No passado domingo, a Igreja da Torre da Marinha acolheu a instituição dos seminaristas Alexandre e Miguel no ministério de leitores. A celebração, presidida por D. Américo Aguiar, Bispo de Setúbal, marcou um momento de alegria e esperança para o Seminário de Almada e para toda a Diocese de Setúbal, coincidindo com o encerramento da Semana de Oração dos Seminários.
Num ambiente familiar e festivo, a comunidade reuniu-se para acompanhar mais um passo no percurso vocacional destes dois jovens que se preparam para o sacerdócio.
O ministério de leitor é o primeiro dos dois ministérios instituídos que fazem parte da caminhada dos seminaristas rumo ao sacerdócio. A partir deste momento, são oficialmente chamados pela Igreja a proclamar a Palavra de Deus nas celebrações e, sobretudo, a viver essa Palavra no quotidiano.
Para o seminarista Miguel, este foi “um dia único”, vivido com serenidade e gratidão. “A Igreja confiou-me o serviço de proclamar a Palavra de Deus e, sobretudo, de a viver na minha vida”, partilha. A presença de familiares, formadores e amigos tornou a celebração ainda mais significativa: “Fez-me ver que o meu caminho no seminário está a ser feito com eles e para eles.”
Inspirado pelas palavras de D. Américo, que falou na sua homilia sobre o papel único das diferentes pedras vivas na construção do Templo, Miguel reconhece neste passo um novo compromisso: “Como leitor, tenho de ser uma pedra viva a sustentar outras e a deixar-me sustentar por outras.”
O Pe. Miguel Alves, reitor do Seminário de Almada, sublinha o valor espiritual deste ministério: “É o primeiro serviço que a Igreja confia a estes dois rapazes — o de amar muito Jesus presente na Sua Palavra.”
Mais do que uma função litúrgica, trata-se de um convite à intimidade com Deus através da Sagrada Escritura. “Quanto melhor conhecem a Palavra, melhor a proclamam”, afirma o sacerdote, destacando que este é o início de uma vida de serviço e entrega.
Também o Pe. José Cachaço, prefeito do seminário, contextualiza este rito na tradição da Igreja. Depois do Concílio Vaticano II, explica, o leitorado passou a ser entendido como um ministério laical estável, confiado pelo Bispo a quem serve a comunidade. “Embora já proclamassem a Palavra nas Eucaristias, agora a Igreja reconhece e confirma esse serviço, marcando uma etapa de maior atenção e intimidade com a Palavra de Deus.”
O momento foi também uma ocasião para celebrar a vitalidade da Igreja diocesana. O Pe. Afonso Pereira, prefeito do Seminário, descreveu o dia como “uma das provas de que Deus nos ama e de que a Igreja está viva”.
Recordando a coincidência com a festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão, o sacerdote afirmou que, assim como o templo material, também a comunidade é chamada a ser sinal da presença de Deus no meio do mundo. “Deus mostra que o seu corpo está vivo, que respira e partilha a vida dos homens”, disse.
A escolha da Igreja da Torre da Marinha para a celebração teve igualmente um significado especial: “Não ser na Sé ou no Seminário é bonito, porque é estar na casa daqueles que também são casa para nós. É sinal de que a oração do povo de Deus tem resposta.”
A instituição dos seminaristas Alexandre e Miguel como leitores representa um novo passo no caminho de entrega e fidelidade a Deus, mas também um sinal de esperança para a Diocese.
Num tempo em que tantos se mostram distraídos ou afastados, este gesto simples e profundo recorda que a Palavra de Deus continua viva, e que há quem se disponha a escutá-la, proclamá-la e testemunhá-la com a vida.







