A população católica de tantas e tão diferentes regiões de Portugal que vive e trabalha no vastíssimo território que constitui a Diocese de Setúbal começou já a celebrar os cinquenta anos deste bispado criado em 16 de Julho de 1975 que, com Santarém, constitui a mais jovem diocese portuguesa.
É essa efeméride, que em 2025 se celebra com maior intensidade, a que a Câmara Municipal de Setúbal se associa.
Neste cinquentenário importa relembrar que a evolução diocesana setubalense envolveu inteiramente a carismática personalidade do Bispo D. Manuel Martins, que abriu caminho e dirigiu a novíssima diocese com a serenidade suficiente e necessária, mesmo num contexto económico, social e histórico local complexo em resultado dos tempos, naturalmente conturbados, vividos após o 25 de Abril de 1974.
Nestes cinquenta anos é absolutamente natural evocar a figura do primeiro bispo setubalense, o sacerdote que marcou indelevelmente a cidade que o acolheu e toda uma região que, à época, era flagelada por enormes dificuldades sociais e humanas, com particular destaque para os salários em atraso e para o encerramento de numerosas empresas que lançou para o desemprego milhares de trabalhadores.
A história da primeira metade da existência desta diocese setubalense é, a todos os títulos, um notável episódio da vida da Igreja portuguesa que, com a arriscada escolha de um prelado vindo de norte − num tempo em que as clivagens ideológicas também se mediam pela geografia − foi capaz de, afinal, compreender as profundas necessidades de intervenção social de cariz religioso de que este território estava tão carenciado.
Decorridos 27 anos da entrega do Báculo a novo prelado, a situação alterou-se, mas a memória de D. Manuel Martins, que tudo temos feito em Setúbal para honrar e dignificar, mantém-se bem viva.
A recordação do papel central que D. Manuel Martins teve na cidade e em toda a área da Diocese condicionou, de alguma forma, o caminho percorrido desde então na nossa região. Também graças à sua voz e ao papel da Diocese − a par da intervenção central de outros protagonistas com profundo envolvimento político, particularmente aqueles que lutaram no movimento sindical −, Setúbal e a região a que dá nome recordam já com algum distanciamento os tempos difíceis em que D. Manuel Martins aqui chegou. É a esse distanciamento que importa pôr cobro, relembrando que, embora os tempos dos salários em atraso e dos despedimentos estejam distantes, subsistem problemas sociais complexos, de que o caso da falta de habitação para os jovens é talvez o mais grave, que exigem que se façam ouvir de novo, de novo e bem alto, as vozes desde sempre preocupadas com a vida e o bem-estar das pessoas, as vozes dos que continuam a exigir uma vida melhor e com mais justiça.
Acredito que a Diocese de Setúbal, em particular na celebração deste meio século de existência, está à altura deste enorme desafio, que, na Câmara Municipal de Setúbal, também assumimos.
Presidente da Câmara Municipal de Setúbal
André Valente Martins



