O Documento final da Segunda Sessão da XVI Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, realizada de 2 a 27 de outubro de 2024, por uma Igreja Sinodal, foi objeto de leitura e reflexão pelos Membros da CDJP.
A Comissão está particularmente atenta às referências, reflexões e orientações sobre os temas dos Direitos da Pessoa Humana, da Justiça, da Paz, da Pobreza e da Doutrina Social da Igreja, emanadas das conclusões do Sínodo e que constituem as principais obrigações e compromissos assumidos pela CDJP que deseja viver numa Igreja Sinodal, onde todos os batizados se sintam membros ativos.
De igual modo, num espírito de comunhão com todos os membros da Igreja, a Comissão divulga a reflexão que fez e a todos exorta a refletirem sobre este importante Documento para que todos possamos ser uma igreja de comunhão, participação e evangelização.
Eis os pontos sob o olhar da missão específica desta Comissão que queremos partilhar e que nos interpelam a desenvolver todos os esforços para denunciar todas as situações geradoras de sofrimento humano, particularmente as que resultarem de atropelos à justiça e violação dos Direitos Humanos e promover reflexão e iniciativas na defesa e promoção dos mais pobres, frágeis e vítimas de injustiças e qualquer forma de violência:
- Na Introdução, ponto 2, é feita a transcrição do início do Documento Conciliar Constituição Pastoral Gaudiam et spes (GS): «As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens do nosso tempo, sobretudo dos pobres e de todos os aflitos são mais uma vez as alegrias e as tristezas de todos nós, discípulos de Cristo». E acrescenta o texto: «O nosso olhar para o Senhor não afasta os dramas da história, mas abre os olhos para reconhecer o sofrimento que nos rodeia e nos penetra: o rosto das crianças aterrorizadas pela guerra, o choro das mães, os sonhos desfeitos de tantos jovens, os refugiados que enfrentam viagens terríveis, as vítimas das alterações climáticas e das injustiças sociais».
- No ponto19.1 do mesmo documento pode ler-se «No coração de Deus há um lugar preferencial para os pobres, os marginalizados e excluídos, e por isso também no coração da Igreja. Neles, a comunidade cristã encontra o rosto e a carne de Cristo que de rico que era, se fez pobre por nós…».
- No ponto 41 do documento final refere-se: «Em toda a parte do mundo, os cristãos vivem lado a lado com pessoas que não são batizadas e que servem a Deus praticando uma religião diferente. Por eles rezamos de modo solene na liturgia de Sexta-feira Santa, com eles colaboramos e lutamos por construir um mundo melhor, e juntamente com eles imploramos ao Deus único para libertar o mundo dos males que o afligem»
- No ponto 48 está escrito: «O modo sinodal de viver as relações é um testemunho social que responde à necessidade humana de ser acolhido e de sentir reconhecido numa comunidade concreta. É um desafio ao crescente isolamento das pessoas e ao individualismo cultural…”
- No ponto 51 lê-se: «Quer sejam homens ou mulheres, judeus ou pagãos, doutores da lei ou pagãos, justos ou pecadores, mendigos cegos, leprosos ou doentes, Jesus não manda ninguém embora, sem parar para escutar e sem entrar em diálogo».
- No ponto 77 está escrito: «Aos fiéis leigos, homens e mulheres, devem ser oferecidas mais oportunidades de participação… a) uma participação mais ampliada Leigos e Leigas nos processos de discernimento eclesial e em todas as fases do processo de decisão (elaboração e tomada de decisões.”.
- No ponto 151 recorda-se que: «Também os temas da Doutrina Social da Igreja, do empenho pela Paz e a Justiça, do cuidado da casa comum e do diálogo inter-cultural e inter-religioso devem conhecer maior difusão entre o Povo de Deus…».
À luz destas orientações parece-nos que seria muito útil e adequado serem retomadas ao nível da diocese as Assembleias Diocesanas que funcionaram nos primeiros anos da Diocese presididas pelo Bispo e nas quais participavam Padres, Diáconos, Religiosos e leigos eleitos nas Paróquias e Movimentos nela existentes.
Uma palavra final:
– Nesta partilha, em espírito de comunhão, que fazemos e nos compromissos que queremos assumir, expressamos a vontade de contribuir para uma Igreja no caminho e vivência da Sinodalidade, numa opção preferencial pelos pobres, em diálogo com outras religiões, organizações e movimentos sociais pela dignidade da pessoa humana, pela justiça, pela paz, por uma sociedade inclusiva e por uma ecologia integral.
Setúbal, 02 Janeiro de 2025
A Presidente da CDJP
Elsa Regina Torres e Melo




