Esta quarta-feira, começa no Vaticano, a IIª Sessão da Assembleia Extraordinária do Sínodo sobre a Sinodalidade.
Em representação das nossas comunidades, entre muitos, ali estarão seis portugueses a participar nos trabalhos. Dois cardeais (um deles o bispo de Setúbal) dois bispos, um sacerdote e um leigo, mulher. Esta composição é já, de alguma forma, a concretização desse “caminhar com” onde o parceiro do lado não se escolhe pela condição hierárquica, grau académico, ou “importância” na comunidade.
Atualmente, no Sínodo dos Bispos já não votam apenas bispos, a opinião vinculativa provém de bispos, de religiosos, de teólogos, de homens e mulheres leigos que, pelo seu envolvimento na Igreja, têm toda a autoridade para expressar de forma vinculativa a sua opinião.
Nesse “estilo novo de ser Igreja” que o Papa pede, todos temos lugar e ninguém fica à margem da responsabilidade de edificar. O resultado, é que cada um é agora chamado a ser e a estar, a ser relevante numa comunidade que deve sentir como sua.
“Este caminho sinodal não é como outros desafios pastorais em que passou o dia e passou a romaria… Entrámos em modo sinodal para ficar”. A afirmação é de D. Américo Aguiar, nosso bispo e um dos cardeais portugueses que, nas próximas semanas, participará nos trabalhos desta sessão do Sínodo. Por isso, a paróquia deverá ser cada vez menos “o supermercado” onde nos vamos abastecer de sacramentos ou cumprir preceitos. A comunidade sinodal será a nossa casa, a família que nos preocupa, a inquietação por essa Boa Nova que queremos levar para lá do adro, até essas “periferias” que têm hoje rostos e geografias muito diversas. O nosso bispo já o admitiu ao microfone da Agência Ecclesia, “vivemos um défice de cidadania, não só civil, mas também no que toca à Igreja”.
As próximas semanas serão importantes, porém, não devemos ficar estáticos à espera de conclusões ou de uma Exortação Apostólica, o trabalho já deveria estar em curso, o estilo novo de ser Igreja reclama concretização e não espera.
Quem não recorda, na primeira fase, essas assembleias sinodais na comunidade? Os grupos informais que trouxeram os habituais e os inesperados? Momentos onde o diálogo fluiu e os que andavam distantes se sentiram afinal “dentro”? Foi uma ocasião onde a ação do Espírito se sentiu com uma nitidez rara. E de então para cá? Que é feito da síntese paroquial? Ela não poder ser apenas uma simples gota vertida nessa vastidão de contributos que chegaram a Roma, onde já não conseguimos descortinar o que era nosso, ela deve ser bússola local e o discernimento que lhe deu origem, deve ter continuidade. Importa também ser justo, há quem já faça o caminho, comunidades em que a experiência se converteu em hábito e marca agora o ritmo da caminhada.
Escreveu Filipe d’Avillez na última edição do semanário Expresso: “E se o sínodo da sinodalidade for simplesmente aquilo que diz ser: uma longa conversa sobre como conversar e escutar melhor?”.
Porventura é aqui que reside o segredo. É na forma como nos aproximamos e aprendemos a caminhar com quem está ao lado. Quem lá está, não quem nós desejávamos que lá estivesse, é assim que a Igreja deve fazer caminho e é assim que o caminho se torna tão ou mais importante que o destino.
Artigo de: Henrique Matos, membro da Comissão Sinodal Diocesana



