53ª Semana Nacional de Migrações

Ago 11, 2025

Celebra-se entre 10 e 17 de Agosto, a 53ª Semana Nacional de Migrações, promovida pela Obra Católica Portuguesa de Migrações. O tema deste ano, em linha com o tema do Dia Mundial do Migrante e Refugiado (DMMR), ” Migrantes, missionários de esperança”, apresenta-nos uma realidade que deve ser refletida e rezada, individualmente e em comunidade.

Vivemos um tempo em que o tema da imigração é uma constante, quer seja por culpabilizar a imigração por tudo o que acontece de mal no país ou porque cede-se cada vez mais aos discursos populistas, fomentando o ódio e a discriminação contra a grande maioria dos que chegam ao nosso país ( se bem que a intolerância é praticamente inexistente para com o imigrante caucasiano e rico…). As próprias propostas do atual governo à política de imigração abrem caminho para a desigualdade e marginalização daqueles que procuram o nosso país na esperança de uma vida melhor, esperando ” encontrar algures o pão de cada dia”, como dizia São João Batista Scalabrini. É necessário regular a imigração mas não podemos cair no erro de violar a constituição dos direitos humanos. E cada um de nós como cristãos, deve questionar se quer ser como o bom samaritano, acolhendo Cristo no estrangeiro ( Cf. Lc10, 25-35) ou se se submete à ” globalização da indiferença” como nos falou o Papa Francisco na sua primeira visita apostólica a Lampedusa em 2013.

Urge não esquecer que já no Antigo Testamento a viúva , o órfão e o estrangeiro são os privilegiados de Deus. Certamente na maioria das nossas paróquias já são muitas as caras novas. O Papa Leão , na sua mensagem para o DMMR desde ano diz-nos “Hoje, os migrantes e refugiados católicos podem, de modo particular, tornar-se missionários de esperança nos países que os acolhem, levando adiante novos caminhos de fé onde a mensagem de Jesus Cristo ainda não chegou ou iniciando diálogos inter-religiosos feitos de quotidianidade e busca de valores comuns. Com o seu entusiasmo espiritual e a sua vitalidade, podem contribuir para revitalizar comunidades eclesiais endurecidas e sobrecarregadas, nas quais avança de forma ameaçadora o deserto espiritual. A sua presença deve, portanto, ser reconhecida e apreciada como uma verdadeira bênção divina, uma oportunidade para se abrir à graça de Deus, que dá nova energia e esperança à sua Igreja: «Não vos esqueçais da hospitalidade, pois, graças a ela, alguns, sem o saberem, hospedaram anjos» (Heb 13, 2).” Portanto cada um de nós tem a responsabilidade de acolher , proteger , promover e integrar, como nos pediu o Papa Francisco na sua mensagem do DMMR de 2018.

Que esta semana seja de verdadeira oração por todos os que deixam a sua zona de conforto, em alguns casos arriscam a sua vida ou pelo caminho se tornam reféns de redes de tráfico ou exploração; por todos os agentes pastorais ( consagrados e leigos), homens e mulheres de boa vontade , que auxiliam e amparam os irmãos migrantes; pelos políticos e governos que promovam políticas inclusivas que respeitem os direitos humanos e a dignidade dos migrantes e pelas nossas comunidades , que reine a hospitalidade e o testemunho dos ensinamentos de Jesus Cristo. Que no ano do jubileu da esperança sejamos uns para os outros sinais de esperança – aprendamos com os migrantes a resiliência e tenacidade mesmo quando tudo parece “remar contra” e ensinemos a beleza do amor de Deus para com todos.

Tânia Moreira
Coordenadora do Secretariado Diocesano da Pastoral das Migrações

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