O Seminário de S. Paulo, da Diocese de Setúbal, iniciou um novo ano de formação e discernimento vocacional com uma comunidade de 13 seminaristas, depois da entrada de dois novos membros. A Eucaristia de início do ano letivo foi presidida pelo Cardeal D. Américo Aguiar, que desafiou os seminaristas a viverem este tempo não como uma preparação para corresponder a um modelo ideal, mas como um caminho de verdade, liberdade e encontro com Cristo. «Somos agora 13. Que número exigente e provocador… Mas não somos apenas mais dois do que no ano passado, somos uma comunidade renovada», afirmou o Cardeal na homilia, dirigindo-se particularmente aos dois seminaristas que agora iniciam o seu percurso.
A celebração decorreu na festa da Natividade de Nossa Senhora, circunstância que D. Américo Aguiar relacionou com a própria experiência vocacional. «É muito bonito começarmos precisamente hoje, na Natividade de Nossa Senhora. Celebramos um nascimento. Uma vida que começa discretamente, sem ruído», afirmou.
Partindo das leituras da celebração, o Cardeal sublinhou que Deus pode fazer nascer grandes coisas a partir de começos aparentemente pequenos. «É precisamente do pequeno que Deus faz nascer algo de grande. Deus parece gostar destes começos discretos», disse, apontando para a possibilidade de a vocação de cada seminarista ter começado através de uma pergunta, uma inquietação, uma conversa, uma experiência de serviço ou uma palavra de Jesus que permaneceu no coração.

«Diante de Deus há 13 nomes»
Na sua reflexão, D. Américo Aguiar procurou evitar que os 13 seminaristas fossem vistos apenas como um número. «Diante de Deus há 13 nomes, 13 histórias, 13 famílias, 13 percursos e 13 maneiras diferentes de ter chegado aqui», afirmou.
A partir da genealogia de Jesus apresentada no Evangelho, o Cardeal recordou que a história da salvação não se constrói a partir de histórias humanas perfeitas. «Deus não esperou por uma história perfeita para entrar no mundo», observou, aplicando esta realidade ao caminho vocacional dos seminaristas. «Deus não vos chamou apesar da vossa história; chamou-vos dentro dela», afirmou, acrescentando que o discernimento deve integrar «os dons e qualidades», mas também «as dúvidas, os limites e as fragilidades» de cada pessoa. Por isso, deixou aos seminaristas um convite à autenticidade: «Não entrem neste novo ano preocupados em parecer o seminarista perfeito. Ele não existe. Entrem preocupados em ser verdadeiros diante de Deus, dos formadores, dos irmãos e de vós próprios.»
Uma das ideias centrais da homilia foi a definição do Seminário como espaço de discernimento. «O Seminário não é uma fábrica de padres, é um lugar de discernimento», afirmou o Cardeal, apontando para a liberdade com que cada seminarista deve poder colocar diante de Deus a pergunta: «Senhor, é mesmo isto que queres de mim? Como queres que eu viva aquilo que me pedes?»
Mas o percurso formativo, acrescentou, é também uma «escola de fraternidade». A capacidade de «escutar, de ter paciência, de pedir desculpa, de perdoar, de cuidar do irmão e de se alegrar com o bem do outro» faz parte da aprendizagem de quem, no futuro, poderá ser enviado para servir comunidades concretas.
Aos dois novos seminaristas, D. Américo Aguiar deixou uma palavra particular de acolhimento: «Não tenham medo de não saber tudo. Chegam aqui para caminhar, não para provar nada a ninguém.» Aos que já integravam a comunidade, pediu que acolhessem os novos membros e permitissem que a sua presença trouxesse também novidade ao caminho comum.
O início de um novo ano foi igualmente ocasião para um alerta contra a rotina. O Cardeal reconheceu que é possível alguém habituar-se «ao Seminário, aos horários, às aulas, à oração, à liturgia e à pastoral» e até a falar de Jesus. Mas deixou uma distinção essencial: «O que não podemos é habituar-nos a Jesus.»
Evocando o «Não temas» presente no Evangelho, D. Américo Aguiar convidou os seminaristas a permanecerem disponíveis para que Deus transforme as suas certezas e trabalhe as suas fragilidades. «A formação não serve apenas para aprender coisas sobre Deus e sobre a Igreja. Serve para permitir que Cristo vá tomando forma em nós», afirmou.

A presença dos 13 seminaristas foi também apresentada como fruto de uma comunidade mais alargada, que envolve famílias, paróquias, sacerdotes, benfeitores e todos os que acompanham e apoiam o Seminário.
Na homilia, o Cardeal agradeceu expressamente «à Obra do Bom Pastor, aos nossos padres e às paróquias, às famílias, aos benfeitores e doadores» e a todos os que rezam e contribuem para a vida do Seminário. «Alimentar o Seminário é também alimentar vocações», afirmou, sublinhando que esse apoio cria condições para que os jovens possam «escutar, discernir e responder em liberdade».
Entre os 13 seminaristas, três provêm de «dioceses irmãs», realidade que, segundo D. Américo Aguiar, torna particularmente visível que, apesar das diferentes origens e histórias, «ninguém faz este caminho sozinho».
No final da homilia, o Cardeal retomou a dimensão simbólica do número 13. «Aos olhos do mundo talvez seja pouco», reconheceu, mas lembrou que «Deus nunca teve medo dos números pequenos», evocando novamente Belém e Maria. «Mais importante do que sermos 13 é que cada um destes 13 se deixe verdadeiramente formar por Cristo: homens livres, felizes, próximos das pessoas, capazes de escutar e disponíveis para servir», afirmou.
O novo ano de Seminário fica, assim, confiado à intercessão de Maria e a uma pergunta que D. Américo Aguiar deixou aos seminaristas como horizonte para os próximos meses: «Senhor, hoje, o que queres fazer em mim e através de mim?» «Se tivermos a coragem de fazer esta pergunta todos os dias e de escutar verdadeiramente a resposta, será certamente um bom ano de Seminário», concluiu.
Texto: Ricardo Perna (com suporte de IA)
Fotos: Ricardo Perna




