Na passada Páscoa, dia 20 de abril, uma família da paróquia da Baixa da Banheira deu um passo extraordinário na sua caminhada de fé: no mesmo dia, Ângelo e os seus filhos Kevin, Leonardo e Lia foram batizados, ele e os dois filhos mais velhos fizeram a Primeira Comunhão, e ele e Carla, sua companheira de vida, uniram-se em Matrimónio diante de Deus. Um testemunho tocante de renovação, fé partilhada e encontro com Cristo.
Carla já era batizada desde bebé, mas, como conta, “as poucas vezes que fui a uma igreja foi para estar presente em casamentos”. A procura de Deus despertou, no entanto, após um momento doloroso: “Depois da morte da minha irmã mais velha, senti falta da presença de Deus.”
Por outro lado, Ângelo fez um caminho de procura mais “racional”. “Passei por várias fases espirituais. Na adolescência, era ateu. Mais tarde, explorei a teologia e a apologia cristã. Foi através do estudo e do nascimento do nosso filho que me aproximei de Jesus.” Aos poucos, Deus foi-se tornando presença viva no dia-a-dia da família: nas conversas, nas orações, nos pequenos gestos. “Foi tudo muito natural, muito simples. Deus passou a fazer parte do nosso dia-a-dia”, diz Carla.
O dia 20 de abril – Domingo de Páscoa – ficou gravado para sempre no coração desta família. “Foi extraordinário partilhar o dia da Ressurreição com o nosso casamento, o meu batismo e o dos nossos filhos”, partilha Ângelo, emocionado. “Nascer de novo é algo indescritível.” A escolha da data, embora não proposta por eles, foi acolhida com humildade e reverência: “Nunca me iria propor para esta data. Não somos dignos. Estamos sempre aquém do que deveríamos ser. Mas foi uma bênção.”
A preparação foi feita em conjunto: catequese de adultos e infantil, ensaios, momentos de oração. “Foi um processo divertido, natural. E uniu-nos ainda mais como família”, dizem ambos. “Os nossos filhos fizeram muitas perguntas. Algumas nem nós, nem as catequistas, sabíamos responder. Mas isso também faz parte do caminho.”
Hoje, mesmo se “ainda somos verdes na fé”, como diz Carla, a prática diária vai-se enraizando: oração em família, histórias bíblicas adaptadas, conversas espirituais, e o desejo de continuar ativos na vida paroquial.
A importância da comunidade paroquial foi evidente: “Quando não conseguimos estar presentes por causa da nossa filha doente, toda a gente nos perguntou como ela estava. Sentimo-nos mesmo em família.” Ângelo destaca a figura do Frei Guedes: “É alguém que leva a fé muito a sério. Um exemplo digno para todos nós.”
Para quem está afastado da Igreja ou ainda não deu passos nos sacramentos, Carla e Ângelo têm palavras simples e profundas:
“Às vezes basta tentar falar com Deus. Genuinamente. E Ele responde.” — Ângelo
“Hoje não consigo imaginar viver sem Deus. A fé é uma âncora. E os nossos filhos precisam dessa âncora mais do que nunca. A Bíblia tem os ensinamentos certos para crescer como pessoa completa.” — Carla
Esta é a história de uma família que não apenas celebrou sacramentos — mas que verdadeiramente renasceu com Cristo na noite da Ressurreição. Um testemunho vivo de que nunca é tarde para começar, e que a fé, quando vivida em família, transforma tudo.
Artigo: Lara Franquelim Alves










