Queridos irmãos e irmãs,
De 10 a 17 de maio celebramos a Semana da Vida. Este ano, deixamo-nos guiar por uma palavra de Jesus que é promessa e também compromisso: “Bem-aventurados os que protegem a vida”.
Proteger a vida é entrar no coração do Evangelho. É reconhecer, em cada pessoa, um dom precioso de Deus. Não uma ideia, mas rostos concretos, histórias reais, vidas que nos são confiadas.
Entre nós, em Portugal, a vida pede cuidado em tantos momentos: no seu início frágil, tantas vezes envolto em dúvidas e medos; na doença e na velhice, quando a solidão pesa; nos dias de cansaço interior, quando alguém perde o sentido e a esperança.
Por isso, não podemos ficar indiferentes a uma cultura que corre o risco de delimitar a vida entre extremos — como se ela estivesse balizada entre o seu início mais vulnerável e o seu fim mais frágil. Não aprecio uma sociedade que se arrisca a reduzir o mistério da vida a soluções rápidas ou finais, esquecendo que cada vida é sempre digna de ser acolhida, cuidada e acompanhada, do primeiro ao último instante.
Proteger a vida começa muitas vezes no mais simples: um olhar que não passa ao lado, uma palavra que levanta, um silêncio que escuta, uma presença que permanece. Pequenos gestos que são, afinal, grandes sinais de paz.
Porque proteger a vida é também construir paz — a paz que nasce quando alguém se sente visto, acolhido, acompanhado.
Esta semana é um convite à oração — para que o nosso coração se torne mais atento, mais disponível, mais semelhante ao de Cristo. E é também um convite a deixar que essa oração se transforme em vida vivida, em gestos concretos, no dia a dia.
Talvez não possamos fazer tudo. Mas podemos sempre cuidar de alguém. E isso muda tudo.
Maria, Mãe da Vida e da Esperança, ensine-nos a guardar, a acolher e a proteger o dom que cada pessoa é.
Conto convosco. Contamos uns com os outros.
Com amizade e bênção,
† Cardeal Américo Aguiar
Bispo de Setúbal




