O Seminário de São Paulo, localizado em Almada, acolheu esta quarta-feira, dia 7, a celebração de abertura do novo ano formativo, numa cerimónia que coincidiu com a festa da sua padroeira, Nossa Senhora do Rosário. A celebração reuniu seminaristas, equipa formadora, sacerdotes da diocese, familiares e membros da Obra do Bom Pastor, entidade que assegura o apoio espiritual e financeiro ao seminário.
A Eucaristia foi presidida pelo Vigário-Geral da Diocese de Setúbal, Mons. José Pinheiro, em representação do Bispo diocesano, Cardeal D. Américo Aguiar, que se encontrava no norte do país a participar no funeral de um bombeiro que perdeu a vida em serviço.
Na homilia, o Vigário-Geral começou por deixar uma nota de profunda gratidão pela existência da instituição na diocese. «É nunca nos cansarmos de agradecer ter um seminário. Não é óbvio, nem sempre existiu um seminário na Diocese. E por isso lembrar que o seminário é o lugar onde se forma o coração dos futuros sacerdotes», sublinhou Mons. José Pinheiro, recordando que a instituição representa o verdadeiro «coração da Diocese».
Ao fundamentar o conceito de seminário, o responsável destacou que a comunidade ultrapassa os limites do espaço físico: «O seminário é muito mais do que este espaço maravilhoso, físico, que é uma graça enorme termos. Mas o seminário é uma comunidade. É uma comunidade composta por aqueles a quem o Senhor chama, que o chama a uma especial consagração, a serem sacerdotes, a darem a sua vida neste ministério sacerdotal». Monsenhor José Pinheiro estendeu ainda este sentimento de pertença às famílias dos formandos, aos colaboradores, aos voluntários e a todos os fiéis que rezam pelas vocações, nomeadamente através da Obra do Bom Pastor.
Inspirado no Evangelho do dia, que relata a Anunciação a Maria, o Vigário-Geral apontou a Mãe de Deus como o grande modelo de escuta e de confiança diante do chamamento divino.
«Maria acolhe com temor este projeto que Deus tem para ela. E a verdade da vocação, também da nossa vocação, é este temor, este saber que aquilo que o Senhor nos pede é infinitamente maior do que tudo aquilo que somos, daquilo que podemos sonhar ou projetar para nós», afirmou, definindo a fé como um ato contínuo de entrega: «Muitas vezes as pessoas vêm-me perguntar e interpelar: ‘Padre, o que é que é ter fé?’ Fé é confiar. É confiar não nas minhas próprias forças, não na minha fragilidade, não na minha finitude, mas confiar é pôr a minha confiança naquele que me chama».
Sobre a vivência e a rotina do seminário, Mons. José Pinheiro reforçou que este período é essencialmente «um tempo de aprender a rezar», no qual a oração ganha corpo na própria doação diária e no amadurecimento interior através do combate espiritual. «A vocação acontece, alimenta-se e amadurece-se através do combate espiritual. O tempo de seminário é um tempo também de combate espiritual, porque estou constantemente a combater contra, por um lado, a minha natureza, por outro lado, o Senhor que me chama», explicou.
A terminar a sua reflexão, o Vigário-Geral lançou um apelo direto a toda a comunidade cristã para que assuma a responsabilidade de acolher e cuidar daqueles que sentem a vocação sacerdotal, reforçando a convicção de que «o Senhor continua a chamar rapazes ao sacerdócio».
«Saibamos nós ser uma comunidade capaz de acolher, de discernir, de alimentar as vocações que Ele continua a chamar para o sacerdócio. Por isso, aqui também uma palavra que nos deve interpelar a todos de sermos promotores vocacionais», concluiu, incentivando os presentes a continuarem o caminho pastoral com alegria e testemunho de fé.