão e coragem. Enfatizou a importância de uma Igreja que escuta o Espírito Santo, caminha unida e se compromete com a missão, recordando que a sinodalidade só faz sentido se gerar vida nas comunidades.

Seguiu-se a reflexão de D. Virgílio Antunes, Bispo de Coimbra e Vice-Presidente da CEP, centrada na espiritualidade sinodal e nas suas implicações pastorais, sublinhando que a sinodalidade constitui a via mestra para a renovação da Igreja. Esta nasce da oração, do silêncio e do discernimento, e conduz a uma Igreja mais corresponsável, onde todos se reconhecem como sujeitos ativos da missão, enquanto participantes do sacerdócio comum. A Igreja sinodal é, assim, uma Igreja que se encontra em permanente caminho de conversão — pessoal, comunitária e pastoral.
Num momento significativo de escuta e partilha, as dioceses apresentaram os caminhos já percorridos na implementação do Documento Final do Sínodo. Entre os passos concretos já dados, destacaram-se a valorização dos Conselhos Pastorais como espaços de corresponsabilidade e discernimento, o investimento na formação de leigos, um maior envolvimento dos leigos na vida pastoral e a prática de uma escuta mais alargada e ativa nas comunidades.
Foram igualmente identificadas algumas dificuldades, como resistências clericais, ritmos diferenciados entre comunidades e cansaço pastoral. Apesar destes desafios, emergiram claros sinais de esperança, nomeadamente o crescimento da corresponsabilidade, o entusiasmo das comunidades que já experimentam práticas sinodais e uma maior consciência de que o caminho se faz juntos.

Durante a tarde, os trabalhos em grupo, seguindo o método da “conversação no Espírito”, permitiram aprofundar a questão “Que Igreja somos chamados a ser a partir da conversão no Espírito?”. Das reflexões surgiram várias propostas concretas, apontando para a necessidade de uma Igreja que escuta o Espírito Santo, através do silêncio e da oração, para acolher a Palavra de Deus; uma Igreja de portas abertas, que acolhe e se encontra; uma Igreja sinodal, marcada pela corresponsabilidade e participação de todos, valorizando o sacerdócio comum dos fiéis; e uma Igreja que trabalha em rede, fortalecendo laços entre pessoas, comunidades e dioceses.
O II Encontro Sinodal Nacional confirmou, assim, que o caminho sinodal continua a ser um espaço de escuta, discernimento e esperança, convidando toda a Igreja em Portugal a passar, com humildade e audácia, da escuta à missão.
Texto: Augusta Delgado
Fotos: Diocese de Setúbal




